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segunda-feira, 18 de julho de 2016

Cachoeira da Neblina, Extermínio Waimiri-Atroari e Turismo

João Baptista de Oliveira Figueiredo foi o último presidente do regime militar (1979-1985). Há fatos importantes da meta-história do Brasil na "biografia" deste homem que gostaria de saber mais... Uma pena que em "Frentes de Expansão e Estrutura Agrária" Balbina tenha ficado de fora. Vamos focar em três pontos de seus atos de governo que nos interessam e dão um ponta pé inicial nesse texto turístico:

1. Criação do programa Grande Carajás;
2. Criação do estado de Rondônia;
3. Amplo programa de reforma agrária no norte do Brasil.

*


Há um município maravilindo no estado do Amazonas, que se chama Presidente Figueiredo. Apesar dele ser encantador e conhecido como Terras das cachoeiras / Waterfall lands <3 leva esse nome maldito nas costas para nunca nos deixar esquecer do passado sangrento desta adorável região.

Ao fazer as pazes com meus amiguinhos que entendem de fósforo, solo, rocha e passarinhos do Instituto Nacional de Pesquisa (INPA) pude conhecer uma parte [desconhecida até então] desta região que fez parte da minha infância.



Se tem uma coisa que esse povo da "natureza" sabe, é ter faro pra lugar lindo! Não há limites para as belezuras naturais que eles escondem na manga, parece uma sociedade secreta.

Entre as maravilhosas da equipe, estava a antropóloga-historiadora-mineira mais linda das redondezas e foi logo nos explicando sobre o Rio Urubu:

- Já ouvi falar que esse Rio Urubu tem esse nome pela quantidade de corpos indígenas que foram encontrados no período da ditadura no Brasil.

*

Inicialmente, gostaria de esclarecer, que nós só estávamos querendo passear, reencontrar antigos cachorrinhos, visitar um amigo, tomar sol e banho de cachoeira, comer frutinha, tomar café na Priscila. É inacreditável que este lugar tenha a marca de um dos maiores genocídios do Brasil.

"A ditadura militar e o genocídio do povo Waimiri-Atroari: "porque kamña matou kiña"?, originou-se da pesquisa que fundamentou o 1o relatório do Comitê Estadual de Direito à Verdade, à Memória e à Justiça do Amazonas, que revela com grande riqueza de detalhes e farta documentação os crimes da ditadura militar praticados contra aquele povo indígena, por ocasião da abertura da BR-174 que liga Manaus/AM a Boa Vista/RR. Atesta, ainda, que no período de 1972 a 1977 mais de 2.000 indígenas morreram assassinados e por doenças levadas pelos invasores de suas terras. O documento também denuncia uma estratégia cuidadosamente montada, que se mantém desde a ditadura militar até os dias de hoje, para evitar que a verdade, em toda a sua dimensão, seja revelada e de domínio público."


Foto do livro da Valéria {te amamos, saudades}
autografado e tudo pelo fofo do Egydio <3

Os coordenadores do Comitê da Verdade, Memória e Justiça do Amazonas, 
que foram responsáveis pela elaboração do livro foram Egydio Schwade e Wilson C. Braga Reis. 


"O foco do relatório, que foi encaminhado à Comissão Nacional da Verdade, incide sobre os Kiña, mais conhecidos como Waimiri-Atroari, cujos desaparecidos são identificados hoje por seus nomes, graças a um trabalho cuidadoso que ouviu índios em suas línguas, consultou pesquisadores e indigenistas, fuçou arquivos e examinou documentos, incluindo desenhos que mostram índios metralhados por homens armados com revólver, fuzil, rifles, granadas e cartucheiras, jogando bombas sobre malocas incendiadas.

O relatório se refere ao "desaparecimento de mais de 2.000 Waimiri-Atroari em apenas dez anos". Na área onde se localiza hoje a Mineradora Taboca (Paranapanema) desapareceram pelo menos nove aldeias aerofografadas pelo padre Calleri, em 1968.

A pergunta que mais se repete nos desenhos kiña e na sequência das narrativas de massacre é sempre a mesma: Apiyamyake, apiyemiyekî? Por que? Por que?

Os autores do relatório dão nome aos bois, informando as patentes e a identidade dos militares que comandavam a Sacopã no trabalho de segurança da Mineração Taboca/Paranapanema e no controle de todo acesso à Terra Indígena. " (Prefácio de José Ribamar Bessa Freire)

Pra quem tiver estômago, segue o link do "RELATÓRIO FIGUEIREDO" sobre esse massacre-genocídio-extermínio-matança-tortura-crueldade sob os conluios do queridíssimo-idolatrado Estado-nação protetor e amigo [são mais de sete mil páginas]:  http://6ccr.pgr.mpf.mp.br/institucional/grupos-de-trabalho/gt_crimes_ditadura/relatorio-figueiredo

*

O mais inacreditável, é perceber que pessoas que são da minha geração [e mais novos] ainda acreditam numa ideia de desenvolvimento tão precário e assassino quanto as de outrora. Até quando seremos vistos como um "imenso deserto" que se transformará no "celeiro do mundo"? Até quando o "primitivismo" e o "exotismo" vai tomar de conta? Arrisco dizer que isso é culpa da bosta do ensino médio que tivemos e de muitas péssimas universidades deste país! ou um projeto macabro e intencional de destruição em massa, talvez seja o mais honesto a afirmar. 

Desde sempre, não há um serumano que saiba "o que fazer" com a região mais florestosa do país:

V I V A  E  D E I X E  V I V E R 

é bem melhor que o fracasso de Delfin Netto
[golpista! veja "utopia e barbárie" do Silvio Tendler]:

p l a n t e   q u e  J o ã o   g a r a n t e

Já não basta os horrores da extração da borracha? o que querem agora? Já não basta o "progresso" de Mariana estampado nos quatro cantos do mundo? Querem continuar repetindo a fórmula em todo o país? Já não morreu gente/bicho/planta suficiente?

Novamente: eu só queria tomar um banho de cachoeira e comer frutinhas gostosas. : ~ não tem um lugar no mundo que você vá (ou tem?) sem sentir raiva ou o peso das mortes do progresso.

O município de Presidente Figueredo intriga, mas vamos piorar a situação, vamos falar de Balbina. O lago de Balbina era algo que meu pai e tios sempre frequentaram quando éramos crianças. Havia uma casa de uma parente próxima que era funcionária da Eletronorte. Sempre ficávamos hospedados no fim de semana ou feriados. Íamos em igarapés ou festinhas do clube, enquanto os homens adultos iam ao "lago" pescar.

Dentre os objetivos da BR-174, estava a criação da Mineração em Pitinga; Hidrelétrica de Pitinga; Hidrelétrica de Balbina e Grilagem na Terra Indígena. A economia do país estava de vento em popa [ironia].

Pela primeira vez na vida, em junho de 2016, eu conheci o lago de Balbina.




O céu estava maravilhoso, não é mesmo? Nem tenho mais vontade de falar sobre a floresta morta ao fundo. Mas, mais um vez, é necessário. A foto não capta, mas ao fundo, no horizonte entre o céu e o rio, há vários palitinhos horripilantes, que mais uma vez, nos lembram da Barbárie dessas ações BURRAS E ESTÚPIDAS em prol de um "crescimento econômico" do país com morte anunciada [bem antes da construção da hidrelétrica] por diversos especialistas.

O fim disso tudo? uma cidade fantasma, um abastecimento de energia que não dá nem pra uma festa junina, milhões de mortos e uma área gigante devastada. Parabéns a todos os envolvidos, enfiem o dinheiro das empreiteiras no cú, seus assassinos.

*

Antes do soco no estômago, ficamos na dúvida em qual cachoeira conheceríamos: a do Ipy ou a da Neblina. Como o nosso anfitrião-agrônomo-professor-gente boa não conhecia a da Neblina, optamos pela última.

A caminhada era de duas horas à uma hora e meia em mata fechada pra chegar na belezoca. Fingi que aguentaria pra não pagar de fresca-medrosa. Pensei que aquilo poderia melhorar meu condicionamento físico e diminuir meu colesterol. HAHAHAHAHAHAHA ai, ai.

O lugar, pelo que esclarece uma placa [que não fotografei ou anotei] é uma propriedade particular, no entanto tem parceria com a Universidade Federal do Amazonas e Unisol através de projetos de pesquisas.

Ao entrarmos na propriedade, avistamos uma casa e um cachorrinho [baby] fofinho que nos recebeu com muitos latidos calorosos. O Theo foi na frente com a Lay e a pessoa responsável, o Chico, nos informou que poderíamos visitar a cachoeira tranquilamente. Todos estávamos de chinelo e ele disse que não haveria problema.




A casa do Chico
Casa de forno, onde acontece a mágica da farinha :) 
O Theo levou algumas mudas de coqueiro do Chico pra plantar no IFAM :)


O Chico vende polpa de cupuaçu fresquinho, 
Ana comprou um monte pra fazer bolo, suco e doce :3 QUERO!


A classificação da fila indiana 

Durante a caminhada na mata fechada por uma hora e meia [fizemos em menos tempo, por sermos atletas: mentira, eu quase morri] fique atento à organização da fila, é fundamental. É necessário saber, implicitamente, que o primeiro, além de ter a obrigação de escolher o melhor caminho, rompe com todas as teias de aranha para os demais passarem, e está sujeito a todas as picadas de cobra que surgirem pelo caminho. A Lay tá de parabéns!

Apesar da trilha te deixar tonto de tanto olhar pro chão, 
ela é muito linda :3

Cogumelinhos de desenho animado <3


Flores peludinhas *.*



O último da fila, também tem suas obrigações, se aparecer algum felino pelas redondezas, ele será a presa mais fácil por estar no rabo da caminhada. O ideal, caso você seja covarde precavido como eu, é ficar no meio. Você corre o risco de matar as pessoas de susto toda vez que ver um calango pela frente. Poupe-os.

Dica: leve água, relógio, lanterna [vai que], algum tipo de doce, tênis [você vai ferrar sua coluna com havaianas] e aquelas calças de ginástica pra não arranhar nem ficar cheia de mucuim nas canelas.

Depois de subir, descer, pular/escalar/rastejar pelos troncos de árvores caídas, escorregar algumas vezes, andar loucamente, reconhecer cheiro de porco do mato no caminho [emocionante :))) ] e cogumelos fofinhos, flores peludinhas, aquele encantamento vai passando e você começa a se perguntar que diaxo você está fazendo ali, se aquela água não chega nunca. Ao alucinar com o barulho da água... ela aparece!

A primeira visão de água, a gente não esquece,
dobre a esquerda e continue.



Apesar de continuar a caminhada, ao menos você tem certeza que está no caminho certo e aquele barulho de água, junto com o igarapé amarelinho, te anima.


A cachoeira da Neblina: como ela é bonita!

Igarapé amarelinho de água geladinha :3


Eu tinha esquecido como é gostoso fazer uma hora e meia intensa de exercício, morrer de calor e cair numa água geladinha como essa. Literalmente, um oásis.

- Será que os waimiri vinham tomar banho aqui?
- Não sei, talvez. Aqui é tão bonito.

<3

Na volta, fiquei pensando... se eu fizesse aquele caminho da mata todos os dias, seria uma outra pessoa [bem melhor que a atual, inclusive] ahahahahaha

*

Em Manaus, o governo [interino] GOLPISTA, comunica ao país a seguinte proposta à Presidência da FUNAI:

General Peternelli é indicado à presidência da FUNAI

~Definitivamente, viver requer muito cinismo~

É inacreditável o que acontece embaixo do nosso nariz. Que espécie de gente macabra é essa?

HAJA ESTÔMAGO!!!! 

Recentemente, eu e Dani descobrimos que uma pessoa que convivemos por anos, inclusive fez graduação em Direito comigo, na mesma sala de aula, com os mesmos professores. Faz parte da bancada [ruralista] do Amazonas enquanto representante dos agricultores.

Soubemos através da seguinte notícia

"Bancada amazonense se posiciona contra demarcações de terras indígenas no Estado".
http://www.acritica.com/channels/governo/news/bancada-amazonense-se-posiciona-contra-demarcacoes-de-terras-indigenas-no-estado

"A bancada de deputados federais, senadores e representantes dos produtores rurais do Amazonas entregam hoje (5) ao ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, um manifesto contra a criação de cinco novas unidades de conservação e duas terras indígenas por meio de decretos assinados pela presidente Dilma Rousseff na véspera de ser afastada do cargo pelo Senado, na admissibilidade do impeachment em 12 de maio de 2016.

Os parlamentares e entidades ligadas à agricultura amazonense pedem que o presidente interino, Michel Temer, reconheça os vícios de inconstitucionalidade e de legalidade dos decretos de criação das Unidades de Conservação (UC’s) Parque Nacional do Acari, a Reserva Biológica do Manicoré, a Área de Proteção Ambiental dos Campos de Manicoré e as Florestas Nacionais do Aripuanã e Urupadi, além da ampliação da Floresta Nacional Amaná."


- não há limites para a ignorância, a luta é diária -



quinta-feira, 26 de maio de 2016

A história de uma obsessão

1 Filmes recomendados pelo lonely planet:

1.1 Antes do anoitecer - Javier Bardem está lindo de morrer, mas me pergunto, como um ator se presta a fazer um papel desses? o filme é super manipulador;

1.2 A cidade perdida - bonitinho e ordinário, as imagens são lindas, Andy Garcia tá um gato! o figurino é lindo, você quer todos os vestidos de Ines Sastre..., mas pelo título você saca qual é a do filme;

1.3 Che - legalzinho, mas o dvd que eu aluguei travou no final;

1.4 Nosso homem em Havana - não vi.

A seleção é uma merda! o lonely planet foi estupidamente infeliz na feitura deste guia nos aspectos culturais e históricos. ficou raso e nitidamente quer que cuba se torne os EUA, aquele lugar sim é legal, cheio de prédios novos e oportunidades, bem condizente com os filmes propostos.

2 Filmes recomendados pelo "google"... vi uns três no máximo:

2.1 Sete dias em Havana (2012):
2.2 A ilha da morte (2010)
2.3 Che (2009)
2.4 Che 2: A guerrilha (2008)
2.4 Viva sapato!
2.5 Dirty dancing: noites de havana (2004)
2.6 Diários de motocicleta (2004)
2.7 A rocha que voa (2002)
2.8 Recordações: Ernest Hemingway
2.9 O velho e o mar (1958)
2.10 Aconteceu em Havana (1941)


3 Documentários (eu acho):

3.1 Ao sul da fronteira (2009):



3.2 Chevolution: a história da fotografia mais reproduzida do mundo (2008):




3.3 Caminho para Guantanamo (2006):



3.4 Soy Cuba: o mamute siberiano (2005):



3.5 The sons of cuba - buena vista next generation (2004)



3.6 Suite habana (2003):



3.7 Buena Vista Social Club (1999)


Apesar de ter assistido apenas alguns, os documentários foram mais animadores que os filmes.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

redes, barcos e intelectuais de meia tigela

Hoje vou escrever sobre sobre a possibilidade de cura deste mal que corrói a alma: a preguiça.

Não falarei de uma cura stricto, proponho uma cura lato, qual seja, a preguiça de ler e escrever... as demais, cultive-as, chega um momento de nossas vidas que é só o que temos. 

Deusulivre de perder a sua priguicinha gostosa diária, tenho certeza que é lá que mora a felicidade, bem vizinha do ócio. 

"fulano passou o dia coçando o saco", essa frase é hipotética e cabe nas classificações hostis sobre alguém... mas de uma coisa tenha certeza, independente de quem seja fulano, ele é um cara de sorte e feliz. 

No entanto, como você é uma pessoa de ambições infinitas, que não aceita ser sucursal (essa palavra aprendi hoje) saiba que é possível driblar uma das espécies de preguiça que mais tem gerado transtornos na sua vida ultimamente: a preguiça de ler e escrever.

Diante dos primeiros sintomas, arrume uma mochila, separe aqueles livros que você julga importante, mas por favor, tenha critérios. 

lembre-se de costurar a alça e alguns bolsos da sua

Separe poucas mudas de roupa, eu disse POUCAS. aquela frescurada gostosa de tomar banho pra você nunca esquecer que é uma diva em qualquer circunstância... os remedinhos salva-vidas, seus óculos, o caderninho verde limão (o menor), vulgo diário, alguns lápis e canetas.

Munida deste equipamento de guerra contra esta doença que está atrapalhando sua vida, vá a "Manaus Moderna", aquele espaço fantástico que você viciou e encasquetou (é lá que tudo acontece!!!) e compre suas passagens de barco recreio com destinho "Manaus - qualquer lugar". O importante é você se manter sobre o rio Amazonas. 

Empresa: golfinho do mar II, volta de Santarém, rio Amazonas, jan. 2014.

É impressionante a quantidade de coisas que você irá ler no fundo daquela rede!

dormir. acordar. ler. dormir. acordar. ler. dormir. tirar fotos. ler. conversar. escrever. ler. dormir. comer. tomar banho. ler. dormir. ler. dormir. ler. dormir. escrever. ler. dormir. comer. comer. dormir. ler. dormir.

Em menos de um mês, nesse ritmo, você destrói e constrói o mundo, revisa toda a bibliografia do seu mestrado, escreve e pensa sobre mil tipos de pegações e sacanagens, cultiva os pensamentos mais promíscuos à serem realizados num futuro próximo (favor levar um livro BOM com essa finalidade) e com otimismo, você até rascunha o projeto do seu doutorado!

Você irá se tornar uma intelectual das águas, nenhuma novidade no mundo antropológico, Koch Grunberg, Alexandre Rodrigues Ferreira, Ermanno Stradelli, Curt Nimuendajú (...) morreriam de orgulho... é puro luxo você se aproximar dos "modos de fazer" dos primeiros viajantes e da etnologia clássica, um charme só!

Tire auto retrato lendo naquele mosaico apaixonante de cores e tecidos e publique nas redes sociais, sucesso total!

Empresa: Amazon Star, ida para Santarém, dez, 2013.
"dica para se tornar popular no instagram e demais redes sociais" 

O barco não te isola do mundo, ele te proporciona uma outra experiência que eu não sei explicar. um barco não é uma ilha, nem uma biblioteca... e toda aquela paisagem móvel de barrancos, boizinhos, casinhas, cerquinhas, árvores, canteiros, plantações de macaxeiras, mandiocas, bananas, telhados de zinco, de palha,  telhados coloridos, açaizeiros caneludos, antenas parabólicas, caixas d'água, carcaças de canoas, milharais, malhadeiras, varandas e girais que multiplicam vidas, varal de roupas coloridas que enfeitam as casinhas distantes lembrando as amadas e memoráveis festas juninas na sua casa, boi preto, boi branco, boi marrom, podem ser vacas... o barquinho  tá rápido e não consigo ver os chifres (UFA! antes vaca do que boi), igrejas, escolas, postes, fios de alta tensão, campinhos de futebol, uma moça que varre a varanda, o banheiro separado da casa, os meninos e meninas que pulam no furo/igarapé, o homem vestido de azul que monta o cavalo e guia os bois, a mulher que saiu da roça com uma bacia vermelha nas mãos, a árvore caída no barranco, o barquinho lotado cheio sorrisos, redes e mãos acenando... os pássaros brancos, pretos, amarelos, coloridos que voam na altura da sua rede... ai, ai, ai.

rio Amazonas, janeiro, 2014


Toda essa paisagem móvel, vista do fundo da sua rede, te convida a pensar sobre esse outro planeta, que durante muito tempo você o ignorou, sabe-se lá porque.

Aguarde, arrume e segure a munição... não atire agora, foco na dissertação.


Sugiro as agencias que fomentam pesquisas no país, CNPq, FAPEAM, CAPES, Fundação Ford (...) a viabilizar recursos aos pesquisadores que estão em treinamento, vulgo, pobres pós-graduandos sedentos por viagens de barco... a fim de concluir suas dissertações, falo muitíssimo sério.



"Façam alguma coisa na vida de vocês! peguem um avião, vão pra Iquitos, desçam até Manaus de barco, façam algo! escrevam! não entendo qual o problema de vocês, tem pouca leitura! nenhuma visão crítica de nada! ao menos vão viajar, conheçam alguma coisa!"

então tá né?

Presente do fim do dia:

rio Negro, janeiro, 2014


É muito difícil não comprometer o olhar pelo tamanho desse rio,
por esse(s) por do sol mais lindo do mundo...


amazonas moreno, raízes caboclas.






segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

santarém e o barco recreio: histórias de amadores

balsa amarela, manaus moderna, rio negro, 2013.

- comprei passagem aérea para alter do chão (Santarém) de R$ 180,00 ida e volta;
- sério?! vou procurar! :D

(...)

não se iluda.

Esse diálogo é um clássico da frustração Manauara. aceite: você nunca irá encontrar tais passagens por tal valor... e se você faz parte do grupo que se acha constantemente violentado com os preços das passagens aéreas e nutre um ódio profundo por esses indivíduos "antenados/iluminados"... saiba que você pode encontrar um lugar ao sol mesmo na lisura e pão durice.

A maior bacia fluvial do planeta encontra-se no quintal da sua casa! Espalhe aos quatro ventos que você NÃO quer ir a Alter do Chão de avião por questões ideológicas... nunca pelo bolso! e que seria bem mais interessante mergulhar nessa viagem nos deliciosos barcos recreios que transportam um zilhão de pessoas e mercadorias diariamente nessas gigantescas estradas de rio. (prometo diminuir os adjetivos megalomaníacos, com o tempo)

*

Ao comprar as passagens de barco, a maravilhosa Vanusa nos avisou que deveríamos chegar cedo, umas 5:00, 6:00 da manhã para pegarmos lugar na área com ar-condicionado no barco, ela acrescentou que ficava no "segundo andar".

Uma das integrantes da equipe nos advertiu: 
"não vai lá! pessoas vomitam, peidam, cagam, fica um cheiro horroroso".

ok, dica anotada.

Acontece que após a ceia de natal, mesmo sem ter organizado sua mochila e sabendo que viajaria no dia seguinte, você decidiu dormir... pensou: "coloco para despertar as 4:00"

4:00, ai tá cedo, 4:30, só mais um pouquinho... vou levar pouca coisa mesmo, 5:00, ah, levo dois vestidos e dois biquínis, tá bom... 6:00, só vou com a roupa do corpo, lá vejo alguma coisa pra usar, só levo minha rede... 6:30, PUTZ, tô atrasada! o barco vai lotar! apesar do atraso, não esqueça os livros pra você pagar de intelectual no barco, puro luxo. 

Em resumo: chegamos as 8:00 no barco e a cena era um mix de arca de noé, titanic e caos. trocentas milhões de pessoas com as suas redes atadas, algumas tinham ido na noite anterior para garantir o "seu lugar".

Ao descartar a "área com ar-condicionado" não só pelos possíveis cheiros, mas principalmente por critérios de: observação da paisagem, ventinho na cara, solzinho gostoso... e obviamente MEDIDAS DE SEGURANÇA! gente, se o barco vira, eu quero ter a chance de pular e nadar pra beira sabe? não faz sentido eu ficar trancafiada num "aquário"diante de tanto custo benefício... sem contar a rotatividade de vírus que circula nesses ambientes "climatizados"! era demais pro seu pobre miolinho que naquele momento já estava fumaçando de ódio e fome. 


Chegando no terceiro andar do barco, apesar do som ensurdecedor de uma música que você não gosta, já fomos nos enxirindo para armar a rede... eis que aparece o "dono do barco"e diz delicadamente: 

- aqui é o bar, só pode subir se o barco lotar.

esqueça as aulas de direito do consumidor que você assistiu, argumentos não adiantaram. descemos. quis chorar quando aquela ideia gostosa de viajar pelos rios balançando na rede, lendo um livro, com ventinho na cara foram tomados pelo caos, tumulto e um emaranhado de redes presos num "aquário"que me impossibilitaram, inclusive, de ter acesso à vista do rio e florestinhas que compõem a paisagem. 

o detalhe é que depois que o "atador oficial"encontra um local, você deve pular na sua rede e ficar por lá até o barco sair, as 10:00.

ah, a notícia ruim é que ele vai atrasar DUAS HORAS, só sairá ao MEIO DIA o bonitão. Enquanto isso o barco vai enchendo de gente... e é aí que entra a finalidade de você estar deitada na sua rede igual uma barata arreganhada. 

Aquilo ali é uma luta "velada"por território, vou explicar:

A organização das redes é marcada por uma informalidade absurda, onde diversas vezes pude ouvir:

- Aqui não! não tem espaço!

Me senti numa área de retomada, igual aos Tupinambá de Olivença, enquanto estratégia para garantir seu direito à terra. experimente sair, vão atar rede em cima da sua cabeça!

O espaço é negociado tanto através do enfrentamento quanto da cordialidade, sendo esta última um tanto rara nesses primeiros momentos. entenda as regras, não é pessoal. 

Segundo o querido Jonatham, cantor de funk gospel que deitou uma rede depois da minha, disse que o "melhor lugar de rede" são as pontas do meio.

"você fica no ventinho e as pessoas não ficam pegando em você, isso é chato".

fique no solzinho amarelo, é perto das janelas e longe dos banheiros.
(tô com uma leve dúvida se esse pseudo fica no plural, favor ignorar, será um saco corrigir)

Note que Natasha ficou no meio, no miolo, sem janela, no "não fique aqui". mas calma. 

Após a negociação de "lugar da rede" você começa a perceber que faz parte de um coletivo no barco, onde pequenos movimentos em longínquas extremidades reverberam em você. corpos apenas de toalha, carinhosamente batizado de "o tarado da toalha" a dois palmos da sua cara, crianças correndo embaixo da sua rede, sorrisos bêbados e maliciosos na sua direção, o calor absurdo, o barco que não sai, a sua mochila que compartilha o mesmo espaço com outras dezenas... esqueça a ideia de "propriedade privada".

A imposição de fé cega no desconhecido que irá dormir ao seu lado sugerem uma intimidade tão brutal que a resposta vinha na desconfiança e a ansiedade cada vez maior naquela espera interminável. 

você mergulhou num mar de gente. literalmente. até asfixia psicológica você sente.

parecia os primeiros sintomas de uma reação alucinógena experimentada recentemente... aproveite e faça o mesmo esquema: feche os olhos, concentre na respiração, se acalme.

substituí a bolacha de motor/defunto pelos meus "biscoitos de biblioteca", comi alguns chocolates.

Bolacha de motor
dormi, acordei, dormi, acordei, dormi, acordei, dormi, acordei. peguei um dos livros que eu trouxe, dormi, acordei, dormi, dormi, acordei, dormi, acordei, comecei a ler. era o "cidade ilhada"do milton hatoum.



"A natureza é o que há de mais misterioso..." pg. 99

parei, pensei... fiquei um tempo quieta ali com aquela frase na cabeça... ouvi alguém me chamando:

- vem ver o encontro das águas! olha que lindo! 

aquile convite não te seduziu de nenhuma forma, amazônia não é só paisagem, o mistério não está na floresta ou nos rios... tá nesse mutueiro de gente e rede aqui, não quero saber de paisagem! 


*

ok, abra uma exceção para o por do sol! hahahahahahah

por favor não resista! saia da rede! rio amazonas, dezembro, 2013.


ADVERTÊNCIAS: será difícil sair da rede. tanto exotismo, frescura e essencialismo as vezes enche o saco... faça um exercício e não se torne um turista babaca. barcos recreios te proporcionam experiências viscerais, incríveis. vou me manter nessa rede-olho-do-furacão até o final da viagem... é impressionante o que se vê daqui e por aqui... arrisco dizer que o ser humano é o que há de mais misterioso... adorei!

Sigo construindo minhas verdades provisórias... dicas de como tomar banho no barco e se manter uma diva do rio Amazonas no próximo texto. 







terça-feira, 24 de dezembro de 2013

PARÁ: santarém, alter do chão.

Inicialmente, gostaria de agradecer ao google por viabilizar o conhecimento de "como fazer um print nesse teclado desconhecido". Munida desse conhecimento fantástico (Fn+Insert PrintScr), você finalmente pode utilizar aqueles mapas tão sensacionais do google maps



Diante deste mapa cheio de profissionalismo e habilidades técnicas no amado paint, você percebe que entre a sua cidade (Manaus) e o seu objeto de desejo (pará, santarém, alter do chão) não há estradas - neste momento, por razões que serão explicadas no texto seguinte, o avião está fora de cogitação - e o caminho que te permite chegar nesse paraíso é o colossal (adjetivo brega) rio Amazonas. 

O primeiro passo é você ir a "manaus moderna", localizada na região do centro. Pode-se dizer que ela é um complexo de feiras sensacionais: a feira da manaus moderna e a feira da banana, que estão na beira do AMADO rio Negro. (suspiros...), tente imaginar a vista. Além disso, essa região comporta um intenso fluxo de pessoas, barcos, mercadorias, sons... impressionante aquele lugar! beijo pra equipe da disciplina de prática de pesquisa que andou batendo perna por ali no ano passado :*

Vá no fim de tarde, aproveite pra comprar um peixinho (pode ser tambaqui, matrinxã, sardinha, pacu...) pra assar e/ou banana pacovã pra fazer aquele festival de banana frita com suco de maracujá ou cupuaçu na sua casa. a parentada pira!

Logo na beira, existe uma porção de barraquinhas com faixas atrás com as imagens dos barcos e os seus respectivos trajetos. Os preços de IDA, nos barcos recreios, variam de 100 a 150 reais, vai depender da sua lábia. aproveite pra se divertir e treinar a retórica! a saber, comprei por cem! ahahahahahaha

Essa é a corajosa e querida Vanusa, que desmontou o cartel masculino de 150 pilas! 

(não achei o cartão da Vanusa... quando encontrar posto aqui)

Sugiro o fim de tarde, porque ninguém merece cozinhar no sol do meio dia... e você aproveita pra desfrutar dessa belezura aí:

torne-se a sensação do instagram.

Essa imagem, feita no parapeito da Manaus Moderna, é só o início de sua viagem para esse lugar fantástico, compre sua passagem com alguns dias de antecedência e chegue BEM cedo pra atar sua rede num "local legal", mais detalhes sobre essa categoria "local legal de rede", depois de vivê-la.

Embarco daqui algumas horas no Amazon Star com minha rede, alguns livros e um punhado de gente amada.


5 a seco, feliz pra cachorro.

De Manaus até o Pará!

domingo, 27 de outubro de 2013

café regional da Priscila

Não sei o que é mais gostoso, botar o pé na estrada ou viajar de barco, que delícia!

Voltando a saga "Anavilhanas", pegamos a estrada AM - 070 e numa meia hora, chegamos no café regional da Priscila. Desde que eu me entendo por gente, tomar café na estrada, ou melhor, ir ao Rio Preto da Eva, por exemplo era um clássico do fim de semana... detalhe, fica a 80 km de Manaus.

Essa mísera meia hora, pode ser transformada numa eternidade se você está com fome...
mas eis o que te espera:

Tapioca, tucumã, queijo, pé-de-moleque, cuscus,
banana frita ou cozida, farinha de tapioca, pamonha...

mas calma, não foi só você que teve essa ideia brilhante de viajar no feriado... ¬¬
o café da Pri, fica do lado esquerdo da estrada, próximo ao km 13.

Nem se anime achando que vai ter uma plaquinha toda bonitinha pra ti guiar, faça um cálculo mental sobre a sua localização... a estrada tem pouca sinalização, fique atento ao fuzuê de carro que você vai encontrar em frente ao estabelecimento, lota!


Por motivo de força maior, saímos de Manaus dez pras oito... rs, e chegamos ao café uns trinta minutos depois... 

Se algum dia você achou que tinha prestígio por ser metido a besta, esqueça. 
Fique na fila e espere sua vez.




Um rapaz anota seu nome (e a quantidade de pessoas que está com você) e daí você passa a aguardar o seu momento. A esta altura, sua fome estava te dominando... você passou a falar menos e avistar uma mesa vazia naquele recinto foi quase um oásis nesse mar de gente.

O desespero é psicológico, no máximo você espera uns cinco minutos.

Entre, faça amizade (entranhada mesmo) e peça para tirar fotos!



as belezuras ficando prontas!


Tá vendo esse restinho de farinha de tapioca no cantinho da "chapa"? PEÇA! eles vão te dar de graça! Sua mãe te ensinou a AMAR essa farofinha, conte essa história, eles vão te dar, o nome certo é "mixirica". É simplesmente uma delícia, torradinha, salgada, saborosa... não é lixo! ahahahahahah, encha um saquinho de papel e vá comendo na viagem :D

Já aprumada na mesa (UFA) faça o pedido, o problema é escolher... 




Se assustou com o preço da tapioca? dá pra três pessoas famintas tranquilo! 

Tapioca de queijo, tucumã e castanha.
Não esconda sua fome, ataque!
Só o primeiro pedaço já te enche, sério.

eu amo o café da priscila, nunca negue um convite desses, 
café regional é amor.






não esqueça de "na volta" passar lá e comprar pé-de-moleque, tapioca com castanha, pamonha, doce de cupuaçu... pra sua parentada, eles vão perguntar como foi sua viagem só por educação, mas no fundo estarão sempre esperando o seu "kit café da pri", igual a você! hahahahah

abasteça o buchinho e siga viagem na AM - 070 e não esqueça a "mixirica", 
são mais duas horas pela frente.
















sábado, 26 de outubro de 2013

Parque Nacional Anavilhanas, prelúdio.

Se você cedeu e resolveu ir à Anavilhanas, mesmo com todos os seus compromissos acadêmicos e prova de francês agendada, parabéns! o seu nível de cara de pau está altíssimo.

Na ausência de informações de como chegar lá, onde ficar, quanto custará a empreitada... é que você fica puto! indignado, por não saber o que te espera.

Voltando ao jornal: 


"manter turistas" só se for! porque se depender de estimular outros... tá difícil.

A imagem tá ruim e eu vou digitar o que interessa:

"... o município de Novo Airão, a 180 quilômetros de Manaus... aproximadamente 83% do seu território é composto por unidades de conservação como o Parque Nacional do Jaú e o Parque Nacional de Anavilhanas, que abriga o maior arquipélago do mundo, em água doce, e com inúmeros atrativos naturais...".

PARQUES NACIONAIS NO PLURAL?????
calma, segure a ansiedade.

Não tenho muita literatura sobre questão ambiental...
mas essa definição da wiki quebra o galho:

Um parque nacional é uma área de conservação, geralmente de propriedade Estado, que tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de ecoturismo turismo ecológico. 
*
Os Parques Nacionais, assim como outras unidades de coonservação federal, são geridos pela autarquia federal ICMBIO - Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, criado em 2007.

chegue com essa notícia para a equipe.

- Vamos para Novo Airão amanhã, as 5:00;
(silêncio)
- tá... mas antes vamos parar no Café da Priscila né?
- SIMMMM (coro).

Em resumo, diante dessa viagem às cegas, você só tem dois objetivos:

1 Chegar ao município de Novo Airão inteira;
2 Encher o seu buchinho no café regional da Priscila.

OBS: Fomos pela estrada AM-070, através da ponte bilionária que corta o rio Negro.

Ponte, Rio Negro.










quinta-feira, 24 de outubro de 2013

aniversário de Manaus e o jornal do commercio



Antes de voltar pra casa, ali no sinal mais demorado do universo, o que fica de frente pro antigo Vivaldão... estavam vendendo o "jornal do commércio" em comemoração aos 344 anos de Manaus...  por razões que eu não sei explicar, eu sempre compro.

- quanto?
- quinze..
- eu quero moço! rapidinho, deixa eu ver aqui...

e lá peguei a minha caixinha recheada de jornal e como "brinde" um DVD e uma caneta! YES!




Mesmo tarde, sentei na mesona da cozinha e fui folhear o danado. Encontrei vários rostos conhecidos dessa vida de UFAM e adjacências... gostei, em especial, do Otoni, falando da arquitetura dos prédios históricos e do menosprezo que a cidade tem com as casas de palafitas... adorei! muito verdade! e a interessante metáfora da "alma de borracha" que o querido Guará escreveu... bom pra pensar.

No meio de vários depoimentos sobre os bairros de Manaus e alguns municípios fronteiriços... fui separando os meus favoritos e rabiscando loucamente tudo que me interessava com a minha caneta nova. Logo me deparei com Iranduba... Novo Airão. Por PURA coincidência, tinha TUDO a ver com o papo das luluzinhas de poucas horas atrás no Speto... o fantástico arquipélago de Anavilhanas e as possibilidades do feriado.

Experimente procurar informações de como chegar aqui (SIM!!! UHUUUU) e desfrutar de passeios pelos arquipélagos, um inferno! No entanto, com um bom tino (e muito saco) pra quebra cabeça, se vai longe. 

Vou fazer um mapinha :D

*

Hoje, no almoço de tambaqui mais gostoso e barato do mundo, vi no noticiário da tv sobre a inauguração do mercado municipal... muito emocionante... são tantas histórias, tantas lembranças, inclusive a de um certo garotinho que vendia picolé e sacos de feira nos corredores do mercado da década de 60-70... 

Estou doida pra ver como ficou!!!!!

Amanhã conto mais, pois aqui, nesse mar de água doce e areia branquinha (ui!), 
a regra é dormir logo que a voadeira sai cedo! 

Beijos,

Natasha, a exibida.

ps: faço votos que a net/wifi da minha casa tenha voltado... ficar OITO DIAS sem internet é de ferrar a vida de qualquer um. 








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