Hoje vou escrever sobre sobre a possibilidade de cura deste mal que corrói a alma: a preguiça.
Não falarei de uma cura stricto, proponho uma cura lato, qual seja, a preguiça de ler e escrever... as demais, cultive-as, chega um momento de nossas vidas que é só o que temos.
Deusulivre de perder a sua priguicinha gostosa diária, tenho certeza que é lá que mora a felicidade, bem vizinha do ócio.
"fulano passou o dia coçando o saco", essa frase é hipotética e cabe nas classificações hostis sobre alguém... mas de uma coisa tenha certeza, independente de quem seja fulano, ele é um cara de sorte e feliz.
No entanto, como você é uma pessoa de ambições infinitas, que não aceita ser sucursal (essa palavra aprendi hoje) saiba que é possível driblar uma das espécies de preguiça que mais tem gerado transtornos na sua vida ultimamente: a preguiça de ler e escrever.
Diante dos primeiros sintomas, arrume uma mochila, separe aqueles livros que você julga importante, mas por favor, tenha critérios.
lembre-se de costurar a alça e alguns bolsos da sua
Separe poucas mudas de roupa, eu disse POUCAS. aquela frescurada gostosa de tomar banho pra você nunca esquecer que é uma diva em qualquer circunstância... os remedinhos salva-vidas, seus óculos, o caderninho verde limão (o menor), vulgo diário, alguns lápis e canetas.
Munida deste equipamento de guerra contra esta doença que está atrapalhando sua vida, vá a "Manaus Moderna", aquele espaço fantástico que você viciou e encasquetou (é lá que tudo acontece!!!) e compre suas passagens de barco recreio com destinho "Manaus - qualquer lugar". O importante é você se manter sobre o rio Amazonas.
Empresa: golfinho do mar II, volta de Santarém, rio Amazonas, jan. 2014.
É impressionante a quantidade de coisas que você irá ler no fundo daquela rede!
Em menos de um mês, nesse ritmo, você destrói e constrói o mundo, revisa toda a bibliografia do seu mestrado, escreve e pensa sobre mil tipos de pegações e sacanagens, cultiva os pensamentos mais promíscuos à serem realizados num futuro próximo (favor levar um livro BOM com essa finalidade) e com otimismo, você até rascunha o projeto do seu doutorado!
Você irá se tornar uma intelectual das águas, nenhuma novidade no mundo antropológico, Koch Grunberg, Alexandre Rodrigues Ferreira, Ermanno Stradelli, Curt Nimuendajú (...) morreriam de orgulho... é puro luxo você se aproximar dos "modos de fazer" dos primeiros viajantes e da etnologia clássica, um charme só!
Tire auto retrato lendo naquele mosaico apaixonante de cores e tecidos e publique nas redes sociais, sucesso total!
Empresa: Amazon Star, ida para Santarém, dez, 2013.
"dica para se tornar popular no instagram e demais redes sociais"
O barco não te isola do mundo, ele te proporciona uma outra experiência que eu não sei explicar. um barco não é uma ilha, nem uma biblioteca... e toda aquela paisagem móvel de barrancos, boizinhos, casinhas, cerquinhas, árvores, canteiros, plantações de macaxeiras, mandiocas, bananas, telhados de zinco, de palha, telhados coloridos, açaizeiros caneludos, antenas parabólicas, caixas d'água, carcaças de canoas, milharais, malhadeiras, varandas e girais que multiplicam vidas, varal de roupas coloridas que enfeitam as casinhas distantes lembrando as amadas e memoráveis festas juninas na sua casa, boi preto, boi branco, boi marrom, podem ser vacas... o barquinho tá rápido e não consigo ver os chifres (UFA! antes vaca do que boi), igrejas, escolas, postes, fios de alta tensão, campinhos de futebol, uma moça que varre a varanda, o banheiro separado da casa, os meninos e meninas que pulam no furo/igarapé, o homem vestido de azul que monta o cavalo e guia os bois, a mulher que saiu da roça com uma bacia vermelha nas mãos, a árvore caída no barranco, o barquinho lotado cheio sorrisos, redes e mãos acenando... os pássaros brancos, pretos, amarelos, coloridos que voam na altura da sua rede... ai, ai, ai.
rio Amazonas, janeiro, 2014
Toda essa paisagem móvel, vista do fundo da sua rede, te convida a pensar sobre esse outro planeta, que durante muito tempo você o ignorou, sabe-se lá porque.
Aguarde, arrume e segure a munição... não atire agora, foco na dissertação.
Sugiro as agencias que fomentam pesquisas no país, CNPq, FAPEAM, CAPES, Fundação Ford (...) a viabilizar recursos aos pesquisadores que estão em treinamento, vulgo, pobres pós-graduandos sedentos por viagens de barco... a fim de concluir suas dissertações, falo muitíssimo sério.
"Façam alguma coisa na vida de vocês! peguem um avião, vão pra Iquitos, desçam até Manaus de barco, façam algo! escrevam! não entendo qual o problema de vocês, tem pouca leitura! nenhuma visão crítica de nada! ao menos vão viajar, conheçam alguma coisa!"
então tá né?
Presente do fim do dia:
rio Negro, janeiro, 2014
É muito difícil não comprometer o olhar pelo tamanho desse rio,
por esse(s) por do sol mais lindo do mundo...
Hoje começaremos o texto falando de uma personalidade importantíssima do cenário Amazonense:
Manuel da Gama Lôbo d'Almada (17.. -1799). se você deu risinhos sacanas, você vai entender do que eu estou falando.
Num dia qualquer, munida de poucos reais e duas comadres para bater perna pelo centro de Manaus, vá obstinada na caça ao tecido-de-estampa-perfeita. vou explicar.
Desde o dia em que sua amiga prometeu fazer um roupinha para o seu computador, seus pensamentos foram povoados pela temática... e a única certeza que você tinha na vida é que seriam frutas.
uma delas, entendida no assunto, completou: vamos na rua lobo d'almada.
Essa rua é recheada de lojas de tecidos... e procurando informações sobre esse geógrafo/militar (o lobinho), descobri que ele foi um dos responsáveis por levantar uma fábrica de panos de algodão e outra de tecidos e redes... com 18 teares e 10 rolos de fiar com 24 fusos cada um. tudo bem, eu não sei o que isso significa exatamente (teares e fusos), só sei que ele foi "o cara"da pseudo indústria têxtil no Amazonas... além da fabricação de cordas e amarras de piaçaba e calabares...
Arrá! piaçaba eu sei o que é! inclusive, vale a leitura da dissertação premiada da querida Elieyd, (Lica) "os piaçabeiros do Médio Rio Negro: identidade étnica e conflitos territoriais". gente, isso é muito interessante, meu avô materno trabalhou com isso!
barco com piaçaba. heheheh
Só um resuminho pro trabalho não ser jogado ao vento:
... a dissertação de Elieyd Menezes apresenta um detalhamento do modo de vida das pessoas nos piaçabais (locais onde as fibras de piaçaba são extraídas na floresta) em Barcelos, interior do Amazonas. “É um universo que abrange intrínsecas relações de poder entre “patrão” (comerciantes que se dizem donos dos igarapés onde há palmeiras de piaçaba) e “freguês” (piaçabeiros)”, comenta Elieyd. A autora diz que o sistema de aviamento - baseado no adiantamento de mercadorias a crédito - é muito presente no município. “É um sistema historicamente conhecido na Amazônia, onde o comerciante (patrão) fornece mercadorias ao freguês (trabalhador extrativista), o qual deverá pagar por elas. Porém, os preços são altos, algumas vezes superfaturados e a dívida dificilmente é quitada porque sempre o trabalhador extrativista precisa desses produtos, como alimentos, roupas, lanternas, facões”, registra.
Voltando ao Lobinho, tô com a impressão que ele era super malvado depois dessa introdução da Elieyd, ele mandava buscar de outros lugares o algodão, a cana, curauá, muriti, cera virgem de abelhas (hã?), tucum dos rios Solimões e Negro (suspiros...) e a piaçaba... sabe se lá em quais condições isso acontecia.
Mas então, não vou falar da piaçaba. foi só um link legal.
Linda!
O que o seu Lobo não esperava é que a sua rua ficasse conhecida por ter o estabelecimento mais generoso de Manaus: o remulos club. fazendo uma mini busca na internet, encontrei uma reclamação do João:
primeiramente tendo cerveja gelada e mulheres a disposição está otimo,só não leva 10 porque tem meninas que cobram muito caro e tem umas que só quer barão eu moro em são luis passei minhas ferias a cidade é 100000000 e gostei do remulos parabens manaus aconselho a todos a ir em manaus.
João parece coerente nas suas queixas, mas não entrarei no mérito por não ter conhecido o lugar, nem o João, nem as meninas. Entretanto, não posso deixar de parabenizá-las. Infelizmente, a casa mais carinhosa de Manaus, foi fechada pela Secretaria Municipal do Centro (SEMC) ???? e pela SEMINF pois funcionava como um motel ilegal. ¬¬
Mais uma vez, o Estado acabando com a felicidade alheia. fizeram o absurdo de construir um muro de alvenaria na frente! santa hipocrisia! só faltou o sal e a pá de cal...
Dica: nunca, jamais, desperdice a oportunidade de aprender alguma coisa... JAMAIS. * Então, nessa simbólica rua, mais próxima a sete de setembro, tem um zilhão (mentira) de lojas de tecidos: se jogue atrás da sua estampa perfeita. Por estar vivendo um momento de obsessão pelo artista Paulo Nazareth, as escolhidas foram as bananas!
Paulo Nazareth (projeto)
Super na dúvida qual a melhor frase...
Deu pra entender a obsessão? rs mas não é só isso, essa frutinha é MUITO cobiçada na região norte, a pacovã então, nem se fala! Durante muito tempo me acompanhou no twitter e foi meu apelido até hoje, de infância: chorona, caía por tudo, vivia com hematomas, sem contar as "sementinhas"que decoram meu couro. "essa menina é uma banana", caia como uma luva.
No entanto, o problema de idealizar um tecido ou qualquer coisa na vida, é que você passa a odiar tudo o que você vê. Nada é tão legal quanto o tecido que está criado na sua cabeça. você pensa em desenhá-lo, pintar sua própria estampa, pedir pela internet... qualquer coisa.
Mas graças a falta de paciência das suas amigas bom senso e a vontade de cobrir minha máquina de escrever moderna o quanto antes, comprei um de laranja. até que gostei sabe?
as bananinhas ficam pra depois, não as esqueci.
Agora vamos à prática! simmmm você vai aprender a fazer uma capinha também.
1. Vá direto na loja "Kamila", os tecidos são uma fofura, o problema são os preços. saia de lá o quanto antes, não vale a pena (não tinha as bananinhas);
2. Na sequência, vá na Tapajós... mas, não tinha NENHUMA estampa legal;
3. Rode mais um pouco e pare na "Nova Jersey". essa portinha desconhecida. não é tão farta de tecidos bonitinhos como a Kamila, mas se você garimpar, acha umas estampas legais com preço justo (pasmem: menos da metade que na Kamila). Não esqueça de comprar a linha que vai combinar (ou não) com o seu tecido. ahhhh tem o feltro. mas a Isa disse que tinha na sua casa. ótimo né?
tirei essa foto num domingo, por isso estava fechada.
essa foi a primeira etapa.
*
Já com as armas na mão, vá para a casa da sua amiga num domingo preguiçoso.
chegando lá, você vai sentir um sono absurdo e inexplicável, causando constrangimento em todos que estão ali no recinto. aproveite e tire umas fotos da casa dela, se ela deixar, claro! você ainda tem um Pibic sobre decoração correndo nas suas veias! hahahahaah
casa da Isa 1: EU QUERO ESSE QUADRO!
Casa da Isa 2
casa da Isa 3: Laerte, fofura total! dá pra trocar as roupinhas!!! *.*
ah, uma dica importante: jamais saia da sua casa com fome ou sono. você pode virar um monstro do lago ness a qualquer instante, é quase incontrolável, como se você estivesse com hipoglicemia sem ser diabética sabe? um horror.
Para aliviar o sono e quebrar o clima daquele evento mulherzinha, pegue seu computador e declame umas músicas dos Racionais MC's, elas vão achar estranho, mas você está em treinamento... tente incorporar o Suplicy e arrase:
Ore por nós pastor, lembra da gente no culto dessa
Noite, firmão segue quente
Admiro os crente, da licença aqui
Mó funçao, mó tabela, pow, desculpa ai
Eu me, sinto às vezes meio pá, inseguro
Que nem um vira-lata sem fé no futuro
Vem alguém lá, quem é quem, quem sera meu bom
Dá meu brinquedo de furar moletom
Porque os bico que me vê com os truta na balada
Tenta ver, que saber de mim não vê nada
Porque a confiança é uma mulher ingrata
Que te beija, e te abraça, te rouba e te mata
Desacreditar, nem pensa, só naquela
Se uma mosca ameaça me cata piso nela
O bico deu mó guela, ró
Bico e bandidão vão em casa na missão
Me tromba na cohab
De camisa larga, vai sabe Deus que sabe
Qual é a maldade comigo inimigo num mique
Tocou a campanhia plin, pá trama meu fim, dois maluco
Armado sim, um isqueiro e um stopim
Pronto pra chamar minha preta pra falar
Que eu comi a mina dele, rá, se ela tava lá
Vadia, mentirosa, nunca vi tão mó faia
Espírito do mal
Cão de buceta e saia
Talarico nunca fui, é o seguinte
Ando certo pelo certo, como 10 e 10 é 20
Já penso doido, e se eu tô com o meu filho no sofá
De vacilo desarmado era aquilo
Sem culpa, sem chance, nem pra abri a boca
Ia nessa sem sabe
(pô cê vê) vida loka
Mais na rua num é não, até jack
Tem quem passa um pano
Impostor pé de breque, passa pro malandro
A inveja existe, e a cada 10, 5 é na maldade
A mãe dos pecado capital é a vaidade
Mais se é para resolver, se envolver, vai meu nome
Eu vou fazer o que, se a cadeia é pra homem
Malandrão eu, não, ninguém é bobo
Se quer guerra terá
Se quer paz, quero em dobro
Mais verme é verme, é o que é
Rastejando no chão, sempre embaixo do pé
E fala 1, 2 vez, se marcar até 3
Na 4ª xeque-mate, que nem no xadrez
Eu sou guerreiro do rap
E sempre em alta voltagem
Um por um, Deus por nós, tô aqui de passagem
Vida loka
Eu não tenho dom pra vitima
Justiça e liberdade, a causa é legitima
Meu rap faz o cântico do lokos e dos românticos
Vo por o sorriso de criança, onde for
Os parceiros tenho a oferece minha presença
Talvez até confusa, mais real e intensa
Meu melhor marvin gaye, sabadão na marginal
O que será, será, é nós vamo até o final
Liga eu, liga nós, onde preciso for
No paraíso ou no dia do juízo pastor
E liga eu, e os irmão
É o ponto que eu peço, favela, fundão
Imortal nos meus versos
Vida loka
Suplicy pra inspirar, ele é a sua meta de performance:
aos queridos do direito, inspirem-se.
Após a declamação teatral, você ouvirá uns aplausos no infinito de alguém que jogava video game naquele momento frufru de mocinhas e costuras. (hahahahahahaha valeu Luiz!)
Se essa dica não adiantou, enquanto sua amiga linda, fofa e atenciosa costura, se jogue no chão sem pudores, coloque uma revista qualquer na sua cara e durma uma meia hora, você acordará outra, acredite.
O mais interessante nessa menina-costureira, colunista do cinema em cena, do estante da sala E a mais nova mestranda do PPGAS/UFAM (!!!!) é o descompromisso-prazeroso que ela tem em mexer nos tecidos, em cortá-los utilizando o rejunte da cerâmica, em perceber que tá faltando alguma coisa e improvisar com o que tiver por ali! Amei Isa :)
O resultado é tão singelo sabe? as mãos de uma pessoa tão querida, num mix de habilidade, tecidos, carinho e linhas criaram não uma capa qualquer para o seu notebook, mas uma manifestação de resistência num mundo duro, corrupto, cínico, esmagador.
*
vamos ao passo a passo:
as belezocas peladas: você precisa deles para tirar as medidas.
O rejunte vai ajudar a cortar em linha reta.
tá vendo essa parte verdinha dentro das laranjas? é um saquinho de feltro.
tava dormindo quando ela fez (acho) :/ mas é simples!!!!
mini coração vodu! hahahahahaha
esse pedacinho fica na lateral do computador, serve para guardar o carregador :)
Isa estava enfiando o elástico com um grampo pra ele ficar franzidinho.
Essa foto ficou psy, mas é o momento que junta todo mundo
(o saquinho de feltro e o outro de laranja) e costura as bordas.
quase pronto, os dois saquinhos estão juntos. falta a "berinha"que fecha.
Essa é a berinha que fecha!
daí é "só" costurar com os saquinhos...
colocar a sua maquininha!
PRONTO! amei Isa!!!! :D
depois de um jantar gostoso/natureba/bonzão, volte pra casa, exiba à todos sua capinha nova, diga quem fez e seja snobe, acrescentando que ela só faz pros considerados! hahahaahhahahaah
aproveite e leve suas laranjinhas para o evento mais importante da sua vida nesse final de ano, se nada der certo, ao menos você vai brilhar com uma capa estilosa né?
sempre tive o mesmo cabelo, digo, o mesmo corte, a mesma cara lambida.
depois
do campo, aquele cabelão todo me irritou profundamente... embaraço,
sujeira, calor. tudo contribuiu... inclusive a sugestão xamânica, deixa
ele solto: ok.
no alto da minha rebeldia, decidi: vou cortar!
- oi, tudo bem?:)
- oi querida, você já cortou aqui alguma vez?
- não, primeira vez :)
- você vai adorar o salão. já sabe o corte?
- já. tira um dedo e meio e faz um franjão :)
- só isso?
- só. :)
- mas tu não quer mais volume?
- é... pode ser, mas deixa com formato de "U" atrás.
esse meu simples "é... pode ser" com conotações de indecisão sobre o
destino daquelas células mortas, vulgo cabelo, foram o suficiente para
aqueles olhos famintos por criação entrarem em ação.
(silêncio)
Nesse hiato foi que eu comecei a me preocupar...
porque eu não vi um tutorial do youtube e EU MESMA cortei meu cabelo? seria divertido...
aquele "simples" cabeleireiro cheio de charme e estilo, abriu um leque de
tesouras e faquinhas afiadas de todos os tamanhos e formatos com uma
habilidade impressionante... "arrupiei".
percebi
que ele cagou pra minha referência careta de formato "U" e franjão.
Esses profissionais, assim como a costureira, (vale um post sobre elas),
ODEIAM a sugestão do pobre mortal que vos fala.
O
MARAVILHOSO filme coco chanel, já havia me advertido que essas
categorias de trabalho, costureira, cabelereiro, cozinheiro... vem
ganhando/ganharam uma aurea de artista do ofício que escolheram para si:
estilistas, hair stylis, chef´s... verdadeiros artistas!
Ai
de você se pede para um cozinheiro, digo, o chef mudar o prato que ele
criou, sim, estamos falando de criação, com direitos autorais e tudo.
Não é à toa que o festival "comida de buteco" vem fazendo tanto
sucesso... a sacada é sensacional... você quer conhecer e cumprimentar o
responsável pela "obra", impressionante.
Vamos voltar ao HAIR STYLIST queridinhos.
APRENDA: não se meta, ele sabe o que está fazendo, ou torça pra que ele saiba.
*
o ritual começou:
Inicialmente, ele pediu para que eu sentasse naquelas cadeiras onde o
corpo fica semi deitado e o pescoço encaixa numa "pia", pro cabelo ser
lavado e hidratado antes do sacrifício, digo, do corte.
aquela
massagem maravilhosa e aquele chuveirinho fazendo a água escorrer na
sua cabeça, é uma preparação/anúncio das tormentas que virão.medite. ele
tentará te enebriar com a sensação de relaxamento que aqueles
movimentos proporcionam, você não pensa mais em nada, só naquelas mãos
amassando seu cocuruto... incrível... aceite, isso foi o mais próximo de
uma pegação que você já teve nos últimos tempos, aproveite.
Natasha T. Batista cansada de guerra foi no céu e voltou.
Passada
a fase delícia, ele pediu para que eu sentasse numa outra cadeira. esse
"trono" já te deixa com o corpo mais ereto e de frente para um espelho
gigante cheio de parafernalha, digo, dos instrumentos necessários para
que a cirurgia dos pelos aconteça.
é colocado um babador gigante para que os "filhotes arrancados" da mãe não suje você. pegue suas mãos, junte-as e ore.
Ele
tinha um instrumento curioso, que parecia um pente... mas havia uma
faquinha escondida que fazia os mais diferentes cortes naquele cabelo
sofrido da vida... a cada "penteada" saia uma porrada de cabelo.
desesperei...
mas
resolvi (como se houvesse escolha ¬¬) confiar naquelas mãos sérias,
compenetradas que demonstravam um domínio absurdo no ofício, na navalha,
na tesoura, no pente.
quis falar NÃO CORTA MAIS ESSA PORRA!
quis sair da cadeira...
quis pedir pra ele pegar leve...
quis dizer "moço, eu não pedi isso..."
mas calei e fiz cara de paisagem.
Tive uma sensação súbita de que eu não podia tirar aquele sujeito do transe...
ele havia traçado um objetivo no meu cabelo, qualquer interrupção poderia ser fatal.
deixei rolar e pensei: essa bosta vai crescer, relaxa garota!
Ao final, ele resolveu secar... e aí eu comecei a aliviar...
A cada puxão, digo escovada, o corte aparecia com mais notoriedade, mudando o formato do rosto, inclusive.
Ficou mais curto do que eu esperava, pensei, no alto da minha ignorância e chatice com relação ao trabalho do artista.
Quando terminou, aqueles olhos curiosos me perguntaram com bastante calma:
- você gostou?
- amei querido, muitíssimo obrigada.
fiquei
me querendo loucamente na frente do espelho, fiz minha própria
arrumação na juba e dei um abraço apertado e um sorriso bem grandão de
agradecida, seremos best! hahaahhahah
Reflexões
importantes: nem tudo está sob o seu controle, e essa sensação sempre
me desespera... acreditar no outro, o ateísmo que me perdoe, é um ato de
fé. somente. você acredita ou não.
se eu vou voltar?
não sei... imaturidade, sensação de controle, apego à bosta do cabelo... ainda tenho um caminho árduo.
Sabe o INPA? Vá almoçar por ali. Das redondezas, TALVEZ, seja uma opção... o talvez é da comida duvidosa que servem por lá... no mais, trata-se de um jardim florido garota(o)s! *.*
mesmo com esse calor infernal, vá de cabelo penteado.
aquele efeito matte é uma coisa divina na boca! aliás, batom é uma coisa muito divertida, experimente pintar a boca de vermelho com um vestido de pano de calcinha, aliás, qualquer mulambo que você tiver na sua casa, vai te deixar uma diva! arraso total! você não vai conseguir parar de usar, impressionante.
ir na padaria da esquina de batom vermelho é tendência.
pegue o carro e vá toda serelepe no mesmo local que você comprou o outro. sim, você já tem duas cores! YES!
estacione e... "olha, está rolando um feira de filhotes!" vá lá ver, afinal, eles são fofos...
na primeira "gaiola" você percebe que tem um cachorrinho fugindo de quatro mini pit-bulls que insistiam em morder/malinar daquele filhote de cofap.
- moço, esse cachorro vai morrer estraçalhado, não tá vendo que esses outros são violentos?
- é normal, eu coloquei ele agora.
- normal é a tua cara (pensei).
salve o cachorrinho das garras do mal, reflita minimamente sobre o sofrimento que esse bichinho estava passando, abrace ele, proteja, faça carinho... e passe a chorar copiosamente no estacionamento daquele supermercado.