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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Los dulces clandestinos

- Vocês já sentiram aquele cheirinho de bolo no caminho da pink line?
- Já, é pra disfarçar o preparo da metanfetamina [C10H15N]. Já viu Breaking Bad?  


Jimmy renda-se, ouça alto, essa música é foda.
[Tomzé sendo gênio, em 72 também. rs]

Acordei cedo e esperei o relógio marcar 8:00. Muito bem, na vida real, acordei sabe deus que horas. Comi rápido e saí já meio atrasada, faltavam 8 minutos para o 60 blue island passar. Decidi que não contaria à ninguém que iria ao local do crime, na morada da fumacinha da perdição. 


Segundo informações seguríssimas, o [C10H15N] é muito potente e altamente viciante, causa euforia, aumento do estado de alerta, da auto-estima, do apetite sexual e intensificação de emoções. Exatamente a descrição dos efeitos de um brigadeiro no sangue de seres humanos com o paladar altamente apurado.

Tentei fazer todo o trajeto em menos de oito minutos, mas não foi possível. É muito pano pra colocar no corpinho até sair de casa! Aff!!! 

A arte da bisbilhotagem é algo que merece respeito. Depois de me cobrir com todos as camadas necessárias pra não morrer, segui em direção à portinha branca. Eu tava pronta pro crime: a cada passo que dava, tinha a convicção que naquela casinha eles compartilhavam do mesmo amor delito que o meu, da mesma contravenção, do mesmo ato delinquente,  todas as vezes que passava na frente do alley.  Obstinada e cega de certeza, puxei a porta e entrei esbaforida de emoção em conhecer os tais criminosos, meus semelhantes.

- Hola, hay dulces?
- Sí! ¿qué quieres?
- Todos! :D 

- wait! I don't have cash! : ~

[...]

- No se preocupe, voy a tomar uno de cada uno para usted.

Os doces criminosos são: Marina, Cocada, Dulce de camote, Alfajor, Dulce de tamarindo:





Vou especificar cada uma deles.

O Dulce de Camote é uma espécie de batata rosada que nunca tinha visto. Você as descasca e coloca para ferver na água com açúcar, canela e outras especiarias, vai depender de quem as faz. Ao morder o Camote, percebi que tem uma casquinha caramelizada que contrasta com o a textura macia da batata cozida. A parte interior é adocicada de forma suave, com muitos ingredientes combinadinhos no cozimento, o aroma é incrível. Elas tem tamanhos assimétricos e o conjunto fica disposto como pedras preciosas nas prateleiras. No momento que as observei, as janelas sujas e mal feitas que as conecta com o alley, deixavam entrar uma luz bem bonita sobre elas, foi lindo de ver.

O Alfajor tem como ingredientes principais açúcar, coco e uma pigmentação forte na cabeleira. Um rebelde! Cria uma atmosfera divertida em torno do docinho sabe? Fiquei imaginando em quais ocasiões eram confeccionados... quantas alegrias teriam ocasionado aos olhos atentos para uma bela surpresa desse rapazinho vestido de branco e cabelos rosados, pronto pra brincar. Certamente é o palhacinho da festa.

A Marina... ai, ai, ai... é próxima do doce-de-leite e dissolve na boca assim que você dá uma mordidinha... aprovada com louvor e direito a grito de torcida alucinada! hahahahaha. Além de deliciosa, ela tem carinha de festa também! Por vir toda marcadinha com um desenho espiralado, imaginei que ela tenha sido uma cobrinha antes de ter uma aparência de biscoito. A amêndoa faz a coroação da nossa rainha. Que belezinha! Nem precisava estar tão elegante assim, é uma vontade de beleza que nem sei explicar. <3

A Cocada tem formato de brigadeiro e é bem mais macia das que estou acostumada a comer, essa foi a favorita da Ana. Por sorte e muita agilidade, consegui tirar um pedaço antes que ela devorasse o docinho inteiro. A cocadinha redonda fica durinha por fora, provavelmente é posta pra assar porque a bundinha dela vem meio escurinha e ela tem uma barriga fofinha de quem cresceu com o calor, e um leve dourado na parte de cima. O miolo é macio e foi uma delícia tentar adivinhar o que tinha ali pra deixa-la do jeito que é.

O Dulce de tamarindo merece um tratado só pra ele! Ele é um camaleão na boca! Vem com uma carinha inocente, embrulhadinho no papel celofane e disposto numa colher, como se fosse uma lembrancinha de aniversário de criança. No entanto, suspeitei que tinha acidez e açúcar envolvido desde o princípio. Sua apresentação pessoal me lembrou muito o doce de cupuaçu. Peguei uma faca e tentei arrancar um pedaço pra provar. Eis o relato: Doce, ácido, tamarindo, azedo, ácido, azedo, lágrima nos olhos, vou morrer, adocicou, ardeu, ARDEU, adocicou de novo. fim! Que montanha russa! hahaahahah

Um pregador de peças, esse é o Dulce de Tamarindo. Certeza que minha mãe vai amar!

Segue o elenco quiebra-ley:

Dulce de Camote

Alfajor

Marina

Cocada

Dulce de tamarindo

O café da minha avó Ana, era um dos mais doces do mundo, se alguém a questionasse, ela dizia alto e em bom tom: "de amargo já basta a vida". Eu nunca gostei de café, mas nunca esqueci essas palavras dela. De alguma maneira, ela dizia que o doce é um agradinho na alma, vai bem mais fundo que uma simples prazer nas papilas gustativas.

Em que planeta vivemos, no qual um punhado de cretinos faz com que essas pessoas amáveis, gentis, generosas, com um conhecimento sofisticadíssimo sobre doces, numa relação primorosa com os ingredientes, sejam tratados literalmente como criminosos? Faz parte do plano de manter essa farsa de fronteira e nação?

Não há teoria economicista neo caralho a quatro que fundamente isso! É tão revoltante, baixo, inescrupuloso, inaceitável, injustificável, odioso, asqueroso.

Um aviso aos white collar: água, coco, tamarindo, açúcar, manteiga, galinha, canela, ovos, vaca, leite, batata, macaxeira, babaçu, castanha, açaí, bacaba, buriti, tambaqui, matrinxã, cará roxo, tucupi, camarão, costelinha... isso não vem em saco de cimento, não dá em prédio de concreto, nem em gasoduto, nem hidrelétrica! seus pulhas!

Mastiguem pedra, comam carvão, barro!

É isso que está reservado à vocês seus merdas!


Protesto na State Street, Chicago, 12 de novembro de 2016.


Motivo do protesto: "A construção deste oleoduto de 1.600 km e que atravessa quatro estados está a cargo de uma companhia texana e pretende transportar o petróleo até Illinois, destruindo os mananciais de água de muitas reservas de nativos americanos, além de destruir zonas consideradas sagradas há gerações".

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Supostamente um beijinho no Alley

Quase todos os dias eu passo por essa rua quando volto pra casa.

A primeira vez que passei, à noite, senti cheiro de leite recém fervido... imaginei alguém tomando uma canequinha antes de dormir... olhei de onde vinha... não achei uma janela, só um corredor esquisito onde costumam colocar o lixo e os postes/fios de luz... fica tudo escondido numa espécie de beco que tem nome de "alley". Era de lá que saía o vaporzinho do desejo e algumas especiarias, certeza. Quis fazer o mesmo, mas lembrei do meu nariz escorrendo e pensei que o chá da mangarataia teria um efeito melhor na manhã seguinte. Assim o fiz.

Na semana que passou, senti outros ingredientes vindo da direção do tal do alley, fiquei tentando imaginar o que era, parecia baunilha, açúcar, manteiga... ovo? talvez ovo... na certa era recheio de alguma coisa, talvez de bolo, ou daquelas bombas de padaria sempre muito mal feitas... Procurei janela, porta... seria uma padaria? não é possível! sem placa? Será que é escondida? Talvez não tenha licença pra funcionar... vai saber... passei e fiquei pirando no cheiro de novo... era quase sólido... de tão bom. Me senti compartilhando um segredo... fui dormir com a certeza que havia descoberto algo.

Hoje, quando saí da pink line, fiquei esperando a minha surpresinha diária... aquele docinho vaporizado estaria lá e hoje não daria trégua: you're mine! pensei. Chutei que poderia ser uma casa que vende bolos. Não era possível que aquela nuvenzinha de amor teria um horário tão sincronizado com o meu.

Era beijinho, tinha todos os elementos pra ser... dei três passos pra frente e voltei... tinha uma porta semi aberta pela primeira vez, a de madeira não estava lá, apesar de uma outra de tela. Meti a cara. Parecia uma espécie de depósito, armazém, não era uma casa-casa sabe? tinha umas prateleiras com várias coisas que eu não conseguia enxergar com a pouca luz... Aproveitei a pouca coragem que ainda restava e falei:

- Hola! Buenas noches! 

Apareceu um senhorzinho, de camisa azul e boné branco, parecia estar trabalhando até aquela hora... Antes dele me cumprimentar ou me botar pra fora pelo abuso, eu completei com o meu portunhol venezuelano: es una panadería?

Ele sorriu generosamente com os poucos dentes que tinha, balançou a cabeça dizendo que não:

- As ocho, mañana

Nem acreditei no suspense, ri por dentro.
It's a date! pensei.
Genial!  
E agora? esperar até amanhã pra saber o que era.
No entanto, o desespero curiosístico tomou conta de mim.
Antes de me despedir, dei um tiro a queima roupa: o que abre a las ocho?

- Hacemos dulces.
- Gracias señor!

Mas afinal, o que abre a las ocho? Eu sei lá o que abre a las ocho! A minha pergunta foi sutilmente ignorada por quem não se permitiu ser vítima da minha classificação arbitrária. Bem feito pra mim! 

Só sei que uma lágrima caiu nesse instante. Amanhã saberemos quem são essas belezinhas  <3



Foto: A parte iluminada, ou melhor, de onde sai a luz que atravessa a calçada até a rua, é o alley. O meu objeto de curiosidade e desejo está indicado discretamente com essa plaquinha azul, ao fundo. Vocês não conseguem ver, mas é uma placa de telefone. Acabei de perceber que dá pra ver a porta aberta! haha :D ai que delícia!!! las ocho mañana :3 vou chorar! hahahahahh



thiago pethit - nightwalker






domingo, 4 de setembro de 2016

Árvore de defunto

Vovô Arlindo estava na mesa da cozinha e, como de costume, convidou filhos e netos para comerem o guisado. O prato do domingo era feito de pirarucu fresco. Atravessou a rua de sua casa e convidou tio Mário, chamou várias vezes sem sucesso, não tinha certeza se ele estava em casa... supôs que poderia ser o "novo" hábito manauara: entupir a casa de ar condicionado e trancar todas as portas durante o dia. 



No sábado, falou para sua filha mais velha, Rosimar, ir a taberna comprar óleo de dendê. Pela convivência de toda sua vida, a primogênita entendeu que seu pai gostaria que ela preparasse o guizado do peixão com o tal do óleo, "sem o leite de coco e muita verdura", ele disse. Vovô Arlindo sabia o que dizia.

Antes do prato principal ficar pronto, cozinhou quase um quilo de cará roxo e deixou sobre a mesa assim que acordou. Desta maneira, a prole esfomeada teria o que comer da manhã até o almoço. 

Depois que a panelada ficou pronta, do nada, tio Mário apareceu. A neta mais velha, que estava sentada na mesa gigante, comentou sobre a expedição feita pela manhã no terreno do tio. Explicou que ao observar minuciosamente toda aquela exuberante vegetação, um milhão de carrapicho's grudaram no seu vestido. Passado a raiva, verificou que o pé de limão estava morrendo, mas a goiabeira e o cajueiro estavam "carregadinhos", acrescentou que pareciam frutas de cemitério.

A morbidez de tal comentário, no meio do almoço de domingo, causou asco no seu avô, que havia acabado de colocar uma colherada de pirarucu na boca: 

"Eu não como goiaba, manga, jambo [...] fruta nenhuma de cemitério"

Todos riram e a neta metida a sabida perguntou o porque:

"Minha filha, uma árvore é como uma pessoa, sabe as nossas veias? onde passa o sangue? tem o mesmo dentro de um pé [de árvore]. As raízes vão fundo no chão, e no cemitério ela suga aquela lama de defunto. Eu não como aquilo por nada no mundo! aquilo é imundo!"

Tio Mário, exibindo um conhecimento altamente especializado, interviu e disse que se tratava da seiva, que era tudo transformado, e o que passava para fruta era apenas os nutrientes. Tia Mara, espocando de rir, deixou bem claro que comer  fruta  de cemitério era o mesmo que comer as frutas deliciosas do terreno do ti Nena. A única diferença era que o adubo tratava-se de cocô e não de restos humanos. Ti Nena tem a goiabeira mais saborosa do bairro por ter plantado em cima de sua fossa. 

Vovô Arlindo não disse nada a respeito da goiabeira do seu vizinho falecido, ti Nena. Ignorou todos os comentários da mesa, balançou a cabeça e afirmou que não comeria nada de árvore de defunto e ponto final. 



Fim

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Poliamor e tubérculos

Acabei de assistir um episódio de uma série do Netflix: Chef's Table.



Ao que tudo indica, é uma série que destaca pessoas apaixonadas [donas de restaurantes famosos rs] por elaborar comididinhas maravilhosas. Hoje assisti o primeiro [e acho que último, não quero viciar em televisão nesse momento da minha vida] que é protagonizado por Alex Atala.

Depois dele ter sido citado pela Manu Carneiro da Cunha no artigo "Questões suscitadas pelo conhecimento tradicional", faço votos que ela esteja comendo no DOM com desconto:

"O tema do conhecimento tradicional está hoje por toda a parte – no Banco Mundial, na Organização Mundial da Saúde, na FAO, na OMPI, na Unesco, e também em outros círculos menos oficiais: o chef de cozinha Alex Atala (aliás, em grande parte responsável pelo sucesso internacional do jambu) me disse que a contribuição culinária mais importante da Amazônia foi o tucupi". (p. 441, 2012)

Hoje não falaremos de Tucupi. Nem de jambu. No entanto, explico que o chef foi citado, por ser muito poser, inspirador neste início de madrugada e obviamente, por destacar as duas florestas mais lindas e florestudas do mundo:

- A vida são vários "ciclos". Corresponde a vida de uma planta. A parte que estamos vivos é a flor :)
- Eu descobri o que fazer com a raiva que eu sentia.
- Toda comida implica a morte, muita gente esquece disso.

Apesar de todas as coisas maravilhosas que assisti, falaremos de duas raizinhas que não foram citadas no documentário, mas que foram lembradas por Natasha com muito carinho.

Hoje falaremos sobre o cará roxo e a mandioquinha.

Na minha vida que não existe, teria uma plantação de mandioquinha no quintal. Eu não consigo nem imaginar em excluir o meu amor pelo cará roxo. A textura desse legume/fruta/pão, acompanhado daquele sabor que vai derretendo na boca, não pode ser sobreposto à mandioquinha. Agora fico me perguntando o porque de inserir esse versus perverso entre os dois.

Só de falar assim da mandioquinha, meu coração aperta.

Sempre comi a mandioquinha misturada na salada, sem perceber direito o sabor que ela tem. Até que experimentei uma sopa todinha só dela. PELOAMORDEDEUS. O coitadinho do cará roxo entra em desvantagem, porque a sopa feita do bichinho, fica esquisita: levanta a mão quem já tentou! hahahahahha EU! fica gosmento e a textura some. : ~


A mandioquinha, como um tubérculo único que explode em milhares de sabores na sua boca, apareceu pra mim em forma sopa. Aliás, sopa é um dos meus pratos favoritos da vida. Essa raizinha é tao maravilhosa, que ela sozinha é prato principal, é tanto sabor junto que nem sei explicar, parece uma sobremesa, uma torta salgada, um creme cheio de especiarias... mas não, é só ela, como veio ao mundo. :3

E foi nesse contexto de deslumbre e os preços altíssimos que esse produto importado tem ao aterrissar em Manaus, é que decidi o seguinte:

Se alguém pedir para você plantar batatas, substitua mentalmente por mandioquinha  <3 Por ser um ditado que ninguém mais usa, experimente plantar em casa mesmo pra se exibir pros seus amiguinhos.

*

Acabei de fazer uma busca breve sobre ela, descobri que a belezinha veio dos Andes, que fofinha né? Uma pena que ela só sobrevive no frio.

desenho estilo "viajante". rs


Clima

A mandioquinha necessita de clima ameno, com temperaturas entre 15°C e 18°C para se desenvolver bem, mas pode tolerar temperaturas um pouco mais altas ou um pouco mais baixas. Embora seja possível cultivá-la em baixa altitude, a mandioquinha cresce melhor entre 1700 m e 2500 m de altitude.
Aqui vai um beijinho pra minha irmã, que tem feito essa sopinha maravilhosa com frequência nesses maravilhosos 28 graus em Manaus.



Achei no youtube
Chefs Table, Season 2, Episode 2, Alex Atala




quarta-feira, 4 de novembro de 2015

creative commons e outras dificuldades

Pra quem não sabe, "creative commons" é uma organização não-governamental sem fins lucrativos localizada em Mountain View, na Califórnia, voltada a expandir a quantidade de obras criativas disponíveis, através de suas licenças que permitem a cópia e compartilhamento com menos restrições que o tradicional "todos direitos reservados".

cookies sabor chocolate


Não vou me estender nesse assunto, porque ainda estou estudando sobre isso. Por preguiça, peguei a definição da rainha da internet: a wikipédia. Pra quem é exibidinho e gosta do seu copyright devidamente garantido, vai sofrer um pouco... mas aprenda a desenvolver essa habilidade tão comum no contexto atual: a arte de desapegar pautada na filosofia da abertura e transparência. Aproveite e leve isso pro campo pessoal, os ganhos são enormes. 

O fato é que diante desse "dinossauro" que envolve licenças e afins, fiquei impressionada com a quantidade de palavras que estão completamente fora de contexto. EXEMPLO:

Percebi que desde julho não vinha por aqui, e já adianto que não vou dar qualquer satisfação. O fato é que ao abrir a página do blog, apareceu a seguinte mensagem: 

"As leis da União Europeia exigem que você informe os visitantes da União Europeia sobre os cookies usados no seu blog. Em muitos casos, essas leis também exigem que você obtenha o consentimento deles. 

Como cortesia, adicionamos ao seu blog um aviso que explica o uso que o Google faz de determinados cookies do Blogger e do Google, incluindo o uso de cookies do Google Analytics e Google AdSense. 

Você é responsável por confirmar se esse aviso realmente funciona para seu blog e se ele é exibido. Se você utiliza outros cookies, por exemplo, adicionando recursos de terceiros, esse aviso talvez não funcione para você. Saiba mais sobre esse aviso e suas responsabilidades".

Questionamentos:

1. Que leis?;
2. Exigem? mais modos por favor;
3. Que cortesia? não entendi pra que serve;
4. Cookies?;
5. E a mais importante: VOU TER QUE PAGAR POR ESSA BOSTA AGORA????

Perceberam o sentido de "palavras fora de contexto"? 

Por não ter desistido de compreender o sentido da mensagem e reconhecendo o meu completo estrangeirismo sobre determinados assuntos, joguei no google uma das palavras mais elementares do texto acima. Saiu: sabor nutela, chocolate and ice cream. 

Me animei quando vi: "cookie HTTP"

  • Quando o servidor deseja activar um cookie no cliente, envia uma linha no cabeçalho HTTP iniciada por Set-Cookie: ...
  • A partir desse momento, consoante as opções especificadas pelo cookie, o cliente irá enviar no seu cabeçalho HTTP dos pedidos uma linha contendo os cookies relevantes, iniciada por Cookie: ....

HAHAHAHAAHHAHAHAHAHAHAHAHAH


Cookie de banana: 2 bananas, 3 castanhas do pará picadas, 3 colheres de aveia, canela em pó a gosto. Misture tudo, coloque as porções pequenas em forma untada em óleo de babaçu comprado de Nice ou Querubina <3. Deixe assar por 15 minutos.


domingo, 23 de novembro de 2014

A comida militante

Não se engane, esse texto está sendo elaborado exclusivamente para os dotados de covardia.

Diante dos acontecimentos recentes contra os povos que não vivem no mesmo ritmo da economia brasileira baseada no agronegócio, por exemplo, você deve manter uma postura mais firme, vigorosa e militante contra as ações do governo federal. Só escrever não basta.

Se as manifestações estão cada vez mais violentas e o seu vudu da Katia Abreu não tem surtido efeito, saiba que há um espaço para você se manter politizada, firme e atuante nos seus ideias sem precisar levar ponto cirúrgico na testa.

Ataque pela comida, calma, vou explicar.

Pra início de conversa, se você decidiu ser vegano justificando que é contra fazendeiro, ruralista ou grandes criações de gado que vem expulsando os pequenos agricultores, dissolvendo a agricultura familiar e demais povos que mantém as duras penas a área de floresta em pé ainda existente nesse país pra você tomar água em casa, saiba que você será rechaçado se vier atacar de soja.


No Brasil a região que mais tem produzido a soja é a centro-oeste... bem pertinho do Parque Nacional do Xingu. A principal queixa dos que resolveram adotar um estilo de vida vegano é que  o consumo de soja por humanos no Brasil não chega a 1%. Já a pecuária, laticínio e ovos (que também usam ração e soja para pecuária) são praticamente 100% responsáveis pelo desmatamento, aquecimento global e efeito estufa.

Diante desta realidade, chegamos a conclusão que a vida não está fácil pra ninguém... tente elaborar outras estratégias para se manter circulando no meio social em que vivemos, ainda sobram a quinoa e pão integral, ouvi dizer que você ainda pode comê-los de boa. Se ficar difícil ser vegano em Manaus, minta e seja cauteloso.

O que fica cada vez mais nítido é que comer virou sinônimo de muita hipocrisia... enquanto você come, indiretamente alguém está sendo explorado, expulso, morto ou escravizado pro seu pratinho estar ali. 

A meta é você arregaçar as mangas:

1. Criar sua própria horta;
2. Ter suas aves pra comer vez ou outra;
3. Juntar com seus vizinhos pra tocar aquele projeto de fazer um pomar no PROSAMIM mais perto da sua casa;
4. Com ambição, ter uma vaquinha;
5. Cultivar uma mini floresta num espaço de seis vagas de carros que um indiano ensinou a fazer um dia desses no youtube.

How to grow a tiny forest anywhere

Tenha o cuidado de se informar quais as espécies
da região pra você não promover um desastre ambiental. 

O céu é o limite se você tem uma ideia legal.

Engraçado que antes de escrever esse texto, a motivação foi para falar da Dona Nice e agora não tô achando um gancho pra inseri-la, bom, o gancho foi esse! O texto é meu e ela entra agora. simples.

É fato que ao lutar por um cocô macio, sim, é isso mesmo que você leu, um cocô fibroso e macio, você percebeu que os grão, legumes e água são fundamentais nesse processo e passou a investir mais neles...

Diante deste propósito de vida muito digno e os encontros maravilhosos que acontecem na sua história, você conheceu Nice e Querubina, duas mulheres incríveis:


As quebradeiras de coco babaçu são mulheres agroextrativistas, guerreiras forjadas na luta pela conservação das florestas de babaçu, pela terra, pela valorização do extrativismo e pela dignidade de ser mulher, as quebradeiras de coco babaçu ganham força política ao se descobrirem como sujeito coletivo a partir da própria atividade produtiva que desenvolvem, sempre realizada em rodas de conversas, em grupos de amizade e em parcerias por laços de família, compadrio e vizinhança. Link: MIOCB - Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco de Babaçu.


Cacho de babaçu

Daí iniciou minha relação de amor com essas lindezas de pessoas e o azeite de óleo de babaçu da Nice que coloco diariamente na minha marmitinha e em uma infinidade de pratos que você pode fazer substituindo o óleo de cozinha (É INFINITAMENTE MAIS SAUDÁVEL)! Se você não teve a sorte de encontrá-las, ou conhecê-las... vá ao Maranhão nos municípios de Imperatriz ou Penalva, ou compre pelo Site: Produtos de Babaçu. amei! :)


Azeite, novembro, 2014.


Uma outra proposta legal é você consumir os produtos cultivados pelo Movimento Sem Terra (MST):


Tem outros produtos no próprio site do MST

Olha que entrevista linda:

É preciso mostrar para a sociedade as diferenças entre agronegócio e campesinato. O agronegócio procura evitar esta diferença, afirmando que a agricultura familiar é agronegócio. É preciso manter a diferença para que a sociedade entenda que o campesinato produz comida saudável enquanto o agronegócio produz comida contaminada, produz lixo. A reforma agrária tem que ser feita na perspectiva da agroecologia, com ordenamento territorial para proteção ambiental. Os limites do agronegócio está no que ele mais defende: a produção em grande escala. Leia na íntegra: revista fórum.

Essa matéria tá bem bacana também: MST 30 anos - da terra à comida.

Em Manaus há um grupo de mulheres indígenas/agricultoras da etnia Kokama que cultivam uma horta de legumes e verduras sem agrotóxicos na comunidade Nova Esperança. Fica no Km 08, mais conhecida como ramal do Brasileirinho, no bairro Puraquequara II (zona leste). É tudo muito lindo e gostoso!!! :D~

Fonte: Altaci Rubim

Fonte: Altaci Rubim

Fonte: Altaci Rubim
Atualmente as mulheres Kokama estão vendendo, também, os seguintes produtos:


ahhhhhhhhhhh eu quero uma garrafinha!!!! :)

Aproveite o ritmo de plantações e consuma o que tiver no sítio dos seus pais também:

Macaxeira, novembro, 2014. a primeira fofura!!! <3

Agora é o seguinte, se você acha que comprar um azeitinho das quebradeira de coco ou um saquinho de arroz do MST é o suficiente, não se iluda, como eu já disse no início do texto: ESCREVI PARA OS COVARDES (como eu). De toda forma, acredito sinceramente que a compra desse saco de arroz, ou o azeite, ou os legumes das mulheres indígenas seja bastante significativo para cada uma dessas pessoas.

Não esqueça de agradecer todos os dias à esses seres maravilhosos que pagam com a própria vida para que você respire, coma e beba água até hoje. Sinto lhe informar que não é exagero, pare de veicular discurso de ódio contra essas populações, ser contra a demarcação dos seus territórios e achar que a Globo tem razão quando vulgariza e criminaliza esses movimentos que resistem as duras penas à esse modelo absurdo de desenvolvimento. Aliás, esse desenvolvimento é pra quem?

O mundo é bem maluco.

Leia: "Cem anos de solidão", maravilhoso é pouco.







terça-feira, 4 de novembro de 2014

Ver-o-peso e outras comidinhas

O parente desmemoriado de Manuel de Borba Gato ao pisar em solo Paraense, deixou de lado a cobiça por ouro e esmeraldas imposta por seus ancestrais, e espalhou aos quatro ventos que queria experimentar o melhor Açaí da região. Ouviu falar de uma rixa antiga entre Manaus e Belém e foi tirar a prova deste sabor nas mediações da rodoviária principal da cidade.

Açaí fresco com farinha de tapioca, Belém, 2014.


Ao experimentar o delicioso vinho de Açaí, decidiu guardar à sete chaves o resultado do método comparativo nesta refinada empreitada degustativa para não ferir o coração de ninguém, seu amigo Vladimir Maiakovski  havia feito um bom trabalho neste jovem rapaz. 

Ao andar desnorteado atrás de algum lugar que lhe oferecesse peixe frito ainda próximo à rodoviária, teve uma nítida lembrança de uma professora de literatura, Nicia Zucolo, falando sobre uma ilha à duas horas de distância do centro da cidade... : "eu moraria em Algodoal... amo!" 

Guardou na memória este nome, aproveitou que tinha algumas moedas no bolso e correu para a casa das onze janelas em busca do seu peixe frito, Luma sugeriu Filhote.

Casa das onze janelas.

Uma de suas melhores lembranças vinham deste lugar, foi lá onde dançou carimbó no encerramento da 27a Reunião Brasileira de Antropologia (2010) até o seu último suspiro! Apesar do barulho ensurdecedor que vinha do bar palafitas, sentou de frente para o Rio e foi observar o cardápio como quem não quer nada... achou os preços caríssimos, mas sem pestanejar, pediu o tal do Filhote. Com as poucas moedas douradas no bolso sabia que conseguiria pagar o prato. Novamente pensou no seu método comparativo e fez uma aproximação entre o tambaqui e o pirarucu... não ousou dizer uma só palavra. Os sabores das três espécies o deixava cada vez mais desnorteado e entusiasmado com aquela região.

Quis conferir o tamanho do "Peixe Filhote" e correu no Ver-o-Peso.

Foto: Dorival Moreira, Mercado Ver-o-Peso

Chegando lá, percebeu que sua pressão baixou e quase sofreu um desmaio... era o calor. Não estava acostumado com o sol generoso daquela região... parou em um dos botecos do mercado e pediu uma Cerpa gelada. Aquilo sim era cerveja!

No meio de uma observação atenta ao Rio que estava a sua frente, presenciou uma cena que jamais esquecerá, esqueceu a busca ao Filhote e tirou o caderninho do bolso, um lápis quase sem ponta e sussurrou para si mesmo:  Neste exato momento Bukowski sente inveja de mim.

Mercado ver-o-peso, 2014. Obs: estas pessoas foram consultadas
quanto a utilização das fotos, no entanto, decidi não citar seus nomes.
O descendente de bandeirantes percebeu que ao lado de sua mesa, havia um casal que conversava inebriadamente, deixando a nítida impressão de desejo um pelo outro, coisa que jamais vira em lugar algum. Na falta do que fazer, passou a observar o casal com interesse e atenção. Notou que o rapaz, ao tentar seduzir a moça comprando para ela alguns pares de calcinha rendada nas cores preta e vermelha oferecidas por uma gentil senhora que passava vendendo perfumes e peças íntimas entre os frequentadores do bar-mercado, foi interrompido por um terceiro personagem: o romântico tatuado. Tendo em vista travar um duelo com o comprador de calcinhas e laçar o coração desta mulher que despertou o desejo de ambos, tentou neutralizar a compra das peças rendadas oferecendo nada menos que a eternidade ou até o fim de sua própria existência: a própria pele com o nome da amada... 

No exato momento em que os olhos da mulher amada se cruzaram com o olhar romântico do jovem tatuado, a vigilância sanitária cercou o espaço e grotescamente retirou o tatuador de cena o acusando de falta de higiene na sua prática de trabalho. Ele refutou as acusações dizendo que usava luvas descartáveis e máscara cirúrgica. Foi "advertido" pela figura do Estado opressor sem entender absolutamente nada daquelas acusações.

O neto de Borba Gato aproveitou a deixa, pagou as duas cerpinhas geladas e correu rumo à rodoviária. À tempo, pegou uma Van (não vá de ônibus), atravessou Belém e em duas horas chegou nos limites de Marudá. 


Trajeto de Belém a Marudá.

Agora faltava pouco, mais uns 30 minutos e estaria na Ilha de Algodoal. 





quinta-feira, 1 de maio de 2014

campanha "PÃO & COMPANHIA" pra boteco

Chegou o momento que não se sente mais nada... não, eu não estou falando de emoções, nem se trata de um texto poético...  estou falando de comida.

Batata frita é a coisa mais nojenta que existe na face do planeta, bolinho de qualquer coisa também. Obviamente que estou excluindo os momentos que você está urrando de fome e qualquer coisa está bom, mas convenhamos, sejamos críticos nessas horas, se suas tripinhas estão cada vez mais sensíveis, está na hora de dar um basta né?

O sabor dos legumes, dos derivados do leite, das frutas, das massas... até das carnes... não se sente mais. é impressionante. tudo virou uma grande bolha de óleo nojenta.

A vontade que dá é de largar tudo e fazer gastronomia... ser uma grande chef de cozinha pra você mesma sabe? gente, um ovo frito... é a coisa mais sensacional que existe... fica parecendo queijo derretido ou molho de qualquer coisa, se você não o transformar num vilão sem graça...

Está cada vez mais difícil comer fora de casa... é sério, por um lado, isso é até bom, pois força você voltar pro seu ambiente doméstico e inventar alguma coisa por ali... mas putz, é muito frustrante você pagar e comer uma porcaria com óleo.

Você começa a perceber que tem frescura, quando não está com tanta fome assim obviamente.

Estar entre os amigos num boteco qualquer e imaginar um pão sírio com berinjela, ou um pão quentinho mesmo, só isso meu povo! ou sei lá, uma coisa que não vai fazer teu estômago revirar na madrugada sabe? poxa! já tem a cerveja... e ainda querem que a gente engula uma gororoba gordurenta?!

Foi pensando nisso que quero fazer  uma campanha pro "pão e companhia" virar um boteco! pelo amor!!!

Morre-se envenenado todos os dias, chega!

Aos empreendedores: BOTECOS NATUREBAS! ou ao menos alguma alternativa no cardápio, já seria uma ajuda e tanto.





domingo, 23 de março de 2014

pote de farinha

- esse feijão tá uma delícia;
- é... essa calabresa defumada que dá o gosto... olha... tu quase derruba esse pote de farinha, fizeste igual ao rodrigo. ele que comprou esse.
- FOI?
- foi, ele espatifou a outra, foi farinha pra tudo que é lado... depois ele apareceu com esse pote, no meio da semana, todo embrulhado... acho que demorou pra encontrar. é super difícil achar, combina com os outros.
...
- esse milho tá super gostoso;
- também achei, a Clarinha já come sozinha, uma beleza!
...

*

Fico pensando se quebro esse pote de farinha... deveria ter esbagaçado no chão!
Uma lembrança... mais?

Continuo comendo a farinha do pote, agora com um pouco mais de cuidado...
Com tristeza, saudade e... muita raiva... e se...?

Foda-se.


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Muito além do peso, Estela Renner.


L'enfant gras, Modigliani, 1915

documentário velhinho (rs), mas iniciei a noite lendo uma revista e topei com um artigo do Ricardo Manini falando sobre ele. não deu pra resistir! dá pra pensar tanta coisa, tanta coisa, tanta coisa (!)... economia, política, povos indígenas, saúde, doença, meio ambiente, agricultura familiar, feiras, manaus moderna, demarcação, terras indígenas, guerras mundiais, naturebice, comidinhas... ai! bom filminho :)

Em homenagem a dor no peito que eu senti quando vi minha afilhada tomando danoninho pela primeira vez: 

Documentário: muito além do peso, 2012.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

CERPA: Uma cerveja para chamar de sua.

gostar de ficar bêbada, não é o mesmo que gostar de álcool... há uma grande diferença.

por temer virar motivo de chacota, beba saquê com qualquer fruta escondido ou vinhos baratos... e pra sociedade em geral, tome cerveja (a pulso, aquilo é amargo demais!) pra parecer interessante, inteligente, pseudo-esquerda, descolada e atraente: viva de aparências... e fique bêbada, simples.

Mas o fato é que você se amarra numa sobremesa alcoólica, 
apesar de te deixar enjoada inúmeras vezes.

Recentemente, na comemoração da Isa, me foi apresentado uma coisa muito vergonha alheia: capirinha de fruta com picolé mergulhado dentro... céus! em outras palavras, é um sucão de "festa infantil", regado de cuspe e álcool, nada que você já não tenha provado na vida, de outras maneiras claro. 


vende na cachaçaria do Dedé

a saber, estou falando do caxiri.

Bebida fermentada à base de macaxeira e, em alguns casos,
com a ajuda de enzimas presentes na saliva humana. 

Em defesa da gororoba com picolé em questão, Manaus é quente e a coisa refresca, pontos.

No entanto, no dia da minha qualificação, confraternizei com os queridos num restaurante-gostoso-caro-peixe-tucupi-delícia que servia CERPA. alguém já ouviu falar?



Nesse dia, eu finalmente encontrei uma bebida pra chamar de minha, essa belezura aí, diretamente de Belém do Pará. :D sim, você é uma exibida metida a besta! alguém já provou? ai, ai, ai... que gostosa! e você vai ficando bebinho de uma forma legal sabe? sem dar sono... amei!



o único problema é que ela não é encontrada em lugar algum! 
NENHUM BAR DO UNIVERSO (Manaus) VENDE ESSA BELEZOCA! ódio.

cavalo manco, banda calypso.


"isso e muito mais você

só vai encontrar no Paráaa"



Só se for... sigo a busca nos supermercados mais próximos... ainda não obtive êxito, por favor, não me façam ir naquela praga do Roma. 



domingo, 1 de dezembro de 2013

a morte da galinha

"cena de candomblé", Wilson Tibério.

assista, não é música.

Muitos corações sensíveis postaram esse vídeo no facebook, inclusive a figura ilustre que eu sigo sem pudores: Eduardo Viveiros de Castro. 

a saber, não acho que teoria e camisa de força caminhem juntas.

O que ninguém se questiona, são sobre outras formas de se alimentar que estão embaixo do nosso nariz: mas sabiamente, vivem sob o manto que os protege até hoje, o segredo.

pegando o clichezão de líder de torcida de FSM, "outros mundos possíveis"... ai que bonitinho! hahahahahah e revirando loucamente meu caderninho verde limão que me acompanhou  durante essa temporada transformadora no sul da Bahia, achei um texto "pronto", mas muito fora de contexto pra caber na dissertação.

que caia no mudaréu da rede. vai que serve?

*

"uma última ave no céu", Jaider Esbell, Macuxi, 2013.


"continuação do campo, esse vai pro blog"

Desde "pintinhas", são cuidadas soltas, como crianças brincando naquela grama verdinha e de comida farta. ciscam por todos os cantos, inclusive perto da casa dos seus Orixás favoritos.

Momentos antes do ritual principal, são escolhidas... uma a uma.

Há de ter cuidado ao pegá-las, as asas se debatem com frequência e você não quer machucá-las.

Passado o momento de euforia, até ela acostumar com o seu corpo, antes de entrar no terreiro seu bico e pés são purificados com água cheirosa e delicadamente limpos/enxutos com um tecido branco. Continue a segurá-la, você vai perceber que sua respiração, coração, vão se acalmar até ela finalmente acostumar com o seu colo. curiosamente, você vai acariciar aquelas penas tão bonitas e sentir um sentimento intenso de ser a última a segurá-la neste mundo.

É iniciada a música, a dança... os escolhidos e já iniciados as levam para o local que as espera com muitas flores, enfeites, doces e a tigela de cerâmica. Lançada a sorte, todos aguardam ansiosamente a confirmação espiritual.

Passado alguns minutos, há a confirmação, todos aplaudem. Iniciam os batuques, as danças... e como num balé ensaiado, os Erês incorporam aos poucos, o corpo se transforma, a expressão é outra... quanta alegria! 

Neste momento, num só golpe, a escolhida é oferecida em sacrifício. 
Todo o seu sangue é cuidadosamente retirado.

As mulheres são convidadas a tirar as penas que as enfeitaram durante toda a sua vida. Seu adorno natural é ressignificado naquela cerâmica e as que "sobraram", é dada de presente à todos que ali se encontram. Quanta beleza!

Seu sangue será oferecido aos Orixás, por todas as dádivas diárias e pelas esperadas.

Após a cerimônia, um coletivo é acionado para preparar seu corpo nú, transformando-o em alimento de todos através do gengibre, das castanhas, especiarias, temperos, ervas e o fogo.

E assim foi passada a manhã, homens, mulheres e crianças envolvidas no preparo do caruru, do arroz, dos sucos... numa impressionante sincronia. 

Depois de poucas horas, desde o ritual inicial, todos devem purificar os corpos na cachoeira de Oxum, leve a vasilha com as ervas cheirosas, e as roupas que irão cobrir você neste momento especial. 

Após todo o preparo, o alimento sagrado é oferecido com entusiasmo, cantos, batuques, sorrisos, amor, carinho e cuidado. 

As galinhas? 
elas alimentam o corpo, alimentam a alma. 


Itabuna, 23 de setembro de 2013.


vale fazer dancinhas, hoje é domingo!







domingo, 3 de novembro de 2013

ao mirante & alaíde negão

Só fui em dois shows, um no arte e fato no final de outubro, onde comprei o cd... e o outro hoje, no ao mirante, que fica no bairro São Raimundo.

Esqueci a máquina fotográfica em casa e o celular estava nas últimas... um pesar muito grande não ter captado tanta coisa daquele lugar, fiquei com vontade de aparecer lá amanhã só pra sanar essa lacuna... :/

Chegue antes do por-do-sol... 

Ao mirante, novembro, 2013.

É de tirar o fôlego né?

Esse dourado aí, é o rio negro, o rio mais incrível e lindo do mundo... :D hahahahah
Vi que não tinha uma cozinha no recinto, comecei a preocupar,estava com um fome absurda...e se tem duas coisas que te deixam um demonho... é fome e sono.

Antes de decidir comer aquela pizza gostosa e barata do habib's que ficava léguas de distância, percebi que um rapaz começou a preparar um foguinho para fazer um "churrasquinho de gato", animei, esperei ficar pronto.

Tudo gostoso!

Acompanhamento-comida-de-mãe-prendada e carninha macia e gostosa! muito bom! Foi um presentão pro meu buchinho vazio, coitado. 

Depois de tocar horas de reggae night, foi apresentada uma banda que eu não lembro o nome e depois, alaíde negão, vulgo, neguinha.

Fiquei o tempo inteiro na "varanda" do ao mirante, a vista é linda e bate um ventinho gostoso, aproveite pra colocar a fofoca e os planos mirabolantes em dia.

Quando entrou a neguinha, a "multidão" pulou pra debaixo dos telhados do ao mirante.

Mais uma vez, o ritmo é absurdamente contagiante, e você passa a dançar loucamente sem se importar muito com os demais que estão compartilhando aquela pouca quantidade de oxigênio e vento no recinto.

Combine com um amigo seu para dançar com ele, os homens do ao mirante não tem a menor iniciativa de te puxar pra dançar, apesar da música ter um nítido apelo para colar o corpo no outro... e isso é uma das coisas mais sensacionais desse ritmo.

No meio do caldeirão e daquele calor absurdo, literalmente, você percebe que não tem jeito, Manaus é quente e aquela bosta de telhado é muito baixa pro seu gosto... ¬¬

Acostume-se, quando você começar a derreter de tanto dançar... algo vai te acontecer, a sensação de alma lavada num domingo pós a tristeza do dia de finado, vai te dar uma leveza bem maior do que aquela plantinha queimada, que foi compartilhada com os queridos.

Que show!

O domingo será tão abençoado, quanto qualquer outro ritual que você costuma participar neste dia tão melancólico. 

Depois de tocar as "minhas favoritas", me dei conta do quanto essa música é bonita,
o vídeo não faz jus do "ao vivo".

neguinha: toque dos ancestrais




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