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terça-feira, 1 de abril de 2014

The raven (1845), Edgard Allan Poe


The Raven

Tradução: O corvo

Once upon a midnight dreary, while I pondered, weak and weary
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
As of someone gently rapping, rapping at my chamber door.
"Tis some visitor," I muttered, "tapping at my chamber door;

Only this, and nothing more."

Ah, distinctly I remember, it was in the bleak December,
And each separate dying ember wrought its ghost upon the floor.
Eagerly I wished the morrow; vainly I had sought to borrow
From my books surcease of sorrow, sorrow for the lost Lenore,
For the rare and radiant maiden whom the angels name Lenore,

Nameless here forevermore.

And the silken sad uncertain rustling of each purple curtain
Thrilled me---filled me with fantastic terrors never felt before;
So that now, to still the beating of my heart, I stood repeating,
"'Tis some visitor entreating entrance at my chamber door,
Some late visitor entreating entrance at my chamber door.

This it is, and nothing more."

Presently my soul grew stronger; hesitating then no longer,
"Sir," said I, "or madam, truly your forgiveness I implore;
But the fact is, I was napping, and so gently you came rapping,
And so faintly you came tapping, tapping at my chamber door,
That I scarce was sure I heard you." Here I opened wide the door;

Darkness there, and nothing more.

Deep into the darkness peering, long I stood there, wondering, fearing
Doubting, dreaming dreams no mortals ever dared to dream before;
But the silence was unbroken, and the stillness gave no token,
And the only word there spoken was the whispered word,
Lenore?, This I whispered, and an echo murmured back the word,

"Lenore!" Merely this, and nothing more.

Back into the chamber turning, all my soul within me burning,
Soon again I heard a tapping, something louder than before,
"Surely," said I, "surely, that is something at my window lattice.
Let me see, then, what thereat is, and this mystery explore.
Let my heart be still a moment, and this mystery explore.

"Tis the wind, and nothing more."

Open here I flung the shutter, when, with many a flirt and flutter,
In there stepped a stately raven, of the saintly days of yore.
Not the least obeisance made he; not a minute stopped or stayed he;
But with mien of lord or lady, perched above my chamber door.
Perched upon a bust of Pallas, just above my chamber door,

Perched, and sat, and nothing more.

Then this ebony bird beguiling my sad fancy into smiling,
By the grave and stern decorum of the countenance it wore,
"Though thy crest be shorn and shaven thou," I said, "art sure no craven,
Ghastly, grim, and ancient raven, wandering from the nightly shore.
Tell me what the lordly name is on the Night's Plutonian shore."

Quoth the raven, "Nevermore."

Much I marvelled this ungainly fowl to hear discourse so plainly,
Though its answer little meaning, little relevancy bore;
For we cannot help agreeing that no living human being
Ever yet was blessed with seeing bird above his chamber door,
Bird or beast upon the sculptured bust above his chamber door,

With such name as "Nevermore."

But the raven, sitting lonely on that placid bust, spoke only
That one word, as if his soul in that one word he did outpour.
Nothing further then he uttered; not a feather then he fluttered;
Till I scarcely more than muttered,"Other friends have flown before;
On the morrow he will leave me, as my hopes have flown before."

Then the bird said,"Nevermore."

Startled at the stillness broken by reply so aptly spoken,
"Doubtless," said I, "what it utters is its only stock and store,
Caught from some unhappy master, whom unmerciful disaster
Followed fast and followed faster, till his songs one burden bore,
Till the dirges of his hope that melancholy burden bore

Of "Never nevermore."

But the raven still beguiling all my fancy into smiling,
Straight I wheeled a cushioned seat in front of bird and bust and door;,
Then, upon the velvet sinking, I betook myself to linking
Fancy unto fancy, thinking what this ominous bird of yore,
What this grim, ungainly, ghastly, gaunt, and ominous bird of yore

Meant in croaking, "Nevermore."

Thus I sat engaged in guessing, but no syllable expressing
To the fowl, whose fiery eyes now burned into my bosom's core;
This and more I sat divining, with my head at ease reclining
On the cushion's velvet lining that the lamplight gloated o'er,
But whose velvet violet lining with the lamplight gloating o'er

She shall press, ah, nevermore!

Then, methought, the air grew denser, perfumed from an unseen censer
Swung by seraphim whose footfalls tinkled on the tufted floor.
"Wretch," I cried, "thy God hath lent thee by these angels he hath
Sent thee respite---respite and nepenthe from thy memories of Lenore!
Quaff, O quaff this kind nepenthe, and forget this lost Lenore!"

Quoth the raven, "Nevermore!"

"Prophet!" said I, "thing of evil!--prophet still, if bird or devil!
Whether tempter sent, or whether tempest tossed thee here ashore,
Desolate, yet all undaunted, on this desert land enchanted
On this home by horror haunted--tell me truly, I implore:
Is there is there balm in Gilead? tell me tell me I implore!"

Quoth the raven, "Nevermore."

"Prophet!" said I, "thing of evil--prophet still, if bird or devil!
By that heaven that bends above us--by that God we both adore
Tell this soul with sorrow laden, if, within the distant Aidenn,
It shall clasp a sainted maiden, whom the angels name Lenore
Clasp a rare and radiant maiden, whom the angels name Lenore?

Quoth the raven, "Nevermore."

"Be that word our sign of parting, bird or fiend!" I shrieked, upstarting
"Get thee back into the tempest and the Night's Plutonian shore!
Leave no black plume as a token of that lie thy soul spoken!
Leave my loneliness unbroken! -- quit the bust above my door!
Take thy beak from out my heart, and take thy form from off my door!"

Quoth the raven, "Nevermore."

And the raven, never flitting, still is sitting, still is sitting
On the pallid bust of Pallas just above my chamber door;
And his eyes have all the seeming of a demon's that is dreaming.
And the lamplight o'er him streaming throws his shadow on the floor;
And my soul from out that shadow that lies floating on the floor
Shall be lifted nevermore!


Os simpsons, o corvo (tem legendado)

domingo, 23 de março de 2014

Daniela Arbex: a mulher que sabia javanês



- Tens levado uma vida bem engraçada, Castelo ! 
- Só assim se pode viver... Isto de uma ocupação única: sair de casa a certas horas, voltar a outras, aborrece, não achas? Não sei como me tenho agüentado lá, no consulado ! 
- Cansa-se. mas, não é disso que me admiro. O que me admira, é que tenhas corrido tantas aventuras aqui, neste Brasil  imbecil e burocrático.

Fonte: O homem que sabia javanês, Lima Barreto. 

A burocracia se tornou uma ferramenta para matar, pra você que acredita na ONU e acha que ser ativista dos direitos humanos é fofura total, tome cuidado, a fogueira, a forca, a cadeira elétrica foram substituídas.

É um papelzinho aqui, uma lei acolá... e zás! adeus liberdade, a morte é certa! para aprofundar e criar argumentos memoráveis de boteco, leia sobre a "judicialização da política".

Ando muito impressionada com um livro que li recentemente da Daniela Arbex, essa jornalista mineira é incrível.

LEITURA OBRIGATÓRIA!


Se pra você, o "inferno eram os outros" ou os alemães e as atrocidades da segunda guerra mundial, prepare-se, o buraco é mais embaixo ou em Barbacena... aquela cidade mineira, cheia de flores, docinhos e queijos, que ficou nacionalmente conhecida pelo personagem da "escolinha do professor raimundo", Joselino Barbacena. 


Essa foi a principal lembrança de Barbacena até ter acesso as histórias e fotos do livro de Daniela:

foto: Luiz Alfredo, da então revista O Cruzeiro

foto: Luiz Alfredo, da então revista O Cruzeiro

foto: Luiz Alfredo, da então revista O Cruzeiro

foto: Luiz Alfredo, da então revista O Cruzeiro



foram 60 mil mortos entre os anos de 1903 a 1980


Coisas que não vão sair da sua cabeça:

uma decisão "brilhante" (sem ironias, essa ideia foi aderida em outras instituições) do Estado de aumentar o número de leitos no hospital colônia com camas de feno, sim, palha (!) onde era impossível fazer a higiene de fezes, urinas, além da proliferação de roedores e insetos de toda qualidade que você imaginar.

a outra ideia brilhante, foi fazer um curso de "tratamentos com choque"... as cozinheiras ou responsáveis pela limpeza eram "treinadas" para manipular as máquinas... mas esse treinamento era feito com os próprios pacientes... "puxa vida, esse morreu, mais sorte na próxima maria, vamos baixar a frequencia, pega outro paciente".

os que se cobriam sua barriga com fezes, para que não fossem tocados ou violentadas de alguma forma, mulheres grávidas utilizavam essa técnica com frequência.

a comida que mesmo com variedades de legumes e verduras nas hortas, era feita sem, "pois não havia quem cortasse".

a mais chocante de todas, foi a prática corriqueira dos funcionários, de deixar os pacientes no meio do "pátio" sem roupa, com frio... tente imaginar a temperatura em Barbacena, se quando o tempo fica nublado (ou chove) em Manaus você já tira aquele seu casaquinho da gaveta, imagina pelada, com fome e ao relento no sudeste do país. 

Eles se agrupavam e dormiam empilhados para driblar o frio, muitos amanheciam mortos, asfixiados, ou pela baixa temperatura. os que não sobreviviam eram decompostos em ácido para virar sabão, no pátio mesmo, quando os corpos começaram a não ter mais interesse nas faculdades de medicina... gente, o que é isso... estamos falando de meados de 80 (MIL NOVECENTOS E OITENTA) e sabe-se lá até quando isso ainda ocorre.

salve Franco Basaglia!


Referência mundial para reformulação da assistência à saúde mental
1924-1980, Veneza

As universidades/faculdades de medicina também foram cúmplices, havia/há um comércio abominável de corpos e a grande maioria do hospital colônia era (quando era) diagnosticada com tuberculose, ou seja.

Eles eram a escória da humanidade, mas asfaltaram ruas, trabalharam na construção civil e nas hortas em regime de escravidão total... isso não tem trinta anos... mesmo após a lei 180 de 1978.

Os considerados loucos eram, muitas das vezes, pessoas que estavam tristes, mulheres com TPM, mulheres que brigavam com os pais e gritavam na rua, prostitutas, bêbados, mãe solteira... se identificou com alguma? aliviou por não ter nascido em Barbacena? você, muito provavelmente, teria sido colocado no "trem de doidos" e seria uma vítima do hospital Colônia.

70% dos internados não tinham "doença mental".

Fiz uma disciplina que sempre quis fazer e, recentemente, foi inaugurada em Manaus no PPGAS/UFAM: "antropologia do direito". pra você que gosta de ficar exibidinho e afiado é uma ótima! Li alguns textos sobre o Estado... e estou terminando o trabalho final falando de reservas/parques e terras indígenas da etnia Mura.  
Sinceramente? você chega a conclusão que essa bosta toda de estado e lei, é uma ficção, uma cadeira elétrica. percebi que o tempo todo, estamos num treinamento idiota pra falar Javanês sabe? e que eu tenho muita dificuldade em aceitar esse papel de coadjuvante/cúmplice/vítima das ações de um louco desenfreado. mudez, ódio e roupantes são sentimentos constantes. 

pergunte-se bem rapidinho, onde estão os "loucos", "os presidiários", "os usuários" e tente imaginar em quais condições eles vivem. este exercício serve para as ditas "instituições totais", temas favoritos de Foucault.

Ah, ele também esteve em Barbacena!

No livro diz que o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) fez uma pesquisa em 2004 (DOIS MIL E QUATRO) e sabe-se que existem 28 (VINTE E OITO) instituições com as mesmas práticas do hospital de Barbacena até hoje, tente dormir com essa... até quando você vai dar poder pra essa cambada de filho da outra?

Enquanto isso, no lustre do castelo, você toma seu leitinho quente com farinha láctea antes de ir pra sua caminha gostosa, falando mau daqueles seres pavorosos e sem classe que frequentam shopping center. hã? uma país de imbecis.

castelo rá-tim-bum

Ontem estava andando pelo bairro e vi uma senhora que costuma caminhar nua pela rua com um sorriso sempre enigmático no rosto. pela primeira vez na vida, não senti vontade de levá-la para nenhum outro lugar, nem cobrir o seu corpo, finalmente aprendi que ela pode andar do jeito que quiser, por onde quiser... livre são os "loucos"! os incomodados que se retirem/se mudem/se matem (grata), o quanto antes, muito obrigada Daniela Arbex.

Estou doida pra escrever e mostrar as fotos das "ruínas de paricatuba"! 
mas precisava dessa introdução do livro da Dani.

Dani e Luiz, o fotógrafo das imagens utilizadas no livro, do hospital colônia.


*

Me propus a ler três livros de "ensino médio" por esses dias:

1. O triste fim de policarpo quaresma (Lima Barreto), por sorte, tenho em casa. tio Fabinho fez vestibular em mil novecentos e bolinha e esqueceu por aqui;
2. O homem que sabia javanês (Lima Barreto), baixei na net, é um pdf porco!
3. Urupês (Monteiro Lobato), fiquei com vontade de comprar, ao mesmo tempo quero aprender a usar o kindle pra ler essas coisas mais básicas em pdf e comprar só os livros metidinhos sabe? mas nem sei, tô em transição, falta espaço pra livro e a mochila de viagem anda pesando demais... ando nutrindo fortes desejos por um tablet. mas gosto tanto de livro... ai... :~, vamos ver.

*
por favor, parem de me chamar pra beber! tenho que defender em março e ando arrumando muita sarna pra me coçar! ok, mentira. se não chamar vou ficar puta e acrescento, beber E comer por favor. caldeira só em data comemorativa, faço votos que reformem sua cozinha. 



ps: esse texto estava escrito desde janeiro (acho)... rolêzinho no shopping ainda era notícia.


sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

a guerra do fim do mundo e libertinagem

advirto: essa história é ridícula, invejosa e mesquinha.

tem um ano mais ou menos, que vi/ouvi duas pessoas conversando sobre Mario Vargas Llosa... na hora fiquei pensando: que autor é esse?! senti uma mini raivinha por não saber de quem se tratava...

Mario Llosa

Mario seduzindo geral
Mario sendo sexy, sem ser vulgar. :P

Esse peruano pega/pegou geral, certeza.

A raiva e a inveja só foram aumentando... como estávamos discutindo sobre a guerra de canudos, não entendi porque os dois sujeitos em questão falavam com intimidade sobre "a guerra do fim do mundo"... que diabos de livro era esse?! E falavam com emoção, paixão, admiração... aquilo foi me corroendo por dentro sabe? era alguém que eu já deveria no mínimo ter ouvido falar. ÓDIO!

hoje fui comprar umas canetinhas, agenda 2014, post-it e aquelas frescurinhas de marcar páginas em neon. daí lembrei de dois livros que estava afim de comprar tem um tempo: o "Orientalismo" do Said e "relato de um certo oriente"da celebridade amazonense Milton Hatoum. ouvi dizer que eles conversam... vamos ver.

Acontece que não tinha o livro do Said e a versão do Hatoum era aquela versão poket, melhor, companhia de bolso. Infelizmente, tem um tempo que você anda arrogante e exigente com seus livros e resmungou na hora de levar o relato de um certo oriente nessa versão tão amadora... :/ sacanagem! levei mesmo assim, tô com uma ansiedade fora do comum e não ia aguentar a demora dos correios essa época do ano.

Dito isso, vou comentar o que realmente interessa nesse texto: seduções e libertinagens, obviamente.

Alguma coisa iluminou na minha cabeça e eu lembrei daquele episódio de ódio e rancor de um ano atrás... pensei... acho que era mario... mas tinha um sobrenome diferente, Llosa eu acho... sorte que comecei a pensar alto e uma pessoa me ouviu e disse: mario llosa?

- Sim! alguma coisa sobre o fim do mundo. guerra dos mundos... eu acho.
- ah! é sobre a guerra de canundos. É "a guerra do fim do mundo".
- isso!!!!
- tá aqui!



depois de encontrar a sessão do mario e topar com o meu objeto de desejo de um ano atrás, descobri que estava diante de um prêmio nobel de literatura meu povo!!!!

ok, são 800 páginas. ¬¬
precisava disso Llosinha? seríamos tão amigos se você fosse mais gentil na quantidade de páginas...

por curiosidade, comecei a escavucar os livros dele e percebi que rolava uns títulos e capas meio... 
ah, vou elencar aqui:

1. Elogio da madrasta;
2. Travessuras da meninas má.

Advirto: cada capa é mais quente que a outra! altos suspiros e curiosidades...

Depois do "rei de havana" e "trilogia suja de havana" (não empresto), você resistiu o quando pode pra não ler aquela coleção horrenda-fundo-poço com nomes de mulher: bruna, bianca, sabrina e blá, blá blá.

Seja forte e os evite.

Prateleiras da saraiva: é o fundo do poço, acredite.

E agora, com elegância e alto estilo, você abre espaço para esquentar o inverno amazonense naquela viagem de barco sensacional com a sua equipe amada, com os dois livros libertinos de Llosa, aquele autor desconhecido que você agora é fã e super íntima! hahahahaahah

esses autores só me surpreendem...

:D

excelente dica de fim de ano, prepare os presentes, nada de porta retrato ou agendas fofinhas 2014, bora comprar livro de sacanagem, a humanidade agradece.








sábado, 7 de dezembro de 2013

"a música das cachoeiras" e a ciência


Ontem recebi um e-mail sugerindo um "seminário de pesquisa" com os colegas, vou mostrar a parte que interessa:

"Chamei de metodologia, mas sem rigor científico (por favor não ria)"

Sinceramente, alguém ainda acredita que alguma coisa é feita com rigor científico? 

vamos aproveitar a fala da Manuela, nesse entrevista cheia de ratadas e constrangimentos (da jornalista, claro):

"curiosa pergunta..." hahahahahahahaaha

Se for árduo pra você assistir esse vídeo num sábado, não se violente, sério. respeite seus miolos.

faça só um esforço de OUVIR até os dois primeiros minutos, ao menos é a parte que interessa... ou se você acordou ambicioso, deixe rolar a entrevista enquanto você mexe naquele sangue-suga chamado facebook... ou arrume seu quarto, prefira a segunda opção. Lá tem vários argumentos que podem te ajudar a se exibir por aí... inclusive conquistar aquela menina gata, linda, sensacional que te deu mole na balada.

Para escrever um texto acadêmico ou um blog, você deve se acostumar em ser arbitrário/ditador, cada escolha (se o seu orientador permitir, claro), texto, parágrafo é uma ordem. ai que delícia! hahaahahah, ok, mentira. é um sofrimento.

É nesse contexto ditatorial que acrescento o "culto da emoção" pra chegar no lançamento de um livro-CD que eu fui ontem:

resolvi homenagear a minha cópia.

Eu juro que não lembro qual foi a disciplina que eu usei o texto, se foi em "prática de pesquisa" ou em "teoria antropológica III"... mas nem interessa, você pode comprá-lo no estante virtual com poucos reais.

"a sociedade atual perdeu a capacidade de sentir".

será?

"quando a atualidade imediata não traz o seu quinhão de acontecimentos dramáticos, a cultura do entretenimento reveza-se com ela. O cinema, os seriados de televisão, os videogames, os grandes espetáculos e as imagens de síntese constituem um imenso reservatório de emoções. A emoção tornou-se um objeto de marketing cujo impacto é cuidadosamente calculado pelos donos de nosso lazer, alternando horror, surpresa, tristeza, indignação, alívio, compaixão, lágrimas e riso num jogo de contrastes que nos mantém em suspense."

*

não sejamos tão dramáticos, heheheheehe.

continuando:

"esse retorno à emoção constitui, simultaneamente, uma riqueza e um perigo. Uma riqueza, porque tempera os excessos da racionalização. A emoção é um derivativo salutar numa civilização submetida aos imperativos da ciência tecnológica e da organização". 

...

"... na décadas de 1950 e 1960, que via na emoção uma perturbação do comportamento, uma falha da ação, um deficiência. Essa nova antropologia reabilita a emoção. Ela a considera uma auxiliar da ação, uma aliada da razão".

...

pra pensar:

"é revelador que o homem contemporâneo se interesse mais pela emoção, que é de tipo explosivo, do que pelo sentimento, que tem caráter duradouro".

*

O autor é cheio de afirmações... do jeito que você gosta... rs.
Por favor, não o cite nos seus trabalhos acadêmicos, ele te ajuda a pensar. só.
depois que você aprendeu sobre a dança da desconstrução, a última coisa que você quer na vida é um prédio sólido e seguro. fluidez é a regra.

quanto aos "perigos"... jogo a bola pro leitor. já o citei demais.

*

Ahhhh finalmente lembrei!

pensei nesse do Lacroix, mas o que estava na minha cabeça foi um comentário da amiga Gê (parabéns pelo doutorado!), em uma disciplina, que também não lembro (hahahahha), sobre o pós-moderno Renato Rosalvo que num trabalho de campo junto com a mulher, ela caiu de um barranco e morreu. ele escreveu sobre isso e solidificou o que estava se chamando de "teoria das emoções". em um dos seus textos, ao investigar a morte, afirma que "muitos antropólogos eliminam a esfera das emoções, assumindo a posição de um observador distante".

Acho que esse é o legado mais importante: não eliminar as emoções. revirei tudo e não achei o texto dele de jeito nenhum... nem na internet :/

vou ver se compro o livro mesmo...

*

depois dessa introdução inesperada, apresento "a música das cachoeiras".

as imagens são lindas!!!


Se você preferiu ir ao lançamento do livro-cd do seu coleguinha de classe ao invés da festa de quarenta reais, parabéns! você ganhou esse livro lindo, que não será comercializado, para dar de presente.

Agradecimentos à pesquisadora Karina Sanches, que viabilizou tal gaiatice. :)

No evento, tive a oportunidade de cumprimentar um professor, muito querido, que ministrou uma das primeiras disciplinas que cursei na graduação: Nelson Noronha, autor do prefácio desse livro-CD encantado.

Nelson inicia o texto falando de amor e afeição, e é disso que estou falando:

"As imagens, as palavras e as músicas deste Livro-CD surgiram de uma iniciativa que reuniu amor pela arte e afeição pela pesquisa científica e filosófica. (...) o projeto nasceu do interesse de Agenor Vasconcelos pelas criações artísticas desses povos, que se desenvolveu durante suas pesquisas destinadas à redação de sua dissertação de mestrado. Sob o título de o sentido metafísico na descrição etnográfica de Koch-Grunberg: o demônio, a máscara e o falo...."

Em linhas gerais, o trabalho diz respeito a uma viagem "do Alto Rio Negro ao monte Roraima" que possibilitou encontros com indígenas de diversas etnias..., encontros musicais, artísticos, numa espécie de encontro "metafísico" (usarei esse conceito em função da formação de Agenor, ainda que o cosmológico seja bem mais sedutor) que possibilita a construção de, mais um vez, mundos possíveis.

Uma pena a banda Marupiara não estar no evento, mas aí vai um pedacinho deles:


Apiga, banda marupiara.

O que fica pra refletir é um barulhinho cada vez mais crescente de que um texto, um livro, um cd, uma dissertação ou tese são só a ponta de um iceberg. Jamais, digo, JAMAIS, darão conta do que um encontro, a experiência, um trabalho de campo, o sentimento e a emoção com o intuito de construir diálogos possíveis é capaz de fazer.

*

IMPORTANTE: Estimada alaíde negão, pare de boicotar minhas aulas de francês aos sábados pela manhã! tocar as duas da madrugada já deu! (desabafo coletivo)

música da cachoeira, carimbó do cagado (alaíde negão)

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Ibsen e a monarquia: contos de madrinha e afilhada

Era uma vez uma madrinha que tinha a afilhada mais linda-gostosura-total. Em datas festivas e viagens mirabolantes a pessoa que vos fala pensa em mil agradinhos para essa bolinha de amor e dobrinhas. Tudo faz lembrar dela, desde aqueles vestidinhos cubanos, bordados pelas mãos daquelas senhorinhas que ficam nas janelas daquelas casas coloniais lindas... uma calcinha de renda renascença do sul da Bahia que custa o olho da cara... mas é linda de morrrer, ou aquele colarzinho de madeira feito pelos Tikuna, visto um dia desses... tudo lembra ela.

colarzinho Tikuna, fonte: Dani :)


É difícil ter criatividade com a quantidade de bonecas louras, finíssimas e aquele absurdo de rosa de todas as nuances. não, eu não sou uma madrinha "guerrilheira"! hahahahah mas aquela boina do Fidel ficou linda demais nela... :D~, minha comadre que me perdoe.

Dia desses estava pensando em duas categorias de elogio que são utilizadas com frequência em bebês fêmeas: boneca e princesa.

- Essa garotinha é uma boneca de tão linda;
- Parece uma princesa.

Vamos pensar, ou ser chatos, ou pedantes. dá no mesmo. acostume-se com o isolamento, seres humanos dessa espécie, dificilmente serão aceitas por gente legal e descolada.

Li um livro, emprestado pelo amigo sempre lembrado, que foi quase um soco no estômago:

"Casa de bonecas", escrita por Henrik Ibsen em 1879.



Essa peça foi escrita em 1879. VEJA BEM, 1879!!!!!!

E o mais absurdo/impressionante é que ainda somos criadas da mesma forma até hoje... tudo bem que o meu clã tende ao matriarcado... mas, nem sempre é assim.

Se você pensa em cuidar de meninas, ou convive com elas, ou quer educar meninos de forma diferente, ou está coçando o saco e quer ler algo que preste, ou que levou um pé na bunda daquela mulher cheia de opinião e fantástica, faça o favor de ler esse livro e deixe-se transformar por ele, você não é uma barsa, deixe ele agir sobre você, ou não tem sentido nenhum você se exibir dizendo que o leu.

ok, nada de chamar aquela belezinha de boneca.

Vamos a outra categoria: princesa. 



Desde muitos anos, vem sendo utilizada em baladas de baixo nível, 
por sujeitos cínicos e pouco respeitáveis.

Pelo amor! monarquia não né?

Se nós vivemos num regime republicano ou democrático de fato, não interessa (nesse momento). aquela época de piolhos e sífilis da monarquia no Brasil te dá arrepios até hoje. tudo bem que os vestidos da Kate Middleton são lindos, mas não caia nessa. seja forte, e adote formas mais criativas de chamar aquela bolinha de formosura com nomes carinhosos e inspiradores.

A madrinha te ama demais... e um dia, alguém vai entender toda essa pedância.


quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Edgar Allan Poe


Essa dica é para as pessoas que não tem o que fazer na vida, que tem vocação para aposentado, por exemplo. Esqueça o seu fichamento do poder simbólico que você encasquetou de ler/fazer HOJE, e veja rapidinho aquele resumo super legal daquela coleção safada da L&PM Pocket "guia de leitura: 100 autores que você precisa ler", pg. 63.

vou explicar a doidice.

Estava procurando, na biblioteca modesta que seu pai sabiamente organizou para as moçoilas da casa, algum exemplar do Jorge Amado. Tinha  quase certeza que capitães da areia e mar morto estavam dando sopa por lá... não achei nenhum dos dois... liguei pra caçula e ela disse que o primeiro estava com ela, mas o segundo... mistério.

No meio da busca, vi que tinha uma lombada azul "POE", chamou a atenção. "Histórias extraordinárias" era o título... o separei. pensei: não inventa, lê só uma coisinha sobre esse autor e segue no fichamento... tu vai se fuder amanhã.

pois bem, 

"Devido à melancolia, ao mistério e às sugestões temáticas, sua obra é considerada simbolista e fantástica. Dentre seus temas, destacam-se as alucinações e a fantasmagoria, as neuroses e as inquietações do homem, o duplo, a introspecção na alma, a morte e a fatalidade."

mas o melhor está no final:

"... a sua absoluta consciência sobre a importância do leitor - mesmo que anônimo e perdido na multidão dos leitores de um jornal - como elemento receptor e co-criador, em um sentido inegavelmente participativo, da utopia do seu texto poético-ficcional".

gamei, 
mas não hoje.

Bourdieu ficou com ciúmes e mandou lembranças,
ao trabalho garota!





domingo, 18 de agosto de 2013

pureza e perigo: o corpo é pouco

ameba


(...)

Peste bubônica

Câncer, pneumonia

Raiva, rubéola

Tuberculose e anemia

Rancor, cisticercose

Caxumba, difteria

Encefalite, faringite
Gripe e leucemia...
E o pulso ainda pulsa
E o pulso ainda pulsa
Hepatite, escarlatina
Estupidez, paralisia
Toxoplasmose, sarampo
Esquizofrenia
Úlcera, trombose
Coqueluche, hipocondria
Sífilis, ciúmes
Asma, cleptomania...
Reumatismo, raquitismo
Cistite, disritmia
Hérnia, pediculose
Tétano, hipocrisia
Brucelose, febre tifóide
Arteriosclerose, miopia
Catapora, culpa, cárie
Cãibra, lepra, afasia...
O pulso ainda pulsa
E o corpo ainda é pouco
Ainda pulsa
Ainda é pouco
(...)
Titãs, O pulso.

Dia desses almocei no INPA... e sempre o imagino como minha mini Manaus num mundo ideal: estou falando do bosqueado lindo que tem por lá. o almoço foi bom e tinha uns saquinhos tentadores de DOCE DE LEITE (!!!!) com a data de validade a.c. e expostas a poeira, baratas, ratos e tudo que a sua imaginação permitir... arrisco dizer que eles foram os culpados.

náusea, dores de cabeça, dores abdominais.

primeira suspeita: é o calor;
segunda suspeita: tô grávida;
terceira suspeita: infecção intestinal.

fui no meu SPA favorito, levar a tia Bia que estava com dores absurdas nas costas e aproveitei pra fazer umas perguntinhas ao google, digo, ao médico do plantão.

depois de fazer aqueles exames constrangedores, veio o diagnóstico:
ataque violento de ameba e outros amiguinhos.

- toma annita.
- aquele que o xixi fica da cor de marca texto?
- esse.


foram quatro dias de muita dor e cocô líquido, obviamente. o meu emocional oscilava entre "chega, vou me entregar, não dá mais pra viver desse jeito... vou mudar de vida, nunca mais como porcaria, vou estudar mais, inclusive doar umas roupas, organizar os textos, ler mais, vou qualificar, chega de enrolação... vou morrer, não aguento mais... essa bipolaridade linda durou um tempo.

entre um delírio e outro, assumi uma reflexão mais holística e pensei que essa semana de confinamento e dor, poderia ser um sinal de um processo/ritual de purificação, limpeza... de repente, tudo pareceu fazer sentido!

Todos os protozoários, pessoas, sentimentos (...) que um dia habitaram em mim, estavam se retirando devido a dolorosa eficácia de annita... em outras palavras, "eu caguei você".

Mary Douglas é a autora do livro Pureza e perigo: ensaios sobre noções de poluição e tabu (1966), onde analisou diversos rituais considerando os conceitos de pureza e perigo como um meio para pensar a estrutura social. todos piram no Levítico.




O texto explica que no século XIX as religiões primitivas se diferenciavam das grandes religiões do mundo com base na ideia de que as primeiras são inspiradas pelo medo e estão inextricavelmente misturadas com as noções de impureza e de higiene. 

A relação de impureza está totalmente ligada com a desordem e é disso que eu tô falando minha gente! CHEGA! 

fui tentar fundamentar toda minha doidice de Monica Geller, nas teorias de higiene - ordem - desordem do mundo - mas, minha amiga Mary me sugeriu calma e selecionou alguns pensamentos interessantes para o dia de hoje, vejamos:


"a impureza, que é normalmente destrutiva, pode se tornar criadora, transformadora"

"A busca pela pureza desemboca em contradições. Ex: pureza sexual: a ausência total de contato entre os sexos, não só nega a própria sexualidade, como, literalmente, leva à esterilidade."

"Sempre que impomos à nossa existência um modelo rigoroso de pureza, tornamo-la terrivelmente desconfortável; e se formos até às últimas consequências, desembocamos em contradições ou até na hipocrisia"


Mary Douglas fofinha <3

Querida Mary, 

até que para um domingo, você nos propõe excelentes reflexões.

grata por tudo,

Natasha.














sábado, 20 de julho de 2013

correio feminino e outras frescuras

Kelly Reemtsen

Impressionante o poder dessa mulher, Clarice não te deixa ficar feia, suja, requenguela, com unhas mal feitas ou cabelo seboso, (...) em outras palavras... ai de ti se não ajeita a coluna ou lava a cara mil vezes por dia. roupa amassada? nem pensar! mas se for fruto de um amasso não tem etiqueta* que dê jeito: pode.



*prometo não falar de Pierre Bourdieu.


Aí vai alguns pedacinhos do livro:

"Imaginei que não aceitaria. Escritora reconhecida e sofisticada, certamente recusaria ser a ghost writer numa página feminina diária, assinada pela linda estrela de cinema e TV, Ilka Soares."

"Para Clarice nada era casual, tudo deveria ser intenso. E verdadeiro". :)

O correio feminino é o conjunto de textos publicados entre as décadas de 50 e 60, onde Clarice escrevia numa linguagem mais simples, que segundo os organizadores, se dirigia à mulher comum, dona de casa, com pretensões de emancipação.

Recém divorciada e com dois filhos pequenos para criar aceitou e escreveu deliciosos textos de comportamento, beleza, sedução, culinária... uma fofurice sem fim.

Vale ressaltar que ser uma escritora fantasma, tinha suas vantagens:

"... Clarice Lispector temia, por aqueles anos, comprometer seu nome mediante a produção de textos menos elaborados para jornais e afetar a imagem de esposa de diplomata."

Estamos falando de 1950/1960-2013 meu povo! haja saco pra tanto moralismo.

a diferença do tão criticado (sim!) correio feminino, cuja publicação ocorreu por pseudônimos, pra uma Glória Kalil da vida (com todo respeito) é que Clarice é linda e minha amiga. hahahhaah

Ainda não li, meu crime: arrogância e ignorância.

Então, Clarice tem uma humanidade profunda nas palavras e costurou um texto carregado de feminices que o seu coração libertário e cheio de ódio (hã? pois é) até amolece pensando na carninha que vai cortar pro marido no dia seguinte ou aqueles bolinhos aromatizando a casa inteira pros filhos.

Veja bem, eu não estou falando de submissão, nem de apologias à finada Amélia, a mulher de verdade. Simone de Beauvoir ficaria decepcionada com Natasha. Cuidar de onde vive, de você... é alimentar a alma, o pensamento, é organiza a vida: Heidegger tinha razão.

Se relacionamento conjugal não é seu forte, seja feliz e chame as amigas para um chá chopp.

ia colocar a capa antiga, mas adorei a apelação
da bolinha vermelha, compra e menina!

A saber, fujo do caos,
pra quem gosta, um abraço!
Vou bem ali assistir minha série favorita.








segunda-feira, 10 de junho de 2013

GATSBY: tietagem e estreia

eu li o livro.... ¬¬  (1925)

Quando você resolve assistir um filme que foi baseado num livro, sempre tem  um pedante que vai dizer "eu li o livro" e depois do filme ele completa "nossa, bem melhor o livro que o filme". dá vontade de dar um soco, mas se controle, seja elegante e sorria para essa espécie.

Aproveite que tem uma versão baratinha da coleção abril cultural na sua casa, e leia pra se exibir também! esse mundo acadêmico qualquer dia desses te mata.

A primeira versão adaptada para o cinema, foi com Alan Ladd e Betty Field em 1949 (wiki):


Uma outra coisa que tem chamado super atenção, são os modelitos de Daisy ao longo dos três filmes imperdíveis... sofra internamente por você ter uma qualificação agendada pro mês que vêm... :~


Todos os chatos do mundo, lembram dessa versão de 1974 com o, suspiros... ROBERT REDFORD e a coadjuvante mia farrow (hehehe)... você vai concordar... esse cara é um pão!


todas piram no charme do gato,

Redford seduzindo geral

Depois de falar desses ícones do cinema, os galãs e divas em preto e branco que atravessam gerações, eu vou abrir um espaço pra falar de Francis Scott Key Fitzgerald, melhor, um comentário maldoso sobre seu livro famoso.

(Sant Paul/EUA - 1896-1940)
É irônico que, na maioria das mídias que li/vi sobre a estréia do "the great gatsby" levaram em consideração o figurino e acessórios de Deisy e demais personagens, que será absurdamente copiado em todas as lojas de departamento (oremos, rs) que você possa imaginar, novos cortes de cabelo e pinturas também entrarão no rol das inspirações... esqueça o chapéu panamá, leo de caprio lançará moda! acredite...

A organização das festas de Gatsby também estarão presentes em casamentos e formaturas, certeza!

Fitzgerald criticava o consumismo, a hipocrisia, o "sonho americano", ao materialismo sem limites e a "ausência" de moral que, segundo o autor, permeava os ricos de NY em 1922... uma decadência anunciada.

Nos filmes, com todo o apelo ao luxo da década de 20, o desejo é fazer parte do grupo dos "vilões".

nesse sentido, acredito que ler o livro ajuda. você imagina as festas e luxo, mas se mantém firme na proposta do autor... é uma crítica feroz, emocionante, e muito mais próxima da nossa realidade do que você imagina.

reflita.

(...)

Junte-se ao clubinho dos pedantes que-esperam-ansiosamente-pela-versão-rei do titanic e seja feliz.


Não esqueça de dizer que leu o livro.









quarta-feira, 1 de maio de 2013

a moça e o rio


Escolher os livros que você irá levar para o “campo” é sempre uma tarefa difícil... 

não estou falando nem dos necessários para sua qualificação, digo dos que irão te distrair∕divertir. Você nem sabe se terá tempo ou saco para lê-los, afinal, socializar com a galera faz parte do trabalho... uma outra coisa é o peso da sua mochila...

aulas de etiqueta: apenas você é responsável pelo que leva. não peça ajuda para carregar SUAS coisas. Não seja a dondoca do barco, por favor.

Fiquei na dúvida entre os de sacanagem, os guias de viagens e literatura. Nessa ordem. Os de sacanagem, por motivos óbvios. os de viagem, pra deixar você por dentro da cidade mais incrível ou os de literatura, sanando assim, sua doce obsessão por Ernest Hemingway

Levei o velho e o mar*:



Uma das coisas que te faz legal é você não ignorar os “pesquisadores” em detrimento dos livros... eles podem te julgar, te sacanear e dizer que você só quer aparecer. Tenha cuidado e jogo de cintura, não finja que os jogos de poder não existem, lembre-se da microfísica de Foucault. 

A oportunidade de ouro é quando a equipe resolver ligar o computador. Não seja estranha. Um outro horário bom é após as refeições, aproveite a luz do dia, assim você se esbalda na paisagem e lê a saga de Santiago nas correntes do Golfo, com aquela vista pro rio madeira... é muito prazer minha gente!

O velho e o mar (1952) ganhou prêmio nobel de literatura, dois anos após a sua publicação. 

Daí você se pergunta, como um monólogo munido de algumas narrações consegue ser tão convincente?

Hemingway defendia uma linguagem simples, frases curtas, construções claras e poucos adjetivos. Aparentemente essa é sua fórmula. funciona, emociona.

Santiago (o velho) fisga um peixe de cinco metros e está sozinho em alto mar. A relação entre ele e o peixe é de deixar qualquer etnólogo perspectivista no chinelo, viveiros de castro pira! 

Tânia Stolzen (link, um peixe olhou pra mim) ficaria comovida com a homenagem:



Spoiler de "o velho e o mar":

Apesar do sofrimento, da dor nas mãos e ombros sangrando pela força do peixe, do atrito com a linha, do cansaço, da saudade... “mas o rapaz não está aqui”, pensou. “você só tem a si mesmo, e agora o melhor que tem a fazer é chegar àquela outra linha, no escuro ou não...” (pg. 47)... Santiago não corta a linha que o liga ao peixe, mantém a luta. Para ele, lutar é resistir e assim permanece por dias e dias.

a moça continua, não se sabe ao certo qual peixe que encontrará no madeira, no purus, no solimões, no tapajós, no negro, no amazonas, autaz mirim, onça vermelha (...) mas definitivamente, ela não cortará a linha... nem arrancará o anzol. 

Santiago não ensinou só a Manolín. 
Sigo na obsessão, o próximo será “por quem os sinos dobram”.

Boca do madeirinha, em 22 de abril de 2013 - 10:21

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