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terça-feira, 30 de agosto de 2016

They shoot horses, don't they? [Mas não se mata cavalo?]


"Ao passar pelas portas dos fundos vislumbrei o oceano cintilante de sol. Por um momento fiquei de tal modo atônito, que não pude mover. Não sabia se estava mais surpreendido por ver o sol pela primeira vez em quase três semanas ou se por ter descoberto a porta. Caminhei até ela, esperando que o sol não desaparecesse antes de eu atingi-la"... (McCoy, Horace. p. 55. Publicado em 1935)

"They shoot horses, don't they?" Dirigido por Sidney Pollack em1965 

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Saartjie Baartman [1789-1815]


~ Críticas aos queridinhos da vez: "arte" e "ciência" ~ 

"Até 1974, os restos do corpo de Saartie Baartman foram exibidos no Museu do Homem, em Paris. Em 1994, a África do Sul pediu a sua restituição à França. Em 09 de agosto de 2002, ela foi sepultada em sua terra natal [vale do rio Gamtoos, atual província do Cabo Oriental, África do Sul]"





[O filme está completo no youtube, mas só consigo postar o trailer :/]


sábado, 30 de julho de 2016

M.A.R. de música

Leopoldina, cientista (1797-1826)

Anelis Assumpção e os Amigos Imaginários

~cidade de beijos bonitos~

dentro, leopoldina; fora, mar de música


domingo, 24 de julho de 2016

Valda Ferreira de Souza, Lagoa Azul, 2008


Foto de Luiz Vasconcelos, 2008. Manaus, bairro Lagoa Azul, 2008


Despejo Indígena no bairro Lago Azul, Manaus AM, 2008



"Depoimento de
Valda Ferreira de Souza/Mani Silva Satere

22 anos, etnia Sateré-Mawé
Dia 24 de abril de 2008

Naquele momento (referindo-se à ação de despejo pela tropa de choque da PM na Lagoa Azul em 10 de março de 2008), não sei o que passou pela minha cabeça para enfrentar todos aqueles policiais. Primeiro porque eles chegaram agredindo a gente, sem conversar foram empurrando e batendo. Não queriam saber se eu estava com criança, se eu estava grávida, e me empurraram em cima do fogo com violência. Cortaram nossas redes. Naquele momento pensei só em ficar lá mesmo, parada lá, para ver o que eles iriam fazer com a gente.

Eles chegaram cortando os punhos das redes. Ainda minha filhinha estava deitada na rede. Eles não queriam nem saber, cortaram as redes. Ela caiu no chão e foi o momento em que eu corri para pegá-la. E foi na hora em que eu parei no meio deles, quando eles iam levando tudo. E fiquei parado lá, não sabia se eles iriam me bater. Alguns dos policiais me chutaram e me cacetaram, como aparece nas fotos. Falavam muitas coisas nos ofendendo: que "a gente não era índio", que "a gente já era civilizado", que a gente era "invasor". Está certo que a gente errou um pouco lá, por causa que o dono tinha realmente o documento da terra, estava legal, e a gente não sabia. Mas se eles chegassem lá falando que o dono da terra estava legal e que a gente saísse, a gente ia se retirar de lá. Mas não foi isso que aconteceu. Chegaram agredindo a gente e batendo mesmo. Meu marido foi espancado, o André. Ele levou um... Com a espingarda, na boca dele, que espocou. Ele foi agredido e humilharam mesmo ele, antes daquele momento. Enquanto estavam batendo no meu marido, foi a hora em que eu fiquei com meu filho parada, enquanto eles foram me empurrando e me chutando. O que eu senti foi raiva mesmo dos policiais porque que fizeram isso conosco. A única coisa que falaram: foi o governador que mandou fazer isso com a gente. O presidente da Funai falou que tinha lavado as mãos por nós. Foi isso que eu fiquei com raiva, naquele momento fiquei cega, não queria nem saber se iriam me matar ou não. Realmente eu nem pensei no meu filhinho que estava no meu braço. Hoje quando eu olho aquelas fotos, me dá tristeza e remorso por terem feito isso com meu filho. Nem pensei em mim mesmo, se eu estava grávida, esperando um filho. 

Nosso espaço aqui na Redenção é pequeno, cada vez vai crescendo as famílias. Como eu, com esse que vai nascer, já tenho quatro filhos, e o espaço aí é pequeno para eles brincarem. Minha filha brinca de bola, aí ela joga lá para baixo, não dando para pegar, porque os brancos não devolvem mais a bola. Eles implicam também com a gente. Aí não dá para ela correr, pois se correrem as crianças caem. Aí o espaço é pequeno. Estamos lutando por um espaço... Lá é bonito, grande, plano, dava para plantar e colher. E aconteceu isso.

Nós soubemos por meio dos parentes que já estavam lá há cinco anos, que já tinham sido retirados.Tinham alguns Sateré-mawé, que vieram de Maués, Kokama e Tikuna. Então nós fomos para lá. Fomos praticamente ajudá-los a conquistar um pedaço para nós. Nós soubemos por meio de outros povos que já estavam lá. 

Nós não queríamos nem nos entrometer nos problemas deles [dos sem-terra] para lá. O problema deles era um, o nosso era outro. Falam que nós fomos usados pelos sem-terra. Não, nós não fomos usados. Até mesmo porque naquele momento ninguém nos defendeu. Nós mesmos ficamos lá, nem um branco nos defendeu. Tinha gente gritando lá: "não bate nela, não, ela é índia!". Essas coisas. Eles não queriam ouvir, falaram que a gente era mentiroso, que estavam nos usando. Os policiais mesmo falavam ofendendo, que a gente não presta para nada, só prestava para ser pisado, como eles fizeram com nossos cocais, nossas flechas, que eles quebraram tudo. 

A gente tentava avisar as organizações como o CIMI. A gente tentava ligar para elas, só que elas não. A gente foi à Funai. Ele foi lá também, depois falou que no outro dia iria. Só que isso não aconteceu, ele nos abandonou, a Funai que é para nos proteger. 

Algumas comunidades Sateré-mawé procuraram nossos direitos para ter um espaço melhor, outras não, estão para o outro lado à procura de outras coisas para si próprios que atrapalham um pouco. Mas têm outras organizações que estão interessadas na gente de ver um lugar melhor. Se nosso povo Sateré-mawé fosse tão unido assim por uma terra melhor acho que a gente conseguiria, mas não está havendo isso, não.

De modo geral, o principal desafio para nós é a terra e o trabalho mesmo. Não temos como trabalhar e plantar. Se tivesse uma terra grande que desse para trabalhar, acho que dava para tirar nosso sustento, mas não tem. Só vivemos do artesanato. 

Lutamos por uma causa boa, por um lugar melhor, um lugar digno, que todo mundo merece ter. Eu queria aquele pedaço de chão para morar com meus filhos, vê-los crescer, brincando num lugar bom. Outras coisas que eles falaram é que a gente não tinha direito, porque essa terra era lá para o meio do mato. Acho que não, nós temos direito de viver uma vida boa, não somos socados no meio do mato sem termos direito a nada. Nós também estamos sendo humanos e queremos uma coisa melhor também. 

Tem pessoas que moram na aldeia e voltam... Não é a questão da divisão "cidade" e "interior". Ele mora no "interior" e tem a relação com a "cidade". Não tem diferença de "cidade" e "interior". 

São 18 organizações. Nós gostamos muito de separar. Elas se relacionam com a base, não há um corte. Os parentes da base, do "interior", se hospedam nas nossas casas. E fazemos defumação na casa inteira."

ALMEIDA; DOS SANTOS. Estigmatização e território: mapeamento situacional dos indígenas em Manaus. Manaus: PNCSA/UFAM, 2008. p. 111-3.


"O progresso não gosta de índio" - Casa de caba








quinta-feira, 7 de julho de 2016

Pianista

Rousseau by William Wegman, 2003


Chopin - Complete Nocturnes (Brigitte Engerer)



Nem só de caos se vive

terça-feira, 7 de junho de 2016

Caetano na diáspora



Exilado em Londres desde 1969, Caetano Veloso obteve permissão para ficar um mês no Brasil em janeiro de 1971 para assistir à missa comemorativa dos 40 anos de casamento de seus pais. No Rio de Janeiro, o cantor foi interrogado por militares que pediram para que fizesse uma canção elogiando a rodovia Transamazônica - na época em construção. Caetano não aceitou a "proposta", mas de volta a Londres, gravou no final do ano o LP com o nome de "Transa", lançando em território brasileiro em janeiro de 1972, quando o cantor voltou definitivamente ao país (wiki). 

~ A britadeira pós-moderna e os sonhos amazonicocêntricos ~

Nine out of ten, Caetano, 1972
deliciosa-maravilhosa



quinta-feira, 26 de maio de 2016

Críticos [não todos] só os de arte

Os críticos de arte deveriam todos morrer queimados, juntinhos, no inferno.
e digo mais, é uma profissão inútil.

Sem mais,

Natasha.


segunda-feira, 2 de maio de 2016

The Hateful Eight, Beyoncé e abobrinhas

Este texto surge a partir de uma experiencia em uma sala de cinema nos arredores de Manaus, melhor, naquele shopping que insiste em não cair. As terças feiras promete não cobrar estacionamento de seus frequentadores e se auto intitula de "revolucionário". Pois bem, aprendemos que as facetas do capitalismo não tem limites...



Infelizmente, por motivo de felicidade, não tenho mais "carteirinha de estudante" e fui surpreendida com a "tabela cheia" dos placares das salas cinema. Nem adianta ir com a sua bolsinha de pano (encardida) que ganhou no congresso pra barganhar o menor preço, respire fundo e lembre-se da experiência que é lidar com bastante sangue, trilha sonora linda e historinhas criativas de um cara legal como o Tarantino: feche os olhos e pague. 

Assisti, tem uns 40 minutos mais ou menos, "os oito odiados". 

Neste texto que escrevo, há um manto invisível que me protege: o do amadorismo. Há também, uma certa ideia do livro de Michael Baxandall, que tive a oportunidade de ler/conhecer, conversar com outros colegas e considerar os vários questionamentos que vieram com o mesmo. Sem suspense! o livro era "padrões de intensão: a explicação histórica dos quadros". 

Citando arbitrariamente o autor, ele explica que:

"Toda inferência crítica sobre a intensão (artística) é não só convencional em vários sentidos, mas também precária" (p. 194)

E agora, a parte que mais interessa:

"Novas atividades como a crítica de arte, que apenas recentemente se tornou uma profissão e foi reconhecida como uma disciplina acadêmica, tendem a se conceder muito depressa uma autoridade especial. " (p. 196)

Paulo Nazareth (suspiros para este Homem)


Esse é o combinado: não tenho a menor intensão de discutir a "genialidade" do autor ou a obsessiva corrida atrás de uma originalidade cinematográfica, tal como cachorros que esperam a todo instante uma ração especial a cada estréia, com todo o respeito aos reservoir dogs, obviamente. 

O foco é no que esse filme pode nos trazer pra ficarmos cada vez mais exibidinhos <3

*

Nesse domingo, as margens do Igarapé do 40, fui ao aniversário de uma amiga, e ainda que eu estivesse até o tucupi de álcool, pude ouvir ao longe: "eu acho que Foucault despolitiza o movimento social". Logo após ouvir essa frase de gente exibida, a música da festa se sobrepôs ao diálogo e eu me perdi no que estava ouvindo, foquei na melodia do meu contrário: 

Jorge Aragão, Parintins para o mundo ver

Numa questão de segundos, estava na ilha. Lembrei do quanto foi difícil esconder a emoção que senti quando vi a Baixa do São José, devidamente encarnada, rasgar o bumbódromo acompanhada daquela batucada alucinada. Minha "identidade" azul e branca foi instantaneamente questionada. Prometi a mim mesma, em silêncio, que caso descobrisse que era garantido, viveria aquela farsa enquanto eu vivesse. Esperei, com o coração na mão, o meu boi preto entrar sem saber ao certo o que ia acontecer.

Ninguém gosta mais desse boi do que eu, Carlos Paulain


A entrada do meu boizinho me salvou, a marujada entorpeceu... e ali, no meio daquele multidão azulada, eu tive a certeza que era Caprichoso, ainda que abaladíssima pela baixa vermelha.

Voltando da minha reflexão solitária enquanto ilhéu, aterrissei às margens do 40 com o Foucault martelando a minha cabeça: pra que serve uma identidade?

*

Em The hateful eight, identifiquei algumas "categorias" aparentemente bem marcadas: mexicano, mulher, estrangeiros, negro, xerife e oficial do exército branco/hetero/cis, que vão nos ajudar a pensar em algumas bobagens divertidas.

abobrinhas


Esse texto demorou para ser publicado por ter seu parágrafo final abalado pelas torres de marfim dessa cidade. Ele já estava todo estruturado no meu miolo, idolatrando a personagem que mais apanhou [na cara] o filme inteiro ~Daisy Domergue ~

Seus dentes foram devidamente quebrados 
ao longo do filme, nada de novo sob o sol #vaiterfeminismosim


Aparentemente, não se pode compreender nada, inclusive um filme, de forma absoluta, vamos lidar com as diversas interpretações enquanto camadas de entendimento. 

O scholar sentenciou:

Tarantino me decepcionou, vocês viram os oito odiados? "os bandidos", não sei se vocês notaram, eram todos estrangeiros: mexicanos, franceses (...) nos Estados Unidos da América! E o final? bom, não podia ser pior, o xerife (o Estado/a lei) junto com Samuel Jackson [essa foi de doer] o negro do filme, JUNTOS enforcaram a estrangeira. Acho que Tarantino voltou atrás depois que explodiu a casa grande no último filme [Django] rs. 

*

Ao meu amigo Tarantino, um versinho singelo:

Querido
não desisti de você
veja o exemplo da diva Beyoncé
~Courage~
Não fique na depré[once]

HAHAHAHAHA :P

fim



"Ela abraça seu cabelo crespo, sua negritude e sua essência feminina, falando sobre sexualidade, racismo e a opressão social que os africanos e seus descendentes sofriam e ainda sofrem todos os dias. Beyoncé canta sobre um Estados Unidos que nesse aspecto se parece muito com o Brasil e assim como cantou Elza Soares, a americana joga na cara da sociedade que, no fim das contas, 'a carne mais barata do mercado é a negra'. Por isso, a representação visual das canções fazem tanta alusão aos séculos passados: anos após diversas conquistas sociais, como o fim da escravidão e a segregação racial, os negros ainda sofrem. Tomavam limonada na esperança de ficarem mais brancos e hoje, séculos depois, ainda tomam tiros por simplesmente serem negros". ver em: http://www.mazeblog.com.br/resenha-beyonce-lemonade/


Beyoncé, Formation








sexta-feira, 18 de julho de 2014

casa de caba, o espetáculo



casa de caba: Erika, Alfredo, Samir, Jeorgio, Magaiver, Paulo, Josias.
foto: acervo da banda.


São eles, seis meninos e uma fantástica menina, não, ela não só enfeita o palco, enquanto "eles" tocam, cantam, Érika concentra, incorpora e domina o fluxo da banda, a percussão que nada mais é que um coração batendo forte e sincopado harmonizando com a performance que está por vir. Alfredo, com o instrumento de sopro, é a cereja do bolo: fantástico!

Dessa maneira, apresento a banda a partir das primeiras pistas do que Casa de caba é capaz.

Minha primeira experiência, foi a partir de um espetáculo dentro de outro espetáculo, vou explicar.

Aprendi com Fredrik Barth que "descrever não é explicar", longe de querer explicar a experiência que é assistir uma apresentação desse organismo vivo no palco pulsado por este coletivo encantado, a descrição já me garante um excelente treinamento na escrita e convenhamos, é um trabalho árduo fazê-la com um mínimo de sinceridade.

Quando escrevo um "espetáculo dentro do espetáculo", me refiro ao primeiro deles: a vista do ao mirante... que lugar! 

Fonte: nossas raízes.

A caba, aos não nortistas, é um inseto conhecido em outras partes do país como vespa ou marimbondo, aquele que tem um ferrão assassino sabe? Uma picada do bichinho dá uma super febre, o local incha e fica umas 24h dolorido, falo com propriedade pois já fui vítima em uma das piscinas da vila olímpica (antes de ser ameba, já fui uma atleta! rs)

A caba
Foto: Juvenal Canto.


Em poucas palavras, "casa de caba" é sinônimo de afaste-se. 

Lembro que quando a primarada se reunia em algum sítio (chácara), era uma emoção absurda encontrar uma casa de caba no caminho que fazíamos, os mais endiabrados chegavam bem perto e tacavam pedras ou pedaço de pau, a platéia ficava alucinada esperando cair partes daquela bola marrom pendurada no tronco da árvore - alvo. Apesar do pavor, todos tinham o desejo interno que aqueles "helicópteros assassinos" voassem de suas casinhas para sairmos gritando loucamente em busca de refúgio, tudo era uma grande diversão.

Casa de caba
No dia que os assisti, eles mantiveram um mosquiteiro no palco com muita razão, a caba é foda... não perdoa ninguém. No entanto, neste domingo de ao mirante, não havia mosquiteiro, o que abre espaço para uma reflexão interessante. 

Entre o povo Sateré-Mawé, há um ritual de iniciação conhecido como o "Ritual da Tucandeira", em resumo é o seguinte: Várias formigas vivas são colocadas num chá de folha de caju amassada para que as tucandeiras entrem numa espécie de transe ou desmaio... elas não morrem, só ficam ali, quietinhas, tirando um cochilo. 

Paralelo à esta atividade, é confeccionada com palha verde um tipo de luva, de maneira que as formigas "adormecidas" sejam colocadas delicadamente em cada buraquinho do trançado, os ferrões ficam arrumados na parte interna.

Fonte: TVAB Manaus.

Aos poucos, a belezocas vão acordando e os rapazes vão se organizando e passam horas com as mãos dentro da luva... eu disse horas! Pra que? ora... prestígio, saúde, honra, muitos se tornam guerreiros e ótimos caçadores, há boatos que o que aguenta mais tempo namora a mais gata* da aldeia.

Fonte: TVAB Manaus


* Advirto que isto é um blog com o objetivo de cultivar plantações de abobrinhas e não uma revista científica, sugiro buscar literatura específica ou um especialista caso se interesse pelo assunto, neste caso a querida Kalinda Felix. Acrescento que este texto não será discutido na Associação Brasileira de Antropologia (ABA) este ano.

Vamos voltar a "Casa de caba".

O mosquiteiro no palco significa a suposta "proteção" de quem não aguenta as ferroadas. Quando você menos espera, o espetáculo começa, melhor, a casa de caba é atingida por um pedaço de pau que simbolicamente saem em disparada em direção à plateia... Não fuja! É pura adrenalina!

Magaiver
Foto: acervo da banda.

O vocalista, vulgo Magaiver, tem uma presença de palco que impressiona. É quase inacreditável estar presenciando aquele show absurdamente artístico e performático num domingo tão despretensioso naquele lugar que você adora... apresentação de riqueza extraordinária, domínio do corpo, teatro, poesia, música... único, aliás, cada show é único... haja criatividade, é de arrepiar! 

De acordo com o querido André de Moraes, o rapaz compõe as próprias músicas, são críticas, criativas, divertidas, desconstrutoras, deliciosamente dançantes! "spray de pimenta" e "cavalo do cão" são viciantes!!!

Veja essa entrevista no fb: Casa de caba


Casa de caba no teatro



Se você se assanhou pelo princeso, aquiete o "facho", o amor é lindo e a moça é gata pacarái.

*

Vamos esperar... assisti-los é uma experiência de sentidos, abra mão do mosquiteiro, casa de caba surpreende.


"o progresso não gosta de índio"
Os antropólogo pira.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Moema, Victor Meirelles

Num dia friorento e cheio de culpa, resolva dar uma voltinha na Babilônia, a antiga terra do café deve ter algo para oferecer numa terça feira: o museu é de graça!

Logo no primeiro andar, você começa a desconfiar da originalidade daquela cambada de quadros... gente, como aquelas pinturas chegaram ali? doação? compra? MASP está de parabéns na miguelagem, digo, na articulação para que aquelas obras ocupem o território brasileiro. 

Queria saber se o processo de "aquisição" de peças nos "museus etnográficos" espalhados no planeta foram adquiridos com tanta diplomacia também... roubo? saques? claaaaro que não! 

Muito bem, na ânsia pela "civilização" do velho mundo e o desejo de adquirir capital simbólico na concrete jungle, fui dar uma voltinha sobre os tapetes vermelhos daquele recinto.

Depois de um corredor inteiro de "selfie" de realeza, santinhos, bailarinas e gostosas peladonas, cansei e passei a matutar outras coisas... quando vão aparecer os índios? quando essas pinturas vão chegar ao novo mundo?

Passei a observar as obras com sangue nos olhos: "bando de bastardos colonizadores", "vocês não me representam", "você também não", "nem você", "muito menos você"... sempre cultive uma mini plantação de ódio, vez ou outra você busca no fígado algum tipo de inspiração.

Com a certeza absoluta de estar cometendo alguma injustiça neste texto, um salve especial para dois lindos: Cândido Portinari e Paul Gauguim.

*

No meio do passeio sobre a cultura do inimigo, uma escultura lindona e singular no meio da sala chama atenção! fui correndo ver o nome do autor: "arte africana"... COMO ASSIM? QUEM FEZ? sacaram um problema? reflitam: qual a diferença dos outros artistas que compartilham o mesmo espaço? apesar da literatura (pouca) existente sobre o assunto, até hoje não tenho uma resposta muito honesta.

seguindo... nada de índio... até que no final, já sem esperança e xingando o MASP, alguns pedaços de um corpo nu, deitado e algumas peninhas na cintura... EMOÇÃO!

Me aproximei e era a Moema... 

"Moema", Victor Meirelles (1866).


Parecia estar dormindo, mas havia morrido afogada ao nadar atrás de Diogo (o caramuru), segundo algumas interpretações...

A única representação dos povos indígenas naquele cenário das artes plásticas do MASP era de uma índia morta... (suspiros)

Em homenagem, catei esse artigo e achei o poema do Frei Santa Rita Durão, sobre Moema... 
Lembre-se das aulas de literatura da sexta série: sala de aquário e professora Maria Joaquina :)


XXXVI. 
He fama então que a multidão formosa 
Das Damas, que Diogo pertendião, 
Vendo avançar-se a náo na via undosa, 
E que a esperança de o alcançar perdião: 
Entre as ondas com ansia furiosa 
Nadando o Esposo pelo mar seguião, 
E nem tanta agoa que fluctua vaga 
O ardor que o peito tem, banhando apaga. 

XXXVII. 
Copiosa multidão da náo Franceza 
Corre a ver o espectaculo assombrada; 
E ignorando a occasião da estranha empreza, 
Pasma da turba feminil, que nada: 
Huma, que ás mais precede em gentileza, 
Não vinha menos bella, do que irada: 
Era Moema, que de inveja geme, 
E já vizinha á náo se apéga ao leme.

XXXVIII. 
Barbaro (a bella diz) tigre, e não homem... 
Porém o tigre por cruel que brame, 
Acha forças amor, que em fim o domem; 
Só a ti não domou, por mais que eu te ame: 
Furias, raios, coriscos, que o ar consomem, 
Como não consumis aquelle infame? 
Mas pagar tanto amor com tedio, e asco... 
Ah que o corisco és tu... raio... penhasco. 

XXXIX. 
Bem puderas, cruel, ter sido esquivo, 
Quando eu a fé rendia ao teo engano; 
Nem me offendêras a escutar-me altivo, 
Que he favor, dado a tempo, hum desengano: 
Porém deixando o coração cativo 
Com fazer-te a meus rogos sempre humano, 
Fugistes-me, traidor, e desta sorte 
Paga meo fino amor tão crua morte? 

XL. 
Tão dura ingratidão menos sentira, 
E esse fado cruel doce me fora, 
Se a meo despeito triunfar não vira 
Essa indigna, essa infame, essa traidora: 
Por serva, por escrava te seguíra; 
Se não temêra de chamar Senhora 
A vil Paraguaçu, que sem que o creia, 
Sobre ser-me infrior, he nescia, e feia. 

XLI. 
Em fim, tens coração de ver-me afflita, 
Flutuar moribunda entre estas ondas, 
Nem o passado amor teu peito incita 
A um ai somente, com que aos meus respondas 
Barbaro, se esta fé teu peito irrita, 
(Disse, vendo-o fugir) ah não te escondas; 
Dispara sobre mim teu cruel raio... 
E indo a dizer o mais, cahe n’um desmaio. 

XLII. 
Perde o lume dos olhos, pasma, e treme, 
Pállida a côr, o aspecto moribundo, 
Com mão já sem vigor, soltando o leme, 
Entre as salsas escumas desce ao fundo: 
Mas na onda do mar, que irado freme, 
Tornando a apparecer desde o profundo; 
Ah Diogo cruel! disse com mágoa, 
E sem mais vista ser, sorveo-se n’agoa.

XLIII. 
Chorárão da Bahia as Nynfas bellas, 
Que nadando a Moema acompanhavão; 
E vendo que sem dor navegão dellas, 
Á branca praia com furor tornavão: 
Nem pode o claro Heróe sem pena vellas, 
Com tantas provas, que de amor lhe davão; 
Nem mais lhe lembra o nome de Moema, 
Sem que ou amante a chore, ou grato gema





quinta-feira, 24 de abril de 2014

sexta-feira, 21 de março de 2014

CONRAD: apocalypse now


Apocalypse now (1979) é um filme realizado por Coppola... e a impressão que fica é: em que planeta você estava que NUNCA havia assistido esse filme antes? Jamais menospreze quem bebe da literatura... Puzo não chegou nem a ficar de bobeira! The godfather nasce em 1969 e já em 1972 Coppolinha o abocanhou! 


Mario Puzo foi um escritor que ficou conhecido
pelos seus livros de "ficção"(vai saber) sobre a máfia. 

Voltando ao Apocalypse... ele é tão impressionante, que tudo que for dito após o filme, parecerá vulgar... inclusive esse texto. Dê um tempo pra ele ficar circulando no sangue sabe? é muita coisa pra digerir

Acrescento que essa película foi uma "adaptação" do livro "o coração das trevas" (1902) de Joseph Conrad, que por motivos de desespero, afinal se Malinowski se inspirou, porque não você? hahahahaha

Fiz o combo com sem culpas. 

Coppola tem uma pegada de "comunidades imaginadas" sabe? com uma absurda criatividade (assista!!!!), no entanto, senti falta das mulheres na tela... olha esse parágrafo no Conrad:


Obviamente que existem versões muito mais elegantes que a minha... mas ah... né gente? minha bolsa do CNPq está acabando, vou ter que dar uma maneirada nas frescurites... :/ mas vamos ao que interessa:

"Ela caminhava com passos medidos, envolta em panos listrados com franjas, pisando a terra orgulhosamente, com um ligeiro tilintar e faiscar de bárbaros ornamentos. Andava de cabeça erguida, o cabelo penteado como um elmo; usava perneiras metálicas até os joelhos, manoplas de arame dourado até os cotovelos, uma mancha carmim na face, inúmeros colares de contas de vidro no pescoço; umas coisas bizarras, amuletos de feiticeiros, que pendiam dela, brilhavam e tremeluziam a cada passo. Devia trazer sobre o corpo o valor de várias presas de elefante. Era selvagem e soberba, de olhos bárbaros e magnífica; havia alguma coisa de pomposo e sinistro em seu passo decidido. E no silêncio que se abatera de repente sobre toda a melancólica terra, a selva imensa, o colossal corpo da fecunda e misteriosa vida parecia olhar a imagem de sua própria alma, tenebrosa e apaixonada."(CONRAD, o coração das trevas, p. 102)

Será que ela apareceu e eu não vi?

*

Carrego o livro... e agora o filme, como uma grande metáfora... boa pra pensar uma infinidade de coisas...
o que seria essa selva afinal? fico aqui bem feliz com os meus botões, brincando de "errar/acertar" os significados dos autores, construindo segredos que daí por diante, são só meus... 

*

Pode parecer absurdo... mas a ideia do filme me faz lembrar muito esse clipe... 
ai, como tenho sorte de ver essas coisas! que filme incrível! que danças lindas! 


Beirut, elephant gun 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

revolta, sexo, amor e costuras

Hoje começaremos o texto falando de uma personalidade importantíssima  do cenário Amazonense:

Manuel da Gama Lôbo d'Almada (17.. -1799). se você deu risinhos sacanas, você vai entender do que eu estou falando.

Num dia qualquer, munida de poucos reais e duas comadres para bater perna pelo centro de Manaus, vá obstinada na caça ao tecido-de-estampa-perfeita. vou explicar.

Desde o dia em que sua amiga prometeu fazer um roupinha para o seu computador, seus pensamentos foram povoados pela temática... e a única certeza que você tinha na vida é que seriam frutas.

uma delas, entendida no assunto, completou: vamos na rua lobo d'almada.

Essa rua é recheada de lojas de tecidos... e procurando informações  sobre esse geógrafo/militar (o lobinho), descobri que ele foi um dos responsáveis por levantar uma fábrica de panos de algodão e outra de tecidos e redes... com 18 teares e 10 rolos de fiar com 24 fusos cada um. tudo bem, eu não sei o que isso significa exatamente (teares e fusos), só sei que ele foi "o cara"da pseudo indústria têxtil no Amazonas... além da fabricação de cordas e amarras de piaçaba e calabares... 

Arrá! piaçaba eu sei o que é! inclusive, vale a leitura da dissertação premiada da querida Elieyd, (Lica) "os piaçabeiros do Médio Rio Negro: identidade étnica e conflitos territoriais". gente, isso é muito interessante, meu avô materno trabalhou com isso!

barco com piaçaba. heheheh


Só um resuminho pro trabalho não ser jogado ao vento:

... a dissertação de Elieyd Menezes apresenta um detalhamento do modo de vida das pessoas nos piaçabais (locais onde as fibras de piaçaba são extraídas na floresta) em Barcelos, interior do Amazonas. “É um universo que abrange intrínsecas relações de poder entre “patrão” (comerciantes que se dizem donos dos igarapés onde há palmeiras de piaçaba) e “freguês” (piaçabeiros)”, comenta Elieyd. A autora diz que o sistema de aviamento - baseado no adiantamento de mercadorias a crédito - é muito presente no município. “É um sistema historicamente conhecido na Amazônia, onde o comerciante (patrão) fornece mercadorias ao freguês (trabalhador extrativista), o qual deverá pagar por elas. Porém, os preços são altos, algumas vezes superfaturados e a dívida dificilmente é quitada porque sempre o trabalhador extrativista precisa desses produtos, como alimentos, roupas, lanternas, facões”, registra.

Voltando ao Lobinho, tô com a impressão que ele era super malvado depois dessa introdução da Elieyd, ele mandava buscar de outros lugares o algodão, a cana, curauá, muriti, cera virgem de abelhas (hã?), tucum dos rios Solimões e Negro (suspiros...) e a piaçaba... sabe se lá em quais condições isso acontecia. 

Mas então, não vou falar da piaçaba. foi só um link legal. 

Linda! 

O que o seu Lobo não esperava é que a sua rua ficasse conhecida por ter o estabelecimento mais generoso de Manaus: o remulos club. fazendo uma mini busca na internet, encontrei uma reclamação do João:

primeiramente tendo cerveja gelada e mulheres a disposição está otimo,só não leva 10 porque tem meninas que cobram muito caro e tem umas que só quer barão eu moro em são luis passei minhas ferias a cidade é 100000000 e gostei do remulos parabens manaus aconselho a todos a ir em manaus.


João parece coerente nas suas queixas, mas não entrarei no mérito por não ter conhecido o lugar, nem o João, nem as meninas. Entretanto, não posso deixar de parabenizá-las. Infelizmente, a casa mais carinhosa de Manaus, foi fechada pela Secretaria Municipal do Centro (SEMC) ???? e pela SEMINF pois funcionava como um motel ilegal. ¬¬

Mais uma vez, o Estado acabando com a felicidade alheia. fizeram o absurdo de construir um muro de alvenaria na frente! santa hipocrisia! só faltou o sal e a pá de cal...




Dica: nunca, jamais, desperdice a oportunidade de aprender alguma coisa... JAMAIS.

*

Então, nessa simbólica rua, mais próxima a sete de setembro, tem um zilhão (mentira) de lojas de tecidos: se jogue atrás da sua estampa perfeita.

Por estar vivendo um momento de obsessão pelo artista Paulo Nazareth, as escolhidas foram as bananas!



Paulo Nazareth (projeto)








Super na dúvida qual a melhor frase...

Deu pra entender a obsessão? rs mas não é só isso, essa frutinha é MUITO cobiçada na região norte, a pacovã então, nem se fala! Durante muito tempo me acompanhou no twitter e foi meu apelido até hoje, de infância: chorona, caía por tudo, vivia com hematomas, sem contar as "sementinhas"que decoram meu couro. "essa menina é uma banana", caia como uma luva. 

No entanto, o problema de idealizar um tecido ou qualquer coisa na vida, é que você passa a odiar tudo o que você vê. Nada é tão legal quanto o tecido que está criado na sua cabeça. você pensa em desenhá-lo, pintar sua própria estampa, pedir pela internet... qualquer coisa. 

Mas graças a falta de paciência das suas amigas bom senso e a vontade de cobrir minha máquina de escrever moderna o quanto antes, comprei um de laranja. até que gostei sabe?



as bananinhas ficam pra depois, não as esqueci.

Agora vamos à prática! simmmm você vai aprender a fazer uma capinha também. 

1. Vá direto na loja "Kamila", os tecidos são uma fofura, o problema são os preços. saia de lá o quanto antes, não vale a pena (não tinha as bananinhas);

2. Na sequência, vá na Tapajós... mas, não tinha NENHUMA estampa legal;

3. Rode mais um pouco e pare na "Nova Jersey". essa portinha desconhecida. não é tão farta de tecidos bonitinhos como a Kamila, mas se você garimpar, acha umas estampas legais com preço justo (pasmem: menos da metade que na Kamila). Não esqueça de comprar a linha que vai combinar (ou não) com o seu tecido. ahhhh tem o feltro. mas a Isa disse que tinha na sua casa. ótimo né?

tirei essa foto num domingo, por isso estava fechada.


essa foi a primeira etapa.

*

Já com as armas na mão, vá para a casa da sua amiga num domingo preguiçoso. 
chegando lá, você vai sentir um sono absurdo e inexplicável, causando constrangimento em todos que estão ali no recinto. aproveite e tire umas fotos da casa dela, se ela deixar, claro! você ainda tem um Pibic sobre decoração correndo nas suas veias! hahahahaah

casa da Isa 1: EU QUERO ESSE QUADRO!

Casa da Isa 2

casa da Isa 3: Laerte, fofura total! dá pra trocar as roupinhas!!! *.*

ah, uma dica importante: jamais saia da sua casa com fome ou sono. você pode virar um monstro do lago ness a qualquer instante, é quase incontrolável, como se você estivesse com hipoglicemia sem ser diabética sabe? um horror.

Para aliviar o sono e quebrar o clima daquele evento mulherzinha, pegue seu computador e declame umas músicas dos Racionais MC's, elas vão achar estranho, mas você está em treinamento... tente incorporar o Suplicy e arrase:

Obs: leia esses dois artigos sobre eles no Diplô Brasil:
O novo caminho de Edi Rock e Fim de semana no parque: 20 anos

VIDA LOKA (Parte 1)

Fé em Deus que ele é justo
Ei irmão nunca se esqueça, na guarda, guerreiro

Levanta a cabeça truta, onde estiver seja lá como

For, tenha fé porque até no lixão nasce flor


Ore por nós pastor, lembra da gente no culto dessa

Noite, firmão segue quente

Admiro os crente, da licença aqui

Mó funçao, mó tabela, pow, desculpa ai


Eu me, sinto às vezes meio pá, inseguro

Que nem um vira-lata sem fé no futuro

Vem alguém lá, quem é quem, quem sera meu bom

Dá meu brinquedo de furar moletom


Porque os bico que me vê com os truta na balada

Tenta ver, que saber de mim não vê nada

Porque a confiança é uma mulher ingrata

Que te beija, e te abraça, te rouba e te mata

Desacreditar, nem pensa, só naquela

Se uma mosca ameaça me cata piso nela


O bico deu mó guela, ró

Bico e bandidão vão em casa na missão

Me tromba na cohab

De camisa larga, vai sabe Deus que sabe

Qual é a maldade comigo inimigo num mique

Tocou a campanhia plin, pá trama meu fim, dois maluco

Armado sim, um isqueiro e um stopim

Pronto pra chamar minha preta pra falar

Que eu comi a mina dele, rá, se ela tava lá

Vadia, mentirosa, nunca vi tão mó faia

Espírito do mal

Cão de buceta e saia


Talarico nunca fui, é o seguinte

Ando certo pelo certo, como 10 e 10 é 20

Já penso doido, e se eu tô com o meu filho no sofá

De vacilo desarmado era aquilo

Sem culpa, sem chance, nem pra abri a boca

Ia nessa sem sabe

(pô cê vê) vida loka


Mais na rua num é não, até jack

Tem quem passa um pano

Impostor pé de breque, passa pro malandro

A inveja existe, e a cada 10, 5 é na maldade

A mãe dos pecado capital é a vaidade


Mais se é para resolver, se envolver, vai meu nome

Eu vou fazer o que, se a cadeia é pra homem

Malandrão eu, não, ninguém é bobo

Se quer guerra terá

Se quer paz, quero em dobro

Mais verme é verme, é o que é

Rastejando no chão, sempre embaixo do pé

E fala 1, 2 vez, se marcar até 3

Na 4ª xeque-mate, que nem no xadrez


Eu sou guerreiro do rap

E sempre em alta voltagem

Um por um, Deus por nós, tô aqui de passagem

Vida loka

Eu não tenho dom pra vitima

Justiça e liberdade, a causa é legitima

Meu rap faz o cântico do lokos e dos românticos

Vo por o sorriso de criança, onde for

Os parceiros tenho a oferece minha presença

Talvez até confusa, mais real e intensa


Meu melhor marvin gaye, sabadão na marginal

O que será, será, é nós vamo até o final

Liga eu, liga nós, onde preciso for

No paraíso ou no dia do juízo pastor

E liga eu, e os irmão

É o ponto que eu peço, favela, fundão

Imortal nos meus versos

Vida loka

Suplicy pra inspirar, ele é a sua meta de performance: 

aos queridos do direito, inspirem-se.



Após a declamação teatral, você ouvirá uns aplausos no infinito de alguém que jogava video game naquele momento frufru de mocinhas e costuras. (hahahahahahaha valeu Luiz!) 

Se essa dica não adiantou, enquanto sua amiga linda, fofa e atenciosa costura, se jogue no chão sem pudores, coloque uma revista qualquer na sua cara e durma uma meia hora, você acordará outra, acredite. 

O mais interessante nessa menina-costureira, colunista do cinema em cena, do estante da sala E a mais nova mestranda do PPGAS/UFAM (!!!!) é o descompromisso-prazeroso que ela tem em mexer nos tecidos, em cortá-los utilizando o rejunte da cerâmica, em perceber que tá faltando alguma coisa e improvisar com o que tiver por ali! Amei Isa :)

O resultado é tão singelo sabe?

as mãos de uma pessoa tão querida, num mix de habilidade, tecidos, carinho e linhas criaram não uma capa qualquer para o seu notebook, mas uma manifestação de resistência num mundo duro, corrupto, cínico, esmagador. 

*

vamos ao passo a passo:

as belezocas peladas: você precisa deles para tirar as medidas.

O rejunte vai ajudar a cortar em linha reta.


tá vendo essa parte verdinha dentro das laranjas? é um saquinho de feltro.
tava dormindo quando ela fez (acho) :/ mas é simples!!!!
mini coração vodu! hahahahahaha


esse pedacinho fica na lateral do computador, serve para guardar o carregador :)
Isa estava enfiando o elástico com um grampo pra ele ficar franzidinho.




Essa foto ficou psy, mas é o momento que junta todo mundo
(o saquinho de feltro e o outro de laranja) e costura as bordas.





quase pronto, os dois saquinhos estão juntos. falta a "berinha"que fecha.


Essa é a berinha que fecha!

daí é "só" costurar com os saquinhos...


colocar a sua maquininha!


PRONTO! amei Isa!!!! :D


depois de um jantar gostoso/natureba/bonzão, volte pra casa, exiba à todos sua capinha nova, diga quem fez e seja snobe, acrescentando que ela só faz pros considerados! hahahaahhahahaah

aproveite e leve suas laranjinhas para o evento mais importante da sua vida nesse final de ano, se nada der certo, ao menos você vai brilhar com uma capa estilosa né?

beijinho Isa!


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