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terça-feira, 9 de agosto de 2016

As vinhas da ira, The grapes of wrath


"E à noite acontecia uma coisa estranha: as vinte famílias tornavam-se uma só família, os filhos de uma eram filhos das outras, de todas. A perda de um lar tornava-se uma perda coletiva, e o sonho dourado do oeste um sonho coletivo. E podia acontecer que uma criança enferma enchia de pena os corações de vinte famílias, de cem pessoas; que um parto numa tenda mantinha cem pessoas em silêncio e em expectativa durante uma noite e que a manhã seguinte encontrava cem pessoas felizes com o êxito de um parto estranho. Uma família, que uma noite era antes errara apavorada na estrada, procurava então, talvez, entre os seus parcos tesouros, algo que pudesse ser dado de presente ao recém-nascido. À noite, sentados ao redor da fogueira, os vinte eram um só. Uma guitarra surgia então de sob um cobertor e soava tristemente, e canções eram entoadas, canções populares. Os homens cantavam a letra e as mulheres cantarolavam a melodia. 

Todas as noites um mundo surgia: amizade se faziam, inimizades se estabeleciam; um mundo completo, com gabolas e covardes, com gente silenciosa, com gente humilde, com gente bondosa. Todas as noites, relações eram feitas, relações que modelavam um mundo à parte; e todas as manhãs esses mundos se desfaziam como circos ambulantes.

A princípio, as famílias titubeavam nas montagens e desmontagens desses mundos; mas gradualmente a técnica da construção de mundos tornava-se a sua técnica. Os líderes surgiam, leis se faziam e códigos eram observados. E à medida que os mundos se deslocavam para oeste mais e mais completos se tornavam, porque seus construtores já tinham adquirido mais e mais experiência."

A fotografia "migrante mother", de Dorothea Lange [década de 1930] mostra Florence Owens Thompson, mãe de sete crianças, de 32 anos de idade, em Nipono, Califórnia, março de 1936, em busca de um emprego ou de ajuda para sustentar sua família. Seu marido havia perdido seu emprego em 1931, e morrera no mesmo ano. 



STEINBECK, John, 1902-1968. As vinhas da ira; Tradução de Ernesto Vinhaes e Herbert Caro. São Paulo: Abril Cultural, 1982. p. 258 [O livro foi publicado em 1939, e o filme, dirigido por John Ford , em 1940]


quinta-feira, 26 de maio de 2016

A história de uma obsessão

1 Filmes recomendados pelo lonely planet:

1.1 Antes do anoitecer - Javier Bardem está lindo de morrer, mas me pergunto, como um ator se presta a fazer um papel desses? o filme é super manipulador;

1.2 A cidade perdida - bonitinho e ordinário, as imagens são lindas, Andy Garcia tá um gato! o figurino é lindo, você quer todos os vestidos de Ines Sastre..., mas pelo título você saca qual é a do filme;

1.3 Che - legalzinho, mas o dvd que eu aluguei travou no final;

1.4 Nosso homem em Havana - não vi.

A seleção é uma merda! o lonely planet foi estupidamente infeliz na feitura deste guia nos aspectos culturais e históricos. ficou raso e nitidamente quer que cuba se torne os EUA, aquele lugar sim é legal, cheio de prédios novos e oportunidades, bem condizente com os filmes propostos.

2 Filmes recomendados pelo "google"... vi uns três no máximo:

2.1 Sete dias em Havana (2012):
2.2 A ilha da morte (2010)
2.3 Che (2009)
2.4 Che 2: A guerrilha (2008)
2.4 Viva sapato!
2.5 Dirty dancing: noites de havana (2004)
2.6 Diários de motocicleta (2004)
2.7 A rocha que voa (2002)
2.8 Recordações: Ernest Hemingway
2.9 O velho e o mar (1958)
2.10 Aconteceu em Havana (1941)


3 Documentários (eu acho):

3.1 Ao sul da fronteira (2009):



3.2 Chevolution: a história da fotografia mais reproduzida do mundo (2008):




3.3 Caminho para Guantanamo (2006):



3.4 Soy Cuba: o mamute siberiano (2005):



3.5 The sons of cuba - buena vista next generation (2004)



3.6 Suite habana (2003):



3.7 Buena Vista Social Club (1999)


Apesar de ter assistido apenas alguns, os documentários foram mais animadores que os filmes.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

sábado, 22 de março de 2014

meia noite em Manaus


*que história!

Tem acontecido umas coisas bem estranhas... antigamente, acordava otimista e ia dormir pessimista... agora acordo humilde e desesperada e vou dormir arrogante e soberba... ainda não sei em que aspecto dessa nova condição humana pode me ajudar na escrita da minha cruz... só sei que quando durmo, algo acontece, talvez o "ajuste do sono", sei lá. 

Que doidice.

As noites ficam mais atraentes... obviamente, mas não sei, a simplicidade parece ser o que há de mais sofisticado nesse mundo... como fazer? não sei. ser simples está cada vez mais difícil.

Eu não quero escrever bem sabe? tipo literatura. ok, mentira, eu quero sim. mas ah, nesse momento só a boa escrita etnográfica já me bastaria... e isso parece muito! na realidade ela é bem pior, porque é infinitamente mais sofisticada. 

É isso!

Apesar de ter criado raivinha do Hemingway depois desse filme: 


ah, assista, não vou falar nada. só uma coisa: virei fã da Martha.

*

O ponto é que ele disse umas frases soltas, quer dizer, o woody allen disse que ele disse, que podem ajudar:

- nenhum tema é ruim se a história é verdadeira;
- se a prosa é limpa e honesta;
- se ela confirma graça e coragem sob pressão;

Hemigway era o melhor xavequeiro do universo inteiro! a Martha deve ter penado.



sexta-feira, 21 de março de 2014

CONRAD: apocalypse now


Apocalypse now (1979) é um filme realizado por Coppola... e a impressão que fica é: em que planeta você estava que NUNCA havia assistido esse filme antes? Jamais menospreze quem bebe da literatura... Puzo não chegou nem a ficar de bobeira! The godfather nasce em 1969 e já em 1972 Coppolinha o abocanhou! 


Mario Puzo foi um escritor que ficou conhecido
pelos seus livros de "ficção"(vai saber) sobre a máfia. 

Voltando ao Apocalypse... ele é tão impressionante, que tudo que for dito após o filme, parecerá vulgar... inclusive esse texto. Dê um tempo pra ele ficar circulando no sangue sabe? é muita coisa pra digerir

Acrescento que essa película foi uma "adaptação" do livro "o coração das trevas" (1902) de Joseph Conrad, que por motivos de desespero, afinal se Malinowski se inspirou, porque não você? hahahahaha

Fiz o combo com sem culpas. 

Coppola tem uma pegada de "comunidades imaginadas" sabe? com uma absurda criatividade (assista!!!!), no entanto, senti falta das mulheres na tela... olha esse parágrafo no Conrad:


Obviamente que existem versões muito mais elegantes que a minha... mas ah... né gente? minha bolsa do CNPq está acabando, vou ter que dar uma maneirada nas frescurites... :/ mas vamos ao que interessa:

"Ela caminhava com passos medidos, envolta em panos listrados com franjas, pisando a terra orgulhosamente, com um ligeiro tilintar e faiscar de bárbaros ornamentos. Andava de cabeça erguida, o cabelo penteado como um elmo; usava perneiras metálicas até os joelhos, manoplas de arame dourado até os cotovelos, uma mancha carmim na face, inúmeros colares de contas de vidro no pescoço; umas coisas bizarras, amuletos de feiticeiros, que pendiam dela, brilhavam e tremeluziam a cada passo. Devia trazer sobre o corpo o valor de várias presas de elefante. Era selvagem e soberba, de olhos bárbaros e magnífica; havia alguma coisa de pomposo e sinistro em seu passo decidido. E no silêncio que se abatera de repente sobre toda a melancólica terra, a selva imensa, o colossal corpo da fecunda e misteriosa vida parecia olhar a imagem de sua própria alma, tenebrosa e apaixonada."(CONRAD, o coração das trevas, p. 102)

Será que ela apareceu e eu não vi?

*

Carrego o livro... e agora o filme, como uma grande metáfora... boa pra pensar uma infinidade de coisas...
o que seria essa selva afinal? fico aqui bem feliz com os meus botões, brincando de "errar/acertar" os significados dos autores, construindo segredos que daí por diante, são só meus... 

*

Pode parecer absurdo... mas a ideia do filme me faz lembrar muito esse clipe... 
ai, como tenho sorte de ver essas coisas! que filme incrível! que danças lindas! 


Beirut, elephant gun 

domingo, 16 de março de 2014

Tatuagem, o filme.


Passado o reboliço para trazer filmes de arte/alternativos/fora do circuito na cidade de Manaus, chegou a hora de ocupar os territórios conquistados... certo? certo. deixe a moleza de lado, descole alguns reais do bolso que estão acabando junto com a sua bolsa do CNPq... aceite o convite super fofo da sua orientadora e desbrave o manauara (num domingo)... aquele prédio hostil que está por desabar.

Ficamos na dúvida entre Ninfomaníaca II e Tatuagem. como não vi o primeiro, animei pro tatuagem... mas antes de sair de casa, dei uma olhada no trailer e bateu uma preguiça... pensei: tipo de filme que dá pra ver tranquilo no canal brasil. mas beleza, vamos lá, a causa é nobre.




Me enganei.

O filme pernambucano é leve, divertido, criativo, inteligente, romântico, lindo! a trilha sonora arrepia! 

johnny hooker, volta

No meio de Tatuagem, filme de Hilton Lacerda, há um diálogo entre Clécio e Paulete que te faz pensar de como a palavra cuidadosa/doce pode resolver qualquer conflito no universo inteiro, impressionante, de extrema sensibilidade... curti demais. os atores foram nota mil! :D

Vale o preço absurdo das salas de cinema desse país.

sim! eu sou canguinha, mão de vaca, ranzinza e sempre acho caro.

Acho que o premiado "dzi cocrettes" completa o cenário, se puder, assista os dois e fique exibido nas rodas intelectuais:





sábado, 18 de janeiro de 2014

azul é a cor mais quente, Manaus




gostaria de falar de um momento político/histórico do cinema manaura:


vou pegar a fala do querido marquinho:

"O produtor audiovisual Marcos Tupinambá, por sua vez, avalia que já existe suficiente demanda para a exibição de filmes de arte na cidade. Ele cita o público fiel do Amazonas Film Festival, o aumento da produção audiovisual e a atividade constante de cineclubes como indicadores de um mercado consumidor com potencial."


jornal "A crítica", 04.01.2014

Um outro fator importante foram os apelos na internet (facebook) "por uma sala de cinema de arte em Manaus". nem queira problematizar o que é "cinema de arte" nesse momento, entre na luta política e tenha  o direito de assistir filmes ucranianos ou da alta birmânia numa salinha especial com pessoas exibidinhas que usam óculos de acetato e tem aulas de francês. Vamos torcer que a tal da sala seja tombada pelo IPHAN, faço votos que seja um prédio histórico bem lindo.

O filme "azul é a cor mais quente" nas telas de Manaus é fruto desse processo que ainda ferve.

A sala de cinema daquele shopping, prestes a desabar, lotou e faltou espaço pra tanta gente, ótimo! 



que fique claro, críticos de arte/cinema deveriam morrer todos juntinhos, num lugar todo especial ardendo no mármore do inferno. arte é sensação, você é o único que sabe o que ela faz. esqueça os pedantes de plantão, aproveite as sensações e discussões, só.

dito isso, proponho discutir pontos interessantes que o delicioso filme de Abdellatif Kechiche nos faz sentir.

Adèle Exarchopoulos, Abdellatif e Léa Seydoux
Inicialmente, as fantásticas cena de sexo, a ausência de trilha sonora pros momentos de tensão e a simplicidade da protagonista é o ponto alto! pegando o gancho da fala da Isa em resposta ao podcast do cinema em cena:


Devo discordar dos meninos quando falam que a cenas de sexo entre mulheres é considerado bonito, como sendo algo positivo. O que acontece é que casais de mulheres praticamente só recebem dois tratamentos: ou confinadas a uma relação doméstica, de amizade, praticamente assexuada (que é meio o que acontece no citado Minhas Mães e Meu Pai) ou uma relação fetichizada para o olhar do homem heterossexual. 

Dentro do primeiro tipo de representação temos outro exemplo em As Horas: Clarissa e sua namorada aparecem quase como duas senhoras amigas. Aliás, no mesmo filme oculta-se a bissexualidade de Virginia Woolf, que mantinha um casamento aberto com seu marido e por anos teve um relacionamento com a escritora Vita Sackville-West. 


O mesmo acontece em A Cor Púrpura: enquanto no livro o processo de criação de autonomia, agência e voz de Celie passa pela sua longa relação com Shug, que envolve diversas descobertas sexuais, no filme ambas são apenas amigas. (Isabel)

Sem contar "tomates verdes fritos"!

eu tenho muita sorte de ter a Isa na minha vida, sério.

além de descolar capinhas pro computador de grátis e me esbaldar em comidinhas naturebas, ela me ensinou a piratear filmes na internet! \o/ independência é tudo na vida de uma garota, nada de se submeter a propostas-sexo-casual pra você assistir os filmes fora do circuito. escrúpulos é tudo! (mas vez ou outra perca-os, vidas secas só combina com literatura) 

depois de assistir o filme, corri pra ler esse artigo da Sônia sobre "corporalidade e desejo" que a Isa menciona no comentário do podcast, queria alcançar a teoria queer, mas cheguei em pontos importantes, como o "ocultamento do corpo"ou de uma "corporalidade pública", por exemplo...

*

Infelizmente a Isa tem razão e este filme sofre de um dos confinamentos: o sexo entre as duas é muito "bonito" e TALVEZ caia  na armadilha "relação fetichizada para o olhar do homem heterossexual"... tenho que pensar mais a respeito.

No entanto, no quesito relação "assexuada", o filme enfrenta e ganha em disparada!

*

Pra quem ainda acredita no ruído froidiano de que a mulher sofre de uma "ausência peniana"ou tudo que uma mulher precisa é de uma "piroca", assista. o mundo precisa de amor, isso sim. você cairá do cavalo e desejará loucamente ter uma mulher daquelas. meninos: aprendam com quem sabe, "decorem" algumas coisas, a humanidade agradece.

apesar desta cena ser carregada de polêmica:

"Adèle Exarchopoulos afirmou que “a maioria das pessoas seria bem mais respeitosa e nem arriscaria pedir as coisas que ele [Abdellatif Kechiche] pediu. Normalmente, uma atriz é tranquilizada quando faz cenas de sexo, que são coreografadas”. 

Já Léa Seydoux preferiu falar de outro momento problemático da produção: “A parte em que nos encontramos pela primeira vez tem 30 segundos de duração, mas a gente passou o dia inteiro filmando. Foram mais de 100takes. Quando nós rimos sem querer depois de fazer a mesma coisa durante horas, ele [Kechiche] ficou louco e atirou um pequeno monitor no meio da rua, gritando que não conseguia trabalhar naquelas condições”. No final da entrevista, as duas afirmaram que nunca mais trabalharão com o diretor."

Ignore as críticas e deixe-se seduzir pelo filme.

A cena dos primeiros encontros e beijos das duas é impressionante, você abstrai o fato delas serem "meninas"e joga prum outro plano... é irrelevante o fato de ser mulher, homem, velho, novo, podia ser qualquer coisa. 

É uma lindeza quando as cores dos olhos e cabelos ficam em evidência com a pele, o sol, o verde do lugar que elas estão... é bonito demais.

Preciso dedicar alguma leitura sobre "teoria queer"! não sei necas de catibiriba e me recuso a copiar e colar alguma coisa da wikipédia, hoje resolvi ter critérios. hahahahaha só hoje.

Uma outra coisa interessante é a crítica ao "mundo intelectual francês" que a gente aprende a pagar pau desde cedo em contra ponto aos desejos e aspirações de Adele, que decide ser professora do maternal e alfabetização, a diferença entre as duas famílias também é um ponto bacana pra reflexão. Há a cena memorável entre a comparação de Sartre com Bob Marley, curti muito!

Pontos pra quem entendeu uma frase inteira do filme sem precisar de legenda: "petite pute"e "excuse moi, un cafe sil vous plait". parabéns! hahahahaha

A comida e a obsessão do cineasta com adele comendo, dormindo, dançando me tirou do eixo! é absurdamente sexy, simples e bonito essa relação com o prazer, a comida, a dança, o corpo... assistiria mil vezes sob essa perspectiva... sem contar a "literatura" que fez um prelúdio do primeiro olhar trocado com a "menina de cabelo azul"... lindo! 

Fico com a advertência de que independente com quem você se relaciona, a dominação, o machismo e a "invisibilidade" do outro é algo impressionante, dedique-se a observar as toneladas de louça lavada (literalmente), os tipos de xingamento (puta, vagabunda) e imposição dos seus anseios sobre o outro (você é infeliz sendo professora) podem levar.

acho que é isso, vale muito assistir... tire as crianças e as latas de conserva da sala, o filme pega fogo!








sexta-feira, 18 de outubro de 2013

devils haircut


sempre tive o mesmo cabelo, digo, o mesmo corte, a mesma cara lambida.
depois do campo, aquele cabelão todo me irritou profundamente... embaraço, sujeira, calor. tudo contribuiu... inclusive a sugestão xamânica, deixa ele solto: ok.

no alto da minha rebeldia, decidi: vou cortar!

- oi, tudo bem?:)
- oi querida, você já cortou aqui alguma vez?
- não, primeira vez :)
- você vai adorar o salão. já sabe o corte?
- já. tira um dedo e meio e faz um franjão :)
- só isso? 
- só. :)
- mas tu não quer mais volume?
- é... pode ser, mas deixa com formato de "U" atrás. 

esse meu simples "é... pode ser" com conotações de indecisão sobre o destino daquelas células mortas, vulgo cabelo, foram o suficiente para aqueles olhos famintos por criação entrarem em ação.

(silêncio)

Nesse hiato foi que eu comecei a me preocupar...

porque eu não vi um tutorial do youtube e EU MESMA cortei meu cabelo? seria divertido...

aquele "simples" cabeleireiro cheio de charme e estilo, abriu um leque de tesouras e faquinhas afiadas de todos os tamanhos e formatos com uma habilidade impressionante... "arrupiei". 

percebi que ele cagou pra minha referência careta de formato "U" e franjão. Esses profissionais, assim como a costureira, (vale um post sobre elas), ODEIAM a sugestão do pobre mortal que vos fala. 

O MARAVILHOSO filme coco chanel, já havia me advertido que essas categorias de trabalho, costureira, cabelereiro, cozinheiro... vem ganhando/ganharam uma aurea de artista do ofício que escolheram para si: estilistas, hair stylis, chef´s... verdadeiros artistas!


Ai de você se pede para um cozinheiro, digo, o chef mudar o prato que ele criou, sim, estamos falando de criação, com direitos autorais e tudo. Não é à toa que o festival "comida de buteco" vem fazendo tanto sucesso... a sacada é sensacional... você quer conhecer e cumprimentar o responsável pela "obra", impressionante.


Vamos voltar ao HAIR STYLIST queridinhos.

APRENDA: não se meta, ele sabe o que está fazendo, ou torça pra que ele saiba.

*

o ritual começou:

Inicialmente, ele pediu para que eu sentasse naquelas cadeiras onde o corpo fica semi deitado e o pescoço encaixa numa "pia", pro cabelo ser lavado e hidratado antes do sacrifício, digo, do corte.

aquela massagem maravilhosa e aquele chuveirinho fazendo a água escorrer na sua cabeça, é uma preparação/anúncio das tormentas que virão.medite. ele tentará te enebriar com a sensação de relaxamento que aqueles movimentos proporcionam, você não pensa mais em nada, só naquelas mãos amassando seu cocuruto... incrível... aceite, isso foi o mais próximo de uma pegação que você já teve nos últimos tempos, aproveite.

Natasha T. Batista cansada de guerra foi no céu e voltou.

Passada a fase delícia, ele pediu para que eu sentasse numa outra cadeira. esse "trono" já te deixa com o corpo mais ereto e de frente para um espelho gigante cheio de parafernalha, digo, dos instrumentos necessários para que a cirurgia dos pelos aconteça.

é colocado um babador gigante para que os "filhotes arrancados" da mãe não suje você. pegue suas mãos, junte-as e ore. 

Ele tinha um instrumento curioso, que parecia um pente... mas havia uma faquinha escondida que fazia os mais diferentes cortes naquele cabelo sofrido da vida... a cada "penteada" saia uma porrada de cabelo. desesperei...

mas resolvi (como se houvesse escolha ¬¬) confiar naquelas mãos sérias, compenetradas que demonstravam um domínio absurdo no ofício, na navalha, na tesoura, no pente.

quis falar NÃO CORTA MAIS ESSA PORRA! 
quis sair da cadeira...
quis pedir pra ele pegar leve...
quis dizer "moço, eu não pedi isso..."
mas calei e fiz cara de paisagem.

Tive uma sensação súbita de que eu não podia tirar aquele sujeito do transe...
ele havia traçado um objetivo no meu cabelo, qualquer interrupção poderia ser fatal. 

deixei rolar e pensei: essa bosta vai crescer, relaxa garota!

Ao final, ele resolveu secar... e aí eu comecei a aliviar... 
A cada puxão, digo escovada, o corte aparecia com mais notoriedade, mudando o formato do rosto, inclusive.

Ficou mais curto do que eu esperava, pensei, no alto da minha ignorância e chatice com relação ao trabalho do artista.

Quando terminou, aqueles olhos curiosos me perguntaram com bastante calma:

- você gostou?
- amei querido, muitíssimo obrigada. 

fiquei me querendo loucamente na frente do espelho, fiz minha própria arrumação na juba e dei um abraço apertado e um sorriso bem grandão de agradecida, seremos best! hahaahhahah


Reflexões importantes: nem tudo está sob o seu controle, e essa sensação sempre me desespera... acreditar no outro, o ateísmo que me perdoe, é um ato de fé. somente. você acredita ou não.


se eu vou voltar? 

não sei... imaturidade, sensação de controle, apego à bosta do cabelo... ainda tenho um caminho árduo.

se me aventurar pelas águas do youtube, aviso. 



quinta-feira, 30 de maio de 2013

o problema da escrita



Desde os primeiros textos do blog, você decidiu que não ia dar a mínima para "regras gramaticais", "norma culta", misturaria no mesmo texto primeira pessoa e terceira pessoa... e detalhes como "maiúscula em inicio de frase" ou concluir um parágrafo com uma ideia e dar continuidade... iam pras cucuias com a sua alma desejosa por um espaço rebelde, bem longe das amarras da ABNT.

Isso criou uma zona de conforto enorme pra você escrever as abobrinhas que quisesse. Você ri na cara do Pasquale Cipro Neto, até Marcos Bagno concordaria com você.

Preconceito Linguístico, a A norma oculta (Marcos Bagno) e o sensacional Pigmaleão de Bernard Shaw, foram divisores de águas na sua vida.



Apresento aquelas novelas mexicanas que contribuíram na formação do seu caráter, "Trilogía de las Marías":

1 Marimar;

2 María Mercedes;
3 María la del Bairro.

"Marimar é simples, analfabeta, trabalha o dia todo com atividades relacionadas a pesca, usa roupas simples e é inocente. Na cidade grande, a jovem começa a trabalhar na casa do rico Gustavo Aldama, para sustentar seu filho, pois tem certeza que será mãe solteira e analfabeta e nem terá condição de dar uma vida boa ao filho ou a filha que virá. Gustavo Aldama tem uma admiração muito forte por Marimar e com isso decide alfabetiza-la, tem aulas de etiqueta, idioma e boas maneiras e se transforma em uma dama da sociedade, muito rica e poderosa, assumindo uma nova identidade, Bella Aldama, seu nome a quem se apresenta socialmente"

"Maria Mercedes é uma pobre menina que é abandonada com seus irmãos por sua mãe. Devido à falta de apoio de seu pai, sempre bêbado, ela e seus irmãos e irmã são forçados a trabalhar nas ruas da cidade vendendo bilhetes de loteria e flores. Santiago del Olmo, rico e primo de Jorge Luís, está muito doente e sabe que ele está morrendo. Uma manhã, quando ele está no jardim, ele vê Maria vendendo bilhetes de loteria na rua. Ele surge com a ideia de se casar com ela só para perturbar Malvina, após a sua morte como uma vingança pessoal. Ele ganha sua confiança e amizade e a propõe casamento. Esta, depois de hesitar, aceita."

"Maria do Bairro é uma jovem humilde, sem instrução e sonhadora que vive com sua madrinha Cacilda no bairro João Diego, na periferia da Cidade do México, e trabalha como catadora de material reciclável em um aterro sanitário. A jovem órfã é acolhida pelo empresário Fernando Dela Vega, patriarca da família Dela Vega, uma das mais abastadas e influentes do país. Ele deseja lapidar a garota e torná-la uma mulher refinada, acolhendo-a como um membro da família. Fernando encontra resistência em sua esposa Vitória Montenegro que, junto da empregada Carlota, despreza Maria desde o primeiro momento."

Nas três histórias imperdíveis, sem sarcasmos você amava essa trilogia, há a fórmula do sucesso de Shaw (1912), que em 1964 foi adaptada para o cinema sob o título de  My fair lady, com a querida Audrey Hepburn.  




"O Pigmalião da mitologia antiga apaixona-se pela estátua que ele próprio esculpiu. A peça Pigmaleão, de Bernard Shaw (1856 – 1950), conta a história de Eliza Doolitle, uma vendedora de flores ambulante na Londres do início do século 20. Sua linguagem é uma afronta à língua inglesa, seu vocabulário, paupérrimo e de baixo calão, e sua pronúncia, uma desgraça. Um eminente fonético impõe a si mesmo um desafio: reeduca-la e faze-la passar por uma dama da sociedade. Mas esse será apenas o início dessa comédia deliciosa em que Shaw denuncia as diferenças sociais e de classe. "

Esta breve introdução cheia de saudosismo do meu querido blog desde o delicioso período de férias, foi para dizer que tem uns dois meses que eu senti dificuldades em escrever textos mais acadêmicos. Tive que elaborar um trabalho e dois resumos pra uns congressos... foi um parto "organizá-los".

O estilo de escrita que me "acostumei" por aqui, tem influenciado e até atrapalhado a estruturação das ideias na hora de escrever e organizar os parágrafos em textos mais científicos sabe? me chateou um pouco.

papo, fiquei puta! vou criar mecanismos pra reavaliar isso.

De todo modo, aí vai minha mini revolta ao estilo de escrita e avaliação... ai, ai.
como diria o filósofo, "vamo ver isso aí".

Veja uma comunicação sobre "capital cultural" de Bourdieu, acho que ajuda a pensar:

VOCÊ É OBRIGADO A VER ESTE VÍDEO, grata.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

be sexy: vladimir nabokov


fofo é marca de AMACIANTE.

Dito isso, lute por um comportamento confiante e sedutor. é disso que você precisa! faça renovação na academia, se tiver muito caro para a sua condição de bolsista, corra no prosamim mais perto da sua casa. tome banho mais de uma vez por dia, escove os dentes. não precisa nem arrumar o cabelo SE ele estiver limpo. cabelo esvoaçante é sinal de muito estilo.

mantenha-se confortável e atraente, você sabe como é. deixe de preguiça. 

ao menor raio de sol, coloque seus óculos escuros charmosos e invista num protetor solar caro. lembre-se que você mora nos trópicos, mais precisamente na direção do equador, a parte mais perto do sol. deu pra entender né? câncer de pele tá aí... só de bobeira.



leia uns livro de sacanagens, pode começar com Lolita, além de ser um clássico, vai te fazer pintar as unhas dos pés de vermelho, acredite. 




esqueça esse papinho de beleza interior, fofuras e meiguices... arrase!













segunda-feira, 1 de abril de 2013

pornô de menina

tem uns trocentos anos que filme legal era esse aí:



- tu já viu? vê comigo?

cuidado! esse simples convite era sinônimo de paquerinha explícita. 

finalmente assisti o dito cujo. mas não me senti tão afetada assim. 
Se tiver curiosidade de ler o texto incrível da Jeanne Favret-Saada, vá até a página 155.

o legado é o seguinte: baixe toda a trilha sonora que você julgue "MPF" e ande com o pen drive na bolsa.

toda segunda feira merece um pouco de sacanagem. afinal, é segunda.

domingo, 24 de março de 2013

a máquina e a revolta

Tive que ler esse artigo da autora de "a máquina e a revolta (1999)", Alba Zaluar, agora no finalzinho da noite... achei esse parágrafo:

o livro da Alba, inspirou o filme. 


Na América Latina e na África há evidências etnográficas de que os crimes decorrentes da manutenção e continuidade dos negócios ilegais do tráfico representaram a maior contribuição para o aumento dos crimes violentos.

lembrei muito de um filme que vi semana passada e do absurdo que ainda é essa "lei seca" carregada de hipocrisia no Brasil:


os infratores



obs: o trailer não faz jus ao filme.

quinta-feira, 14 de março de 2013

mon ami, mon amour*

*homenagem à primeira aula de francês, na manhã de sábado mais doce.

o mais lembrado dessa semana foi o estimado augusto dos anjos. apresentado a mim, por um edital de vestibular, cujo livro que deveria ser comprado para o processo seletivo era o "eu e outras poesias". nunca o esqueci. tenho-o aqui, com dignas páginas amarelas, a minha versão L&PM pocket. 

Augusto dos anjos (1884-1914)

apresentarei a "psicologia de um vencido", por ser emblemático àquela adolescente que ficou impressionada com essas poesias inusitadas: 

Eu, filho do carbono e do amoníaco, 
Monstro de escuridão e rutilância, 
Sofro, desde a epigênesis da infância, 
A influência má dos signos do zodíaco. 

Profundíssimamente hipocondríaco, 
Este ambiente me causa repugnância... 
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia 
Que se escapa da boca de um cardíaco. 

Já o verme — este operário das ruínas — 
Que o sangue podre das carnificinas 
Come, e à vida em geral declara guerra, 

Anda a espreitar meus olhos para roê-los, 
E há-de deixar-me apenas os cabelos, 
Na frialdade inorgânica da terra!

fantástico, não?

"versos íntimos" ganha de disparada no meu top dez do querido dos anjos, 
sempre citado em momentos de gracejo, apenas nestes:

Vês! Ninguém assistiu ao formidável 
Enterro de tua última quimera. 
Somente a Ingratidão – esta pantera – 
Foi tua companheira inseparável! 

Acostuma-te à lama que te espera! 
O Homem, que, nesta terra miserável, 
Mora entre feras, sente inevitável 
Necessidade de também ser fera. 

Toma um fósforo. 
Acende teu cigarro! 
O beijo, amigo, é a véspera do escarro, 
A mão que afaga é a mesma que apedreja. 

Se a alguém causa inda pena a tua chaga, 
Apedreja essa mão vil que te afaga, 
Escarra nessa boca que te beija!


No entanto, para a celebração desta escrita, dedico "idealismo"
como o carro abre alas deste  texto:

Falas de amor, e eu ouço tudo e calo 
O amor na Humanidade é uma mentira. 
E é por isto que na minha lira 
De amores fúteis poucas vezes falo. 

O amor! Quando virei por fim a amá-lo?! 
Quando, se o amor que a Humanidade inspira 
É o amor do sibarita e da hetaíra, 
De Messalina e de Sardanapalo? 

Pois é mister que, para o amor sagrado, 
O mundo fique imaterializado 
— Alavanca desviada do seu fulcro — 

E haja só amizade verdadeira 
Duma caveira para outra caveira, 
Do meu sepulcro para o teu sepulcro?!
(grifos, propositais, meus)

Aos desavisados, eu não seria tão óbvia, nem estúpida.

Perpetuando o meu circuito do ócio naquele prédio lindo que abriga o centro de artes da UFAM, venho acompanhando durante três semanas, o trabalho dos irmãos Joel David e Ethan Jesse com atenção. procurei não ler nada sobre os filmes pra não "contaminar" minha sensibilidade. pra minha surpresa, gostei da aposta!


the man who wasn't there é absurdamente bonito, todo ele.

Sinto dizer ao estimado augusto, com todo respeito, que nessa ele perdeu feio para os coen.




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