natasha tardia
sexta-feira, 14 de julho de 2023
shake de maracá em julho, teledipity
sexta-feira, 5 de maio de 2023
Carolina
Ontem li "Quarto de despejo: diário de uma favelada" (1958) de Carolina Maria de Jesus. A motivação veio de um nó no peito, uma angustia, sentimento de injustiça misturada com uma raiva que não passa.
Carolina é imensa, sua escrita é devastadora.
Fui esquentar minha comida que fiz no final de semana. Fiz em panelas, não em latas. O meu frango guizado tem batatas, alho, tomate, sal, tempeiros. O meu feijão preto tem carne, cebola, alho, sal, tomate. O arroz tem lentilha e foi refogado com alho e cebola, a minha farinha é do Uarini, minha tia me deu. Havia na geladeira salada fresca, tomate, pepino, manga, cebola roxa, mais de um tipo de alface, cenoura ralada. Temperei com sal, mel e limão. O meu prato é lindo, rosa e branco, de cerâmica. Comi devagar, sentido o sabor de cada coisa que eu havia colocado no prato... em lágrimas. Assim que acabei de comer, lavei os pratos. Havia sabão e água pra isso.
Carolina viveu o impossível.
Iniciei o livro pensando em várias possibilidades na tentativa de resolver o problema da fome naquele contexto. Porque ela não plantava... Porque não fez acordo com algum feirante... Se fosse eu...
Da metade do livro em diante, entendi. É covarde a minha comparação. Os dados sobre insegurança alimentar apontam que há em torno de trinta e três milhões de pessoas que não sabem o que vão comer.
É impressionante como a descrição é poderosa...
Fico em silêncio, deixo as palavras de Carolina Maria circularem em mim...
segunda-feira, 1 de maio de 2023
Mini baratas
Hoje eu acordei com a luz do sol no talo na minha cara.
Gosto de dias assim, é um privilégio o sol esturricar na cama. Dormi com a janela e cortina aberta. Fechei as cortinas e dormi mais um pouco. Foi bom ter escrito ontem, um pouco todo dia pode me ajudar a descrever mais e melhor. As roupas claras secaram, passei as capas do sofá e embalei ele de volta. Não ficou do jeito que eu queria, mas vou me acostumar até a mamãe chegar. Precisa de um capricho que só ela tem. Ao menos está limpinho. Fiz um mistura de batata doce, aveia e ovo. A minha banana acabou. Parecia que ia ficar bom mas não ficou. Eu não gosto mais de batata doce e não suporto mais nenhum tipo de banana que não seja a prata. Coloquei roupa de treino, tênis, joguei o lixo, passei em frente à academia, perguntei até que horas ficava aberta. Até as 22:00. Passei direto e fui ao supermercado, era quase 13:00. Comi um pão de queijo com recheio de frango. Procurei por alho de verdade e não tinha, comprei aqueles triturados de pote e fiquei chocada como aquilo tem de tudo. O cheiro é horrível, nem parece alho, nunca mais eu compro. Fiz uma comida nutritiva, boa, simples. Não gostei de nada. Improvisei um altar e comprei uma vela de sete dias, rezei um pouco, sigo tentando merecer o tal do livramento duplo do mês de maio. Decidi que gosto de meia luz e não aguento mais essa luz estridente em cima de mim quando escurece, mesmo sendo amarelada e linda, tá demais. Tomei banho com a iluminação da vela e gostei. Vou ver preço de abajour e castiçal na internet. Comprei chá de camomila de saquinho. Não é o mesmo gosto do matinho seco, mas dá menos trabalho na hora de fazer e lavar. Ao menos à noite queria algo mais simples que fizesse menos sujeira. Vou ter de comprar um de qualidade melhor, mas não sei qual.
Acabei de ver uma luminária de mesa na amazon. cinquenta e cinco reais. a luz é suave e não ofusca, sem danos aos meus olhos. ecológico, seguro e confiável. sensível ao toque, cabe na palma da mão. gostei da descrição, melhor que muita gente. vou deixar as velas no banheiro. o título desse texto e a motivação para escrever, foram as mini baratas que achei debaixo da pia. quero dormir. amanhã verifico como posso tira-las de lá. o que mais me desespera, é que são filhotes. acabei de ver no google que a cada ninhada são em torno de 30 a 50, meu deus...
domingo, 30 de abril de 2023
Ano novo
Hoje é o último dia de abril de 2023. Acordei tarde, enrolei pra levantar, decidi ler um dos livros que a tia Jane me enviou pela tia Rama. O título do livro é "Organize-se num minuto: 500 dicas para pôr ordem em sua vida". Achei divertido começar a ler esse livro com a casa virada do avesso. Fui até a página 180 e resolvi ouvir quais seriam as boas novas astrológicas para o mês de maio. Assisti atenta à uns quatro vídeos e fiz um resumo escrito e mental sobre o que foi dito. Em linhas gerais, será um mês bem desanimador, vou estar cansada, exausta e com dificuldades de comunicação em grupo. Disseram também que é para eu ficar em silêncio, mesmo sabendo que algo de ruim pode acontecer à terceiros. Que é para eu evitar bater de frente, pois será um período de avaliação e espera. Apesar do roteiro desanimador, teve uma parte interessante. Foi pedido que eu me aprofundasse e explorasse as minhas raízes, que soltasse o controle sobre as coisas e me "rendesse à jornada". Para o amor não veio nada, achei um horror. Geralmente vem algo sobre fogo ou terra no meio dos avisos e cuidados, mas dessa vez não veio nada, nada. No último vídeo, meio aleatório e um pouco mais cristão, havia um aviso crítico: Deus está me protegendo e vai me dar um livramento duplo.
Embaixo da minha cama organizei algumas sacolas com roupas de frio para aliviar um pouco o meu guarda roupa durante o verão. Sempre tenho a impressão que tenho roupas sobrando, ou algumas que não uso que não precisavam mais estar ali. Essa época do ano é considerado outono em São Paulo. Tirei as duas sacolas com roupas um pouco mais quentinhas debaixo da cama e separei o que iria lavar e o que iria doar.
Enquanto escrevo aqui, maio chegou. Bebo um chá de capim santo e mangarataia na minha caneca vermelha que diz assim "cem anos de história e memória". É da Pinacoteca. Fui verificar em que ano ela foi fundada: 1905. Comprei a caneca há 18 anos atrás, em 2005. Não faz sentido, não lembro de ter vindo em são paulo em 2005. Talvez tenha comprado em 2007, e talvez tivesse essa caneca comemorativa de ponta de estoque... não sei.
Decidi voltar a escrever para treinar a escrita, mas também pra observar a maneira que tenho entendido o meu mundo. Talvez tenha entrado num fluxo um pouco sombrio que me assustou.
Levantei, lavei o cabelo, a louça, as roupa claras, o chão da cozinha e o banheiro. Ontem manchei meu sofá lindinho de sangue, fiquei bem triste. Na tentativa de limpar ficou pior. Fiz uma mancha branca com a água sanitária. Quase chorei. Com a ajuda de uma tesoura, consegui tirar a capa, aproveitei e coloquei tudo na máquina de lavar, deixei de molho algumas horas. A estrutura dele com madeiras e almofadas claras, me permite fazer essas trocas sem danificá-lo. Tô bem satisfeita, posso virar ele do avesso. Queria que a mamãe estivesse aqui, acho que um apoio moral. As manchinhas de gordura e vinho que tinham nele e uma leve poeira acumalada nas extremidades, sumiram. As capas estão secando, vai ficar novinho e limpinho. Gostei.
Minha geleira tá vazia. Tem um potinho de geleia de morando bem gostoso, alguns ovos, a metade de uma cebola roxa na lateral, alguns molhos que eu nunca uso. Um restinho de tapioca e farinha do uarini que a tia Rama trouxe, e uma batata doce na gaveta debaixo meio murcha. Ainda tenho feijão preto, lentilha, um macarrão de beterrada que eu ainda não provei, mil quilos de capim santo e um restinho de milho pra pipoca. Queria castanha de caju, as vezes eu acho que gosto mais delas do que a castanha normal. Não sei se o supermercado abre amanhã, mas fiz uma lista de compras: frango, cenoura, batata, alho, calabresa, cebola branca, tomate, escova e pasta de dentes, banana.
quinta-feira, 1 de setembro de 2022
terça-feira, 25 de janeiro de 2022
(re) nascimentos: descansa o pai, nasce a filha
Ontem, em frente a casa do eletricista, o homem de família descansou.
O maior coração do mundo, parou... diante do seu melhor amigo e companheiro, Regis.
Era fim de tarde, tinha o risco de chover, papai errou o caminho para buscar a toalha de mesa suja de vinho das festas de Natal. Andando pelas calçadas do Dom Pedro, viu o tio Marcelo deitado numa maca, já em repouso. Foi tudo muito rápido até a ambulância chegar, ele disse.
Na tentativa de protegê-lo, de não deixá-lo sozinho, de acompanhar aquele coração que ainda batia, papai buscou Maria, a Tia Rama, e o seguiu. Em poucos minutos, a notícia: o homem de família descansou. Ninguém acreditou.
Dois bebês se aproximaram: Evellyn e Diogo.
O homem mais sábio do mundo, pediu ao primeiro bebê que passasse a dirigir, ele não tinha condições de continuar aquela viagem, suas pernas pediam ajuda. O choque o abateu, continuou sem acreditar. Descansa o bebê, nasce o condutor, o doutor do cuidado.
A filha bebê, em prantos, espera o corpo do pai. Descansa a criança, nasce a filha mulher.
A morte e o renascimento andam juntas. Não sem dor, não sem tristeza, não sem a beleza dos encontros e reencontros.
Tio Marcelinho ensinou sobre amor incondicional e viveu o seu maior desejo: ter uma família, esposa e filha. Lutou por ela até o fim. Acreditou no inacreditável, veio a cura. Conseguiu, venceu, todos nós ganhamos com o seu amor, seu exemplo, sua força, alegria e generosidade.
Na última vez que nos vimos, ganhei um litro de açaí, dois quilos de farinha e um pijama rosa com cavalinhos brancos. Além dos presentes, muitos abraços, várias palavras de cuidado e incentivo. Isso é ser família.
Pergunto ao papai como está a tia Simone. Ele me responde que está nos braços e abraços das irmãs. Pra mim, não existe outra maneira de viver senão entre os braços dessas mulheres que curam.
Eu também não acredito, sigo flutuando sem acreditar. Liguei pra minha irmã, quem me atende e consola é o Márcio, meu sobrinho querido: "oi tia rosse tudo bem"
Havia sonhado com ele na noite anterior. Me emociono, fico sem palavras, deixo ele falar. A vida e a morte se complementam. Descansam e choram os adultos, os bebês e as crianças vem pra nos curar e ensinar a natureza dos ciclos, dos renascimentos. Quando uma respiração termina, outra se inicia. Meu coração está com todos vocês, minha família querida.
domingo, 9 de janeiro de 2022
O ano passado (2021 - 2022)
"Saudações... "
03 de janeiro de 2021
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"Casamento: valorizar coisas boas para assegurar estabilidade e segurança. A comunicação e o diálogo ganham força, assim como a confiabilidade, fidelidade, responsabilidade e honestidade. É a busca da intimidade autêntica".
Mello, capitalismo tardio e sociabilidade moderna. p. 99.
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"Delicadezas... recolhido... introspectivo... sensível... delicado... Manaus... queria saber mais de ti... desculpas... retomar... 25 de fevereiro... consiga."
10 de março de 2021.
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"Passando para avisar que SP colapsou. Se precisar de alguma coisa, avisa, fica fechadinha aí".
Mari, 12 de março de 2021.
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Comprei o meu primeiro apartamento.
22 de março de 2021.
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"tua voz tá circulando... tudo funciona"
29 de março de 2021.
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"casamento, filhos, relacionamentos"
"a gente venceu"
14 e 17 de abril de 2021.
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"As boas relações contam muito aos profissionais de nível superior em começo de carreira"
20 de abril de 2021.
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"Sorte de Hortolândia que está recebendo você, que recebeu você".
05 de maio de 2021.
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? (11:23)
15 de julho de 2021.
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"Cara, fica calado que ela sabe mais que todos nós aqui nessa sala"
João, 21 de julho de 2021.
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Gin tônica
17 de agosto de 2021.
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"Lugar que exista, que meus dilemas possam ser suportados e que eu possa ser, falar, da intensidade que puder e quiser".
Terapia, 27 de agosto de 2021.
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"Você é livre"
Mamãe, 17 de setembro de 2021.
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"- eu também vou ter uma casa um dia.
- claro que vai".
21 de novembro de 2021.
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"- foi eu que desenhei esse pirarucu.
- vou tatuar ele no meu braço."
12 de dezembro de 2021.
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"trabalhe duro e seja gentil"
Meu primeiro desmaio na vida.
14 a 19 de dezembro de 2021.
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Cananéia e ilha do Cardoso.
28 de dezembro de 2021 a 02 de janeiro de 2022.