Mostrando postagens com marcador Manaus. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Manaus. Mostrar todas as postagens

sábado, 23 de maio de 2015

Moedores de carne humana



Nuvens densas, escuras, pesadas, cheia de cores que brincam entre o cinza clarinho e o negro do Rio Negro. Três palavras pairam, como nuvens pré temporal, na cabeça dos manauaras essa semana: bicicleta, homem e ônibus.

A pessoa que inventou um lugar chamado cidade, deve ter sido um louco varrido, um louco tão louco que só sendo louco pra ter inventado um negócio desse. Mais louco foi aquele que aceitou e vibrou com a ideia. Puxa saco de uma figa! Devia ser proibido esse tipo de gente no mundo. Na verdade, à época, quem discordou do nascimento da cidade, foi chamado de louco. Aposto. Devia ter votação pra acabar com essa porcaria. 

(   ) Sou a favor da cidade, da palmeira imperial, da morte aos periquitos irritantes, da piscina com cloro, do asfalto, da calçada com cerâmica, do condomínio, do ônibus, do mendigo, da sujeira, do rio que é esgoto, da construção da ponte que matou silenciosamente, do concreto, do cimento, do tijolo, da morte por esmagamento, do caminhão cheio de louça que vira em cima da menina, da morte que transforma gente em carne moída;

( x ) Sou contra a cidade. Quero um lugar que não tenha nome, com fruta no quintal, do fumo novinho da folha de tabaco, das caminhadas  - longas e pela sombra de árvores pequenas e gigantes - da bicicleta, do rio de guaraná limpinho, da canoa, da morte doce por afogamento, da morte por cair de uma árvore e se quebrar inteiro, de ser comido por piranha, ser engolido por um jacaré ou lutado bravamente com ele, veneno, vingança, de amor, por ser picado por mil cabas, por feitiço do Alto Rio Negro. 

Por ter o corpo esmagado embaixo de um pneu, não. 

A cidade mata rápido e de forma covarde.

Cidades são moedores de carne, cidades são moedores de gente. 


segunda-feira, 29 de setembro de 2014

O Baobá

A raiva e o ódio são sentimentos flutuantes... mesmo levando super a sério o projeto "Dalai Lama 2014", aquela nuvem cinza vez ou outra pousa sobre a sua cabeça...

DICA: transfira toda essa explosão de raiva para o calor de Manaus, se você está cansado da falsidade na humanidade, saiba que esse sentimento é pra lá de sincero, confie imediatamente e junte-se aos que estão fritando de ódio.

Por estar frequentemente na dúvida se é implicância besta ou Manaus está assustadoramente quente, passe a observar a cidade, melhor, os trajetos que você faz até chegar em casa.

Neste domingo, invente de caminhar pelas ruas, próximo ao meio dia... 

Fonte: Charge de jota
Para não parecer reclamação de gente fresca, vai aí os resultados obtidos da mais nova religião: a ciência, vou explicar.

Num dia de sol a pino, João, Rutenio, Cristiano e Cisnea, deram-se as mãos e resolveram escrever um artigo bem fofura total em Manaus (2010): "Avaliação de conforto térmico urbano, com base em dados de temperatura - um estudo de caso na cidade de Manaus".

O resumo da empreitada é o seguinte: 

O monitoramento térmico ambiental foi realizado contemporaneamente em três locais distintos na cidade de Manaus, na forma de medidas de temperatura superficial e ambiental (1,0 metro acima da superfície) em quatro ambientes distintos: rua, local sem cobertura vegetal (LSC), local com cobertura vegetal (LCC) e interno (residência), em dois períodos (março e outubro) do ano de 2010, representativos dos períodos chuvoso e de estiagem. As medidas foram realizadas por um período de 24 horas, com espaçamento de 4 horas. Os resultados mostram a grande importância ambiental da cobertura vegetal, quer pela contribuição no arrefecimento da temperatura como no equilíbrio térmico. Entre os ambientes investigados, o interno (residência) mostrou comumente maior estabilidade térmica (variação de 0,7 oC para as temperaturas ambientes e de 0,2 oC para as superficiais), enquanto que as maiores variações de temperaturas ocorreram no ambiente Rua (superficiais). As medidas ambientais externas e em exposição direta, são mais suscetíveis às mudanças de tempo como às variações devidas a sazonalidade.

Essa pesquisa é FANTÁSTICA! 

Vou pegar a parte que nos interessa (o artigo completo está no link acima):

Esses resultados mostram, de forma inequívoca, a grande importância da cobertura vegetal no equilíbrio térmico, quer pela sua contribuição no arrefecimento da temperatura como no equilíbrio térmico.

Tudo certo, com os dados na mão e a fundamentação na ponta da língua, você precisa ir atrás de uma "cobertura vegetal" bem linda pra chamar de sua. Anuncie que você irá plantar uma árvore na frente da sua casa para substituir o coitado do "brasileirinho"que foi acusado de ter fungos e morreu assassinado por esses dias...

Brasileirinha lindona!

Não esqueça de gravar (com gravador) as respostas, são dados dignos de uma pesquisa:

- Árvore é escada pra bandido;
- Árvore quebra calçada;
- Árvore acaba com o muro, muito perigoso;
- Árvore tem muitos galhos e pode arrebentar o carro com uma chuva forte;
- As folhas "sujam" as calçadas;
- Árvore "dá" lagarta de fogo e percevejo.

Depois de usar técnicas sujas de manipulação, apele para a distinção... não há quem resista.

O próximo passo é escolher a espécie: FLAMBOYANT... suspiros... (nada de mimimi regionalista, hoje eu tô cosmopolita, num outro texto falarei de castanheiras e seringueiras... )

Sem palavras... 

O mais legal do Flamboyant é que mesmo se o vizinho da frente tiver ódio profundo de "cobertura vegetal colorida", ele vai ter que engolir essa belezura avançando até o outro lado da rua! Se contestarem o tamanho da árvore antes do plantio, MINTA. Diga que é só um arbustinho vermelho bonitinho... depois de grande ninguém arranca, vai por mim.

Se nada der certo, em protesto a esse mundo louco, aproveite o buraco na calçada (que ainda está aberto), vá no mercado livre, compre uma semente de BAOBÁ (MORRI!) e plante escondido, não precisa de água, ele está acostumado com secura:



Baobá no seco


Baobá no molhado

Espere crescer até o "buchinho"dele virar o bar mais legal do mundo :D


Refazenda, Gilberto Gil

terça-feira, 1 de abril de 2014

quinta-feira, 27 de março de 2014

Cinépolis, raivinha

Ontem eu conheci as salas do cinema do shopping ponta negra... talvez esteja nostálgica ou num ritmo old school, mas senti uma coisinha sabe? luminária? cardápio? garçon? sei lá, meio demais. 

ê filmão!

O que implica em salas de cinema com cenário de série norte americana da década de 60, são os preços abusivos dos ingressos... o acesso a filmes na telona vão ficando cada vez mais inacessíveis... uma tristeza.

Cinépolis Manaus

Saudades de um tempo que não vivi:


*

cinema paradiso, trailer.


sábado, 26 de janeiro de 2013

muiraquitã




Conforme o livro Macunaima (outro que você já deveria ter lido, veja o filme ontem) as mulheres guerreiras que habitavam o baixo Amazonas, ofertavam o muiraquitã aos índios da tribo mais próxima, depois do acasalamento. A mística do presente oferecido aos índios visava a encorajar a fidelidade a elas e para que, ao exibirem-no, fossem respeitados, pois presentear um índio com um muiraquitã representava o ato sexual consumado entre uma Icamiaba e um índio. As icamiabas compunham uma sociedade rigorosamente matriarcal e se dessa união nascessem filhos masculinos, estes seriam sacrificados, deixando sobreviver somente os de sexo feminino. (wiki)

O grande clichê tradição manauara é você presentear ou carregar consigo um colar com este sapinho encantando no pescoço, "os mino pira", afinal, estamos falando de um ritual de acasalamento. Um outro aspecto desse "mito" pra lá de vivo, é a quantidade de tatuagens deste cururu verde nos corpos desta região, sensualizando geral. 

Pensando nesta perereca, carregada de todo poder simbólico... sucesso de público e crítica, é que um grupo de amigos de origem não-manauara-pesquisadores-do-inpa-infelizes-com-a-cidade, resolveram alugar um terreno baldio nas proximidades do coroado pra tomar cerveja e curtir uma paz amazônica, digo, para se manifestarem culturalmente exaltando a diversidade do recife (hã?) com um delicioso maracatu envolvente.


    Nação Zumbi, meu maracatu pesa uma tonelada.


Lá, você percebe que todo o seu guarda roupa combina com aquele lugar: vestidos floridos, saias rodadas, cabelos soltos e emaranhados, acessórios artesanais... aproveite pra  desentocar aquele seu maxi colar indígena lindo e brilhe neste evento, não vá com o muiraquitã, você seria acusado de metalinguagem.

O banho é opcional, no entanto, o clima/energia de paz e harmonia é unânime, se você não tiver um ex-namorado rondando por lá, nem aquele professor que te sacaneou naquela disciplina... é felicidade na certa! 

textos relacionados

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...