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quarta-feira, 30 de julho de 2014

domesticando cidades

Se as ruas largas, o asfalto infinito e os noticiários violentos te assustam... calma, há algumas formas de você domesticar o concreto selvagem:

1. Comece pelas calçadas, passe a caminhar pelas manhãs até a padaria ou supermercado mais próximo todos os dias, mesmo num dia estranhamente frio, procure cumprimentar as pessoas, "bom dia" antes de qualquer coisa é bem gentil e te facilita a vida, acredite;

Rio de Janeiro, 2014.


2. No intuito de participar da vida dos nativos, passe a fazer atividades físicas mínimas, essa ação no corpo é extremamente valorizada neste local, finja ser uma celebridade da novela de Manuel Carlos e comece caminhando, não vá mentir para si mesmo e acordar entrevado na manhã seguinte;

3. Faça amizade com os transeuntes centenários da praia e não confunda suas atividades com Yoga, trata-se uma ginástica engraçada onde além de fazer umas coisas esquisitas com os braços e pernas, você diz a si mesmo, em voz alta, que merece paz, sol, mar, saúde, dinheiro e saladinha. Não os ridicularize, esse ritual é feito todos os dias há mais de 20 anos;

4. Assim como no país Cubano você podia comprar em cada esquina os diários originais de Ernesto Guevara, aqui você acha em cada esquina as partituras originais de Vinícius de Moraes... segure seu dinheirinho! a terra da bossa nova não brinca em serviço!

5. Assista o pôr do sol olhando para aquelas duas pedras gigantes e reflita sobre as diferenças estéticas entre aquelas montanhas e a "Bela Adormecida" de São Gabriel da Cachoeira... 

6. Procure fincar bandeira em pequenos espaços, pode ser uma praça, uma rua, A BIBLIOTECA NACIONAL, o lugar que vende sua empadinha de queijo favorita ou o suco mais sensacional do planeta! não tenha pressa, faça uma rotina e tenha uma mini vida sem atropelos, o apressado come cru. 

Saborear cidades em pequenas colheradas pode ser incrível!








sábado, 12 de julho de 2014

o trabalho e a lepra

Homem infectado por lepra, esse está em ótimo estado,
não tente usar o google. 

A lepra é vulgarmente conhecida como a doença mais antiga do mundo e afetou a humanidade por aproximadamente quatro mil anos. É contagiosa e pasmem: seus sintomas aparecem em dois ou cinco anos, no geral. 

Durante muito tempo as pessoas contaminadas eram convidadas a se retirar do meio social nos antigos leprosários, no Amazonas, você pode conhecer uma ruína fabulosa, que funcionou como abrigo para esses rejeitados, na Vila de Paricatuba, poucos minutos de Manaus.

Dito isso, saiba que ao mergulhar em algum trabalho de escrita ou similares, teus amigos vão te tratar como se você tivesse contraído tal doença, nem adianta deprimir, aceite. Além de fudida de verde e amarelo por razões que você sabe, nem um botequinho pra afogar as mágoas e falar abobrinhas numa sexta feira ingrata você terá.

Vingança é um prato que se come frio. 


Os internos do leprosário de Paricatuba eram proibidos 
de receber visitas. 




domingo, 18 de maio de 2014

Daniel Melingo

Polícia descobre o corpo de uma das vítimas de Jack, o Estripador,
nesta ilustração de 1888. Foto: Getty Images.

Dica: vamos por partes.

Jack the ripper, Luis Alposta e Daniel Melingo

segunda-feira, 28 de abril de 2014

o campo e a pedagogia

Nunca teve qualquer vocação para ser professora, ficar enfurnada numa sala de aula ensinando um bando de pirralho maluvido e respondão o be a bá e as malditas vogais, lhe dava arrepios só de pensar.

Carrossel não cumpriu o seu papel na infância, síndrome de professorinha Helena? nem pensar! só faria sentido na esfera do fetiche...

Professora Helena, Carrossel.

Acontece que ela passou a viajar, colocava na mochila uma rede, poucos livros finos e alguns cadernos. A "manaus moderna" passou a ser o seu local favorito de circulação... 

Antes de "embarcar", comprava um saco de estopa por dois reais, 6 litros de água, por sugestão dos medrosos, duas palmas de banana... ah... a banana é uma coisa linda: macia, cheia de massinha gostosa, evita de você ficar com câimbras (ótimas antes da pegação) e já vem com embalagem, nem precisa lavar! uma beleza!

Aí vai os critérios de escolha de uma pseudo viajante de barco... mal sabia ela que tudo mudaria de lugar:

Laranja? pode manchar, é muito ácida e não levou faca. 
Manga? Vai se sujar muito, manga lambuza tudo.
Goiaba? é mais saborosa que maçã, mas a primeira tá muito verde, pode prender... melhor não. Numa outra viagem penso melhor sobre as frutas. 

Fonte: goiaba gatona, campo, Japurá (2014)


A vontade que dá é de comprar um peixe e um monte de verdurinha... o problema é que não dá pra fazer no barco... e como eu vou levar esse peixe? e vai escorrer pela sacola... credo! não! muita mão de obra.

Uma outra ideia, seria adotar a prática da marília... das sopinhas ensacadas, o problema é que seria acusada de muita frescura e ninguém me respeitaria no barco. Ah, posso levar castanhas! descascadas né? 

Passado o momento frescural reflexivo sobre os critérios alimentares, subiu no barco com sua sacola recheada de frutinhas e água... ok, confesso: alguns cup noodles nojentinhos, nunca se sabe.


Depois do sufoco "atar rede", se espichou de felicidade ao conquistar seu mini território.
Daí, do alto da sua rede, passou a ler "Urupês, de Monteiro Lobato"... foi com toda sede do mundo, achando que ia encontrar um texto facinho, afinal, o cara é pai da turminha do sítio... nada a temer.

pausa.

frustração total! D-I-F-I-C-Í-L-I-M-O, travou no primeiro conto, "que merda!"exclamou. "pior que só trouxe esse para diversão..." ela disse. leu um, dois, três contos... chegava no final e tinha a sensação que não entendia... tentava lembrar do início e aquelas palavras não faziam sentido... ela foi direto no que a interessava. 

O último conto, de 1914, falava do Jeca Tatu, "foda-se", ela pensou. "vou ler esse direto", completou.

Leu, curtiu. 

Mas custou acreditar que aquele rebelde pensava realmente aquilo, suspeitou que ele estava zoando com Silvio Romero... ou com os intelectuais da época que acreditavam num Brasil doente.

"está provado que tens no sangue e nas tripas um jardim zoológico da pior espécie. é essa bicharia cruel que te faz papudo, feio, molenga, inerte. tens culpa disso? claro que não".

retiro o que disse, nunca me senti tão parecida com o jeca quanto hoje. 

*

Por não ter outro livro, vaidade, exibicionismo, orgulho, decidiu ler o resto. 
O exemplo de osmose, daquele antigo livro de ciências que misturava o café com o leite, permeava seus pensamentos... haveria de ter uma chance...

Finalmente elegeu um favorito! "boca torta"! esse conto é sensacional!!! :D

Mas no âmago do seu ser, sabia que teria de ler novamente, se possível, em um grupo de terapia, digo, de curiosos em literatura sob a tutoria de um especialista. De amadorismo já bastavam os seus palpites.

*

Entre um conto e outro, saía da rede para tomar um "ar" e observar  o rio Solimões e a beira mais de perto... passou a identificar as plantações... banana era a mais fácil, mandioca e macaxeira precisariam de um olhar mais atento... mas com um pouco de treino ficaria uma expert! açaí e milho não ficavam atrás, aquilo estava fácil demais... 

milho cozido, bolo, canjica, mingau, macaxeira cozida, bolo, pé de moleque, farinha, tapioca, banana frita, cozida, bolo, mingau, farofa, recheio de pão, pudim de açaí, sorvete, céus... em pouco tempo, Alex Atala sentiria inveja de você.  Um banquete estava montado, até o sabor você já sentia.

No meio daquelas casinhas na beira do rio, uma delas, quando tinha, sempre se destacava... uma instituição que você aprendeu a desconfiar... "escola".

E pela primeira vez na vida, ela se imaginou sendo professora.

Teria uma roça com todas as plantinhas que lhe desse na telha e que era duramente proibida na cidade: 
"suja e a raiz quebra fossa e calçada, nem pensar!", alguns diriam.

Lá ela seria livre e faria banquetes infinitos, igual na "festa de babete"...  aquele filme que todo mundo odiou.



O sonho estava ok, mas ela não fez pedagogia... e se recusaria a alfabetizar alguém com U-V-A... ah, era só adaptar pra B-U-R-I-T-I, aí sim...

Pensou melhor e descobriu que não tinha nada pra ensinar... leu Paulo Freire uma vez na vida, só porque na época, estava apaixonada por um professor de biologia anarquista. 

Pensou em vídeo aulas, poderia decorá-las... mas aquilo pareceu fajuto demais... ela fazia mestrado e não sabia dar aulas... aquilo a deprimiu.

Resolveu deitar na rede e ouvir música enquanto seus anfitriões tiravam uma soneca. Ouviu uma das suas músicas favoritas do Chico e resolveu que faria ditados!

Ditados é um clássico! Ditado é perfeito! pensou.

Decidiu que seria uma professora de ditados... depois de ler as palavras e as coisas, percebeu que poderia pintar e bordar com aquele novo ofício.


Pegou sua versão emprestada e viu a moldura do texto de Foucault cheia de rabisco, descobriu que ali morava a saudade... 

passou pelo capítulo I e sentiu orgulho ao lembrar da leitura de "las meninas" em "prática de pesquisa", seguiu direto e parou no sono antropológico... faria sentido, mas sentiu preguiça de procurar uma citação, seus olhos encheram de lágrimas ao ver aquele esforço na compreensão do texto. sua cabeça doeu, o coração suspirou e decidiu fechar o livro, acrescentou sua xerox.

De maneira geral, Michel estudou de forma ampla e criteriosa a mudança interior em "nossa cultura" do séc. XVIII ao séc. XIX através da gramática geral... é aí que ela quer atacar, através dos ditados! inventaria significados mirabolantes até não querer mais.

Medo - capacidade de enfrentar algo muito difícil
Impossível - combustível para se conseguir algo, vale pra medo também
Governo  - forma arcaica/errônea de gerir vidas
Amor - escapar de um lugar.. (essa eu colei do Mia Couto)
Embriagados - eternos sonhadores
Mutilados - pessoas que geralmente sentem muitas saudades
Meretrizes - mulheres sábias
Riso - ir no céu e voltar
(...)

Na sala de aula diria: "vamos lá queridos, hoje ditarei o que será? (flor da terra)"


flor da terra







quinta-feira, 24 de abril de 2014

Dissertação, diário de uma detenta


Cavei um buraco e estou dentro dele nesse exato momento.
Quanto mais eu cavo, mais fundo ele fica e é cada vez mais difícil de sair, obviamente...

Seria uma vida sem jeito?
O trabalho dissertativo seria uma prisão?

Sorte que a malandragem, ou a perspicácia de um detento, te faz perceber que por se tratar de um cárcere, o buraco não pode ser só um buraco... trata-se de um túnel meus caros... surpresos? pois é! eu também!

Pra quem necessitava de cápsulas de otimismo, aí vai uma.

Mas é o seguinte, amanhã passa o efeito do placebo, agilidade na colher que a água tá na canela.

Racionais, diário de um detento.


"Manaus, dia 24 de abril de 2014, as 02:33 da manhã
Aqui estou, mais um dia
Sob o olhar sanguinário do vigia
Você não sabe como é escrever com a cabeça na mira de uma BAN-CÁ
Metralhadora FAPEAM ou CNPq
Estraçalha bolsista que nem papel
Na muralha, em pé, mais um professor doutor
Servindo o Estado, um orientador bom
(...)
Ele sabe o que eu desejo
Sabe o que eu penso
O dia tá chuvoso. O clima tá tenso
Vários tentaram fugir, eu também quero
Mas de um a cem, a minha chance é zero
Será que o doutor ouviu minha oração?
Será que o orientador aceitou a prorrogação?
Mando um recado lá pro meu irmão:
Se tiver usando ABNT droga, tá ruim na minha mão
...
Pode crer, estudante gente fina
Tirei um dia a menos ou um dia a mais, sei lá
Tanto faz, os dias são iguais
Acendo um cigarro, e vejo o dia passar
Mato uma página pra ela não me matar
Mato o tempo pra ele não me matar
Homem é homem, mulher é mulher
Membro da banca é diferente, né?
Dá soco toda hora, tapa e beija os pés pra aliviar
Sangra até morrer no PPGAS!
Cada escrito uma lauda, um capítulo
Cada capítulo uma crítica
Cada crítica um motivo, uma história de lágrima
Sangue, vidas e glórias, abandono, mesquinharia, ódio.
sofrimento, desprezo, desilusão, ação do tempo
Misture bem essa química
pronto: eis um novo pós-graduando
Lamentos no corredor, na sala de reunião, no computador
Ao redor do trabalho de campo, em todos os cantos
Mas eu conheço o sistema, meu irmão, hã
Aqui não tem santo
Rátátátá preciso evitar
Que um safado faça o trabalho por mim
Minha palavra de honra me protege
pra viver no país das saias floridas
Tic, tac, ainda é 02:53
O relógio da coordenação, anda com meu pescoço na mão
Ratatatá, mais um ofício vai passar
Com gente de bem, retardada, "artista"
Vendo série/filmes, satisfeita, hipócrita
Com raiva por dentro, a caminho do centro
Olhando pra cá, curiosos, é lógico
Não, não é não, não é zoológico
Minha vida não tem tanto valor
Quanto seu celular, seu computador
Hoje, tá difícil, não saiu o sol
Hoje não tem visita, não tem pegação
Alguns companheiros têm a mente mais fraca
Não suportam o tédio, arrumam babacas
Graças ao carnaval e à trilha sambista
Falta só uma semana, três dias umas horas
Tem um HD lá em cima fechado
Desde terça-feira ninguém abre pra nada
Só o cheiro de gravação e maldição
Um pesquisador se enforcou com o fio do fone e a caneta na mão
Qual que foi? Quem sabe? Não conta
...
Nada deixa um antropólogo mais doente
Que a solidão da transcrição
Aí moleque, me diz: então, cê qué o quê?
A seleção tá esperando você
Pega todos os seus artigos aprovados
Seu currículo lattes e limpa o rabo
A vida acadêmica é sem futuro
Já ouviu falar de PHd?
Que veio do Collège com diploma
Um dia no barco recreio, não ele é só mais um
comendo rango azedo com pneumonia
Aqui tem os mano da etnografia, Manaus, Belém, Benjamin Constant,
Porto Nacional, Blumenau, Viçosa, Conceição do Araguaia...
Pesquisador sangue bom tem moral na quebrada
Mas pro doutorado é só uma região e mais nada
Vários PPGAS, quantos selecionados?
Veja a nota da CAPES de cada.
Na última coleta, o fulaninho veio aí
Trouxe uns formulários :P
(...)
ESSA MÚSICA NÃO TEM FIM?

Eu quero mudar, eu quero sair,
...
De madrugada eu senti um calafrio
Não era do vento, não era do frio
Correção do texto tem quase todo dia
Tem transcrição logo mais, eu sabia
Malandragem é tudo que o orientando tem
Conseguir terminar o texto, de forma violenta
Se o computador sacanear alguém
leva pro HD e salva o resto também
Fumaça no sistema, mudou o tema?
Fudeu! foi além! tem refém, é você!
Na maioria, se deixou envolver pelo campo
Por um papo que não tinha nada a perder
Dois nativos* considerados passaram a discutir
Mas não imaginavam o que estaria por vir
Teorias, militâncias, influências
Uma maioria de grupo de pesquisa arrogante
Era a brecha que o diplomado queria
Avise o CNPq, chegou o grande dia
Depende do sim ou não de um só homem
Que prefere ser neutro pelo telefone
Ratatatá, tambaqui e champanhe
Eu fui almoçar, que se foda a minha tese!
Pesquisadores assumidos, publicações, reuniões
Quem tem mais publicação ganha medalha de prêmio!
O antropólogo é descartável no Brasil
Como modess usado ou bombril
Bolsa? Claro que o sistema não quis
Esconde o que a CAPES não diz
Ratatatá! Abobrinha jorra como água
Do ouvido, da boca e nariz
O meu orientador é doutor
Perdoe o que seu orientando diz
Dormiu de bruços na sauna da vez
Sem lençol, sem beber
Sem tomar banho, sem foder comer
Vai pegar uma escoliose na cadeira
Miopia é o de menos,
Aquele parágrafo final te sorri do inferno!
O prazo é frio e não sente pena
Só ódio e ri como a hiena
Ratatatá, você vai defender!
E vai nadar naquele rio de Alter,

Mas quem vai acreditar no meu depoimento?
Dia da defesa, diário de um detento.

* licença poética


domingo, 13 de abril de 2014

?

- Cadê a Natasha?
- Fudida. Se sentindo culpada pelos cantos e escrevendo a dissertação nas horas vagas.
- hahahahahahaha

fim.



Chico Science e nação zumbi, da lama ao caos

terça-feira, 25 de março de 2014

Ray!


Intervalo de dez minutos, dez! vá a cozinha, tome um copo de água, som alto, faça dancinhas esquisitas... volte! volte! Com trabalho duro você terá sua vida de volta.


segunda-feira, 10 de março de 2014

balancê

Vanessa Angostini, carnaval 003.

Não gostar de nada que escreve pode ser um problema.

Publicar algo, expor algum trabalho, submeter um resumo seu fora de um blog e botar a cara no mundo para os seus pares, ou futuros pares, pode ser uma tarefa deveras angustiante.

Tentando elencar os motivos de tal angustia, pensei que a inexperiência, a arrogância, a pressa, a preguiça, a falta de treino duro, de leitura, conversas... sejam "a pedra" no caminho.

Reconhecer é importante, mas ficar exaltando o fato de "saber" as origens do problema e não sair da zona de conforto, te impede de entrar no movimento... e é disso que estou falando, do movimento, que é contrário ao confinamento... Daniela Arbex me entenderia. 

Escrever é dançar, é deixar tudo em movimento. 
Sigo na dança, absurdamente inspirada por esse delicioso carnaval.

Balancê, Gal Costa.









segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

corrida maluca: trabalhos e dissertação


o corpo chega, mas o espírito/a mente, demora um pouco pra aterrissar... 

aproveite que está um pouco avoada pra fazer um trabalho que exigirá resistência física, um copo de água e o seu anti alérgico favorito. A segunda feira servirá pra fazer um balanço de toda bibliografia que você tem disponível. Está na hora da sua mini biblioteca ficar funcional, dê espaço para seus caderninhos de campo e uma nova classificação de títulos. é bem chato você descobrir que tinha dois títulos/autores IGUAIS por pura desorganização. 

tire toda a literatura e quadrinhos da sua vista. está na hora de deixar a mão aqueles clássicos que vão ajudar a fundamentar os seus parágrafos cheio de descrição, angústia e inseguranças: posso começar pelo brasil, ah mas os viajantes primeiro né? mas depois dos viajantes tem aqueles primeiros autores de antropologia no brasil... vou separar o aquele cacareco do Oliveira Vianna e o Romero... depois Euclides da Cunha? ah, abro exceção pra ele, Lima Barreto e Monteiro Lobato, só os três, Gilberto, Darcy, Galvão... Roberto da Matta, RCO, Otávio Velho... daí agrupo por autor. fica melhor. mas e a família da Berta?! ai, vai ficar separado, ela a Lux a Els... mas os de arte ficam junto? humm melhor não. vão ficar junto do nacional estrangeiro do  Micelli e cia, daquela disciplina do Marco, vou deixar num canto só. chego na Sally Price e paro, ahhh cabe a Deise e o Rafael na sequência... o problema vai ser o Viveiros de Castro... era pra entrar na sequência da antropologia do brasil... tem uma parte que a etnologia fica forte com o Melatti, mas vai dar merda, acho que agrupo ele com o Latour, o Descola, Roy Wagner e aquela coleção bonitinha que eu ganhei do pessoal da USP. E o Taussing? ah, fica junto. os de "seleção", aqueles do Lévis-Strauss, que eu só leio um capítulo por livro, Nuer, Sexo e temperamento, Malinowski (fofo), Mauss e cia vão ficar naquela linha evolucionista mesmo... simplifica tudo. A parte de autores que trabalham e são da Amazônia poderiam ficar todos juntos, fica mais fácil... coloco perto dos viajantes e aquele livrão do ISA, é isso. os do Foucaul, Bourdieu, Elias, Bachelard... eu vou deixar tudo no mesmo pacote por precaução... é achei legal, vou incluir comunidades imaginadas e aquele sobre tradição, ah! o das meninas do Maranhão também... nossa, o trabalho da Cynthia é sobre garimpo! que coincidência!!! Bruxaria... é isso! acho que nunca mais vou ler nada de "urbano" por esses tempos... será? ai, tão legal... gilberto velho foi um divisor de águas uma época... festas,condomínios, favelas, voto, alba zaluar, carnaval, city of god!  mas que ninguém saiba: adoro a mirian goldenberg! hahahahaha tenho uma mini coleção sem querer. aqueles da disciplina da Thereza deixo juntinhos também, a galerinha de chicago e aquelas revistas... mas isso vai ficar uma zona... tô cansada, vou comer rapidinho. E ESSAS XEROX MALDITAS? ah, amanhã eu vejo de uma por uma, separo em caixas, fica melhor. não fiz nada e já está tão tarde... :/ mas e as revistas/jornais? não vou colocar no meu cesto lindo... ah não, elas vão ficar com um formato horroroso... deixa o meu banquinho Tukano chegar *.* 

sono absurdo! ao menos amanhã já sei o que fazer. tá faltando espaço. aquela estante da bemol dobrou o preço, bando de fuleiro. se bem que a ideia da Katia das caixas é bem legalzinha, mas eu vou ter saco pra lixar? se a gente marcar comidinhas na casa dela eu vou e lixo, pinto, acho que sozinha vou desanimar. poderia ser uma ideia pra colocar cd/dvd. tá tão espalhado... aliás, tá numa caixa com poeira... a única coisa fora foram meus dois presentes fofos: dvd do povo brasileiro e a coleçãozinha do caetano... aliás, foi a trilha sonora de hoje, não gostei do "cê", quanta gritaria! poucas pra aproveitar, mas "totalmente demais" ganhou em disparada !!! por enquanto... nossa que canseira, verme? ahhh tá no período de anita! 

chega. amanhã vejo isso. 

respeito muito minhas lágrimas,
mas ainda mais minha risada.



(de) pressão pós campo


"... o resto é música e vamo simbora", Dominguinhos

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

O exército e a volta* do estado absolutista

* Me pergunto se algum dia ele foi.




Parafraseando a querida Regina, vou compartilhar um segredo: eu tenho medo.

Estou com medo de mim, respirando nesse quartel, esperando algum barco, balsa, voadeira, rabeta... avião? não. eu não vou pra tabatinga naquela coisa minúscula.

Tudo bem que no Telecentro comunitário, me foi cedido gentilmente um espaço pra trabalhar... mas espera, é C-O-M-U-N-I-T-Á-R-I-O. 

acontece que você é Renata, a ingrata.

*

Um agradecimento a família maravilhosa de Jacinta, que me deixou descansar, lavar roupa, assistir novela e comer na sua casa com tanto carinho e conversas infinitas.

*

Acontece que perambulando por essa Vila, eu tenho ouvido TANTAS histórias absurdas sabe? as vezes eu nao acredito que convivi tão pertinho desta instituição... se você tem vocação pra deixarem cagar na sua cabeça, seja bem vindo ao exército.

Lembrei muito da época que eu amava quadrinhos... a minha bolsa de PIBIc "ia toda pro poeta"... aquele rapaz gente boa que trabalhava na LUA, ao lado da cantina do ICHL... bons tempos. o Laerte era um dos meus favoritos, depois da overdose de Mafalda que a minha irmã caçula me fez engolir, enjoei (um pouco) da menininha argentina e caí nas graças desse cartunista genial. virei colecionadora.

O livro lembrado foi "onde está a democracia?"


A imagem que me veio na cabeça não foi essa, meu livro está em casa... mas ajuda a entrar no clima. deixa eu procurar de novo...

qualquer zé ruela que chega no pedaço e se intitula de capitão, se acha no direito de deter qualquer pessoa (manter preso mesmo!), seja adolescente que pegou um coco da vizinha... na hora é acusado de roubo, com direito a detenção e lição de moral, inclusive nos pais... até expulsão (da vila) de mulher grávida com filhos que estão em período escolar... sim! é a volta do estado absolutista minha gente! inventa lei, julga e pune.

divisão de poderes? democracia? ah, isso não existe por aqui, paira no ar um "direito divino dos reis".

o lema por aqui é proteger a amazônia... queria saber de quem e pra quem.

Vou tentar meditar, contar até três milhões e respirar fundo ao por do sol, de frente pro rio Apaporis. 

 *não achei no google a tira que eu queria, agora é esperar chegar em casa e digitar as coisas do meu amado caderno de campo sem fim.






quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

campo, fronteira brasil colômbia

Longe?
Nada! 

vim de recreio, sao cinco dias de viagem até Japurá. Lá voce irá esperar o barco da prefeitura por tempo indeterminado... soube que gabrielzinho *garcia marques, tem um texto a respeito dessa espera interminável... 

depois mais dois dias, subindo o rio Japurá até chegar no rio Apapori... você irá sentir um medo absurdo de praia... e vai associá-las a morte iminente. 

passado o suplício...

bem vindo a Vila Bittencourt, o finalzinho do Brasil. 
Se acabou? Não, meu campo é mais pra cima.
 
3º Pelotão Especial de Fronteira de Vila Bitencourt, 
de frente para o Rio Apaporis, e para Letícia, Colômbia.


Se volto de monomotor do exército?
JAMAIS! rs

Seja discreta com esse pavor, vá num psicólogo assim que voltar a Manaus.

domingo, 19 de janeiro de 2014

ansiedade

The great war, René Magritte, 1964


tem uns dias que aconteceu uma coisa bem importante na gavetinha do profissional sabe?

eu recebi "a notícia" com um certo impacto, mas confiante. nem sei explicar como foi isso, em outros carnavais eu peidaria na farofa, mas dessa vez foi diferente. ouvi desconfiada mas pensei: 

isso foi feito pra mim, sou foda, vai dar certíssimo.

A saber: tenho uma dissertação para concluir até março, impreterivelmente. bibliotecas, me aguardem.

Para algumas pessoas pode ser uma besteira, mas pra mim eu considero uma grande mudança... e assim, a minha opinião é o que importa nesse momento. heheheheheh

Acontece que toda a minha sensação de "sou foda" tá indo pras cucuias diante da minha ansiedade cada vez maior para uma reunião/encontro marcado por esses dias, as minhas roupas de pano de calcinha não me convencem mais, nem as fantasias de escritório pseudo advogada gatinha. entrei no limbo da frescura, melhor, no limbo do figurino. 

Não sei se solto o cabelo, se deixo preso, se uso decote, saia, vestido ou calça, se uso colar, brinco ou pulseira, nem se os acessórios serão de metal ou orgânicos (!!!). haja saco pra me aguentar. mas acho que essa frescurada pode ser algo bem simbólico... talvez eu esteja num processo de liminaridade que eu ainda não saquei qual é, mas isso é uma questão de tempo.

Eu tinha decidido não escrever sobre essa sensação... mas já percebi que a escrita por aqui tem uma certa agência/poderes mágicos sabe? algo que está crescendo, estou aprendendo... difícil explicar, quer dizer, não vou explicar... rs. talvez justifique o meu acordar súbito e a doidice de esvaziar no Natasha.   

Sigo fichando loucamente o que interessa e decorando alguns números absurdos para um possível questionamento vexatório. 

beijos e sorte né?

:)

feliz é pouco.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

INFERNO: windows 8

"O Windows 8 é um sistema operacional da Microsoft que, depois do sucesso do Windows 7, ficou ainda mais funcional e prático. Faça o download agora mesmo e deixe o seu computador moderno e eficiente"



Eu acho que a cara de pau não tem limits... sinceramente.

Quem inventou essa bosta, deveria morrer lentamente e arder em sete eternidades no fundo do inferno... 

aquele bando de quadradinho sem sentido aparece quando você está bem tranquila batendo os dedos no teclado, de repente tudo some e vem aquela tela incompreensível, iniciar não existe, daí dá um pequeno bloqueio no seu cérebro até você perceber que tem de usar o teclado e mirar na área de trabalho... porque é apenas de lá que você consegue visualizar onde está. foto? vídeo? áudio? paint? tive que começar do zero... e ainda apanho MUITO pra manusear com tranquilidade.

ai! me perdi, me achei, me perdi, me achei... e assim você vai vivendo... nutrindo um ódio profundo pelo seu computador que não tem nada a ver com a historia... 

pra quem ainda tem esperança:





quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

casa das caldeiras

a trapezista do circo

arreeeeia!


as feridas
os jardins
a pressão
e o motor!





modo de usar: aumente o volume, decore a letra, simule que um orixá baixou em você... até isso acontecer. esses som é de pirar!

obs: não tem uma versão que preste na internet, essa é a melhor: mas não consegui postar, clique no link!

BEM VINDO 2014!!!!!!!!





domingo, 15 de dezembro de 2013

qualificação e prezi

Quando ela estava no colégio, tia Patrícia fazia suas tarefas de casa naquela mesa grande da vovó Ana e do vovô Arlindo que ficava na cozinha. Nessa mesa grande, vovó fazia comidinhas rápidas para ela e os filhos, mas as netas sempre davam um jeito de filar essa iguaria:  feijão de praia cozido na água e sal, verdurinha (cheiro verde, cebola, tomate) picada, farinha seca (branca) e um pouco de óleo pra dar a liga. 

Misturava tudo e fazia pequenas porções com as mãos, cuidadosamente amassados...  aos poucos eles eram enfileirados no prato e viravam pequenos bolinhos carinhosamente chamados de “boloto”, cada um pegava o seu.


Depois do “boloto”, tia Paty limpava o fogão e fazia suas tarefas escolares na mesona. Esse oficio de “limpar o fogão antes de dormir”, seguia uma regra rigorosa: depois que a mais velha conseguisse um emprego no distrito industrial ou casasse, a seguinte seguia no ofício... sempre antes de dormir e/ou namorar.

Ai de quem fosse namorar antes de limpar o fogão. Vovó Ana ia buscar na sala e soltava o verbo: VÁ JÁ LIMPAR O FOGÃO! Ninguém queria passar por tal constrangimento.

A da vez era a Paty, Simone havia acabado de conseguir um trabalho na Philips.

As mais velhas, Rosa e Maria, eram lembradas com saudades em tempos de faxina. Mesmo casadas, enceravam o chão da casa da vovó nos finais de semana ao som de Roberto Carlos e “daquela mulher cega”: a Kátia.

Sou rebelde, não era a Kátia.

Por ser vizinha da minha avó, eu vivia lá. Colava na Patrícia, uma pentelha-chiclete mesmo.

Depois de limpar o fogão, Paty tinha um caderno de educação artística, onde ela fazia réplicas do teatro amazonas e onças. Eu amava vê-la pintando e desenhando. Ela tinha uma infinidade de lápis de cores... mas o seu zelo,  brabeza e perfeccionismo era tão grande e característico desta personalidade, que ninguém ousava triscar, obviamente. ou não na frente dela! hahahahaahaha

Segundo ela, os contornos de qualquer desenho com uma canetinha preta era o segredo para a beleza de qualquer pintura, eu seguia à risca. Aquele talento era sobrenatural pra mim.

A minha lembrança mais forte, foi a de um trabalho de biologia que ela desenhou cuidadosamente uma infinidade de vermes, protozoários, bactérias... foram diiias de tênias, amebas, platelmintos que flutuavam na minha cabeça... era tudo lindo demais.





Paty cresceu, eu também.

E momentos antes da minha qualificação, ela me apresentou o Prezi.



"Tu vais arrasar na tua qualificação! é bem simples de usar e as apresentações ficam lindas"

A vontade de aparecer é uma coisa incrível né? hahahahahah

Mas antes, vou falar de uma situação recorrente nessa minha vida pré-qualificação: a petrificação do corpo e da alma.

de acordo com o site/blog/delícia do pós-graduando, eu estava com a crise do powerpanicopoint.

"Priscila, repelida pelo PowerPoint
Priscila era uma menina de cachinhos dourados que fazia mestrado em algum departamento de Exatas no RJ. Tudo ia bem, até que duas semanas antes da sua defesa, Priscila se viu incapaz de abrir o programaPowerPoint. Toda vez que ela abria o programa um medo incontrolável tomava conta dela, e Priscila tinha que ser levada para o Hospital Universitário. Foi diagnosticada com: Crise do PowerPanicoPoint e como tratamento fez toda a sua apresentação de defesa no Prezi." 
(Daniel Agrimani)

Paty precisou sentar ao meu lado e segurar na minha mão para que eu abrisse o programa, eu estava absolutamente tensa e incapaz de fazer qualquer coisa. só tratamento na minha vida.

Depois de passar por esse momento frescurite aguda,  fiquei HORAS mexendo na apresentação, fotos, modelos e isso entrou pela madrugada, até eu topar com a história de Miguilim... Sim, você não tem o que fazer e as duas da manhã, véspera da sua qualificação, você baixa um pdf de "campo geral"... pra passar o tempo.

vai dormir garota!

*

No dia da qualificação, cheia de olheiras e tensão, a figura incrível do Rafa (membro da banca), depois deu instalar o projetor e rezar para abrir todos os arquivos, fala o seguinte:

"Prefiro ouvir você falar, olhando pra você".

gelei.

Tudo bem que eu me posicionei de maneira errada sabe? fiquei na posição contrária ao projetor :/ nem tive o tino de levantar e falar ao lado da imagem... colei na cadeira e lá mesmo fiquei. mas ok, tava nervosa e com as tripas moles. (sacaram né?) demorei uns 30 segundos pra perceber que toda a minha frescura/sofrimento pré-qualificação foi pras cucuias, bastava eu contar uma historinha e pronto. ah, só eu vi o prezi. hahahahahahahah

No fim das contas, qualificação não é um bicho de sete cabeças, você leva umas surrinhas, mas faz parte do "ritual do ralho".

Você e seus colegas de PPGAS, que passaram pelo ritual do ralho.
(Aleksandra Waliszewska) 

gostei :)

Tia Paty é linda e eu vou guardar pra sempre a dica do prezi, apesar do frio na barriga de você não saber se ele vai abrir ou não, as apresentações ficam arquivadas numa conta (do próprio prezi) e as informações são apresentadas de uma forma mais dinâmica sabe?  com vídeo, fotos, animações... impressiona gente besta que nem eu! hahahahaahah 

Fique craque na parada, vai que você precisa "vender" uma ideia/projeto legal, 
nunca se sabe.








sábado, 7 de dezembro de 2013

"a música das cachoeiras" e a ciência


Ontem recebi um e-mail sugerindo um "seminário de pesquisa" com os colegas, vou mostrar a parte que interessa:

"Chamei de metodologia, mas sem rigor científico (por favor não ria)"

Sinceramente, alguém ainda acredita que alguma coisa é feita com rigor científico? 

vamos aproveitar a fala da Manuela, nesse entrevista cheia de ratadas e constrangimentos (da jornalista, claro):

"curiosa pergunta..." hahahahahahahaaha

Se for árduo pra você assistir esse vídeo num sábado, não se violente, sério. respeite seus miolos.

faça só um esforço de OUVIR até os dois primeiros minutos, ao menos é a parte que interessa... ou se você acordou ambicioso, deixe rolar a entrevista enquanto você mexe naquele sangue-suga chamado facebook... ou arrume seu quarto, prefira a segunda opção. Lá tem vários argumentos que podem te ajudar a se exibir por aí... inclusive conquistar aquela menina gata, linda, sensacional que te deu mole na balada.

Para escrever um texto acadêmico ou um blog, você deve se acostumar em ser arbitrário/ditador, cada escolha (se o seu orientador permitir, claro), texto, parágrafo é uma ordem. ai que delícia! hahaahahah, ok, mentira. é um sofrimento.

É nesse contexto ditatorial que acrescento o "culto da emoção" pra chegar no lançamento de um livro-CD que eu fui ontem:

resolvi homenagear a minha cópia.

Eu juro que não lembro qual foi a disciplina que eu usei o texto, se foi em "prática de pesquisa" ou em "teoria antropológica III"... mas nem interessa, você pode comprá-lo no estante virtual com poucos reais.

"a sociedade atual perdeu a capacidade de sentir".

será?

"quando a atualidade imediata não traz o seu quinhão de acontecimentos dramáticos, a cultura do entretenimento reveza-se com ela. O cinema, os seriados de televisão, os videogames, os grandes espetáculos e as imagens de síntese constituem um imenso reservatório de emoções. A emoção tornou-se um objeto de marketing cujo impacto é cuidadosamente calculado pelos donos de nosso lazer, alternando horror, surpresa, tristeza, indignação, alívio, compaixão, lágrimas e riso num jogo de contrastes que nos mantém em suspense."

*

não sejamos tão dramáticos, heheheheehe.

continuando:

"esse retorno à emoção constitui, simultaneamente, uma riqueza e um perigo. Uma riqueza, porque tempera os excessos da racionalização. A emoção é um derivativo salutar numa civilização submetida aos imperativos da ciência tecnológica e da organização". 

...

"... na décadas de 1950 e 1960, que via na emoção uma perturbação do comportamento, uma falha da ação, um deficiência. Essa nova antropologia reabilita a emoção. Ela a considera uma auxiliar da ação, uma aliada da razão".

...

pra pensar:

"é revelador que o homem contemporâneo se interesse mais pela emoção, que é de tipo explosivo, do que pelo sentimento, que tem caráter duradouro".

*

O autor é cheio de afirmações... do jeito que você gosta... rs.
Por favor, não o cite nos seus trabalhos acadêmicos, ele te ajuda a pensar. só.
depois que você aprendeu sobre a dança da desconstrução, a última coisa que você quer na vida é um prédio sólido e seguro. fluidez é a regra.

quanto aos "perigos"... jogo a bola pro leitor. já o citei demais.

*

Ahhhh finalmente lembrei!

pensei nesse do Lacroix, mas o que estava na minha cabeça foi um comentário da amiga Gê (parabéns pelo doutorado!), em uma disciplina, que também não lembro (hahahahha), sobre o pós-moderno Renato Rosalvo que num trabalho de campo junto com a mulher, ela caiu de um barranco e morreu. ele escreveu sobre isso e solidificou o que estava se chamando de "teoria das emoções". em um dos seus textos, ao investigar a morte, afirma que "muitos antropólogos eliminam a esfera das emoções, assumindo a posição de um observador distante".

Acho que esse é o legado mais importante: não eliminar as emoções. revirei tudo e não achei o texto dele de jeito nenhum... nem na internet :/

vou ver se compro o livro mesmo...

*

depois dessa introdução inesperada, apresento "a música das cachoeiras".

as imagens são lindas!!!


Se você preferiu ir ao lançamento do livro-cd do seu coleguinha de classe ao invés da festa de quarenta reais, parabéns! você ganhou esse livro lindo, que não será comercializado, para dar de presente.

Agradecimentos à pesquisadora Karina Sanches, que viabilizou tal gaiatice. :)

No evento, tive a oportunidade de cumprimentar um professor, muito querido, que ministrou uma das primeiras disciplinas que cursei na graduação: Nelson Noronha, autor do prefácio desse livro-CD encantado.

Nelson inicia o texto falando de amor e afeição, e é disso que estou falando:

"As imagens, as palavras e as músicas deste Livro-CD surgiram de uma iniciativa que reuniu amor pela arte e afeição pela pesquisa científica e filosófica. (...) o projeto nasceu do interesse de Agenor Vasconcelos pelas criações artísticas desses povos, que se desenvolveu durante suas pesquisas destinadas à redação de sua dissertação de mestrado. Sob o título de o sentido metafísico na descrição etnográfica de Koch-Grunberg: o demônio, a máscara e o falo...."

Em linhas gerais, o trabalho diz respeito a uma viagem "do Alto Rio Negro ao monte Roraima" que possibilitou encontros com indígenas de diversas etnias..., encontros musicais, artísticos, numa espécie de encontro "metafísico" (usarei esse conceito em função da formação de Agenor, ainda que o cosmológico seja bem mais sedutor) que possibilita a construção de, mais um vez, mundos possíveis.

Uma pena a banda Marupiara não estar no evento, mas aí vai um pedacinho deles:


Apiga, banda marupiara.

O que fica pra refletir é um barulhinho cada vez mais crescente de que um texto, um livro, um cd, uma dissertação ou tese são só a ponta de um iceberg. Jamais, digo, JAMAIS, darão conta do que um encontro, a experiência, um trabalho de campo, o sentimento e a emoção com o intuito de construir diálogos possíveis é capaz de fazer.

*

IMPORTANTE: Estimada alaíde negão, pare de boicotar minhas aulas de francês aos sábados pela manhã! tocar as duas da madrugada já deu! (desabafo coletivo)

música da cachoeira, carimbó do cagado (alaíde negão)

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