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terça-feira, 30 de agosto de 2016

They shoot horses, don't they? [Mas não se mata cavalo?]


"Ao passar pelas portas dos fundos vislumbrei o oceano cintilante de sol. Por um momento fiquei de tal modo atônito, que não pude mover. Não sabia se estava mais surpreendido por ver o sol pela primeira vez em quase três semanas ou se por ter descoberto a porta. Caminhei até ela, esperando que o sol não desaparecesse antes de eu atingi-la"... (McCoy, Horace. p. 55. Publicado em 1935)

"They shoot horses, don't they?" Dirigido por Sidney Pollack em1965 

terça-feira, 9 de agosto de 2016

As vinhas da ira, The grapes of wrath


"E à noite acontecia uma coisa estranha: as vinte famílias tornavam-se uma só família, os filhos de uma eram filhos das outras, de todas. A perda de um lar tornava-se uma perda coletiva, e o sonho dourado do oeste um sonho coletivo. E podia acontecer que uma criança enferma enchia de pena os corações de vinte famílias, de cem pessoas; que um parto numa tenda mantinha cem pessoas em silêncio e em expectativa durante uma noite e que a manhã seguinte encontrava cem pessoas felizes com o êxito de um parto estranho. Uma família, que uma noite era antes errara apavorada na estrada, procurava então, talvez, entre os seus parcos tesouros, algo que pudesse ser dado de presente ao recém-nascido. À noite, sentados ao redor da fogueira, os vinte eram um só. Uma guitarra surgia então de sob um cobertor e soava tristemente, e canções eram entoadas, canções populares. Os homens cantavam a letra e as mulheres cantarolavam a melodia. 

Todas as noites um mundo surgia: amizade se faziam, inimizades se estabeleciam; um mundo completo, com gabolas e covardes, com gente silenciosa, com gente humilde, com gente bondosa. Todas as noites, relações eram feitas, relações que modelavam um mundo à parte; e todas as manhãs esses mundos se desfaziam como circos ambulantes.

A princípio, as famílias titubeavam nas montagens e desmontagens desses mundos; mas gradualmente a técnica da construção de mundos tornava-se a sua técnica. Os líderes surgiam, leis se faziam e códigos eram observados. E à medida que os mundos se deslocavam para oeste mais e mais completos se tornavam, porque seus construtores já tinham adquirido mais e mais experiência."

A fotografia "migrante mother", de Dorothea Lange [década de 1930] mostra Florence Owens Thompson, mãe de sete crianças, de 32 anos de idade, em Nipono, Califórnia, março de 1936, em busca de um emprego ou de ajuda para sustentar sua família. Seu marido havia perdido seu emprego em 1931, e morrera no mesmo ano. 



STEINBECK, John, 1902-1968. As vinhas da ira; Tradução de Ernesto Vinhaes e Herbert Caro. São Paulo: Abril Cultural, 1982. p. 258 [O livro foi publicado em 1939, e o filme, dirigido por John Ford , em 1940]


segunda-feira, 2 de maio de 2016

The Hateful Eight, Beyoncé e abobrinhas

Este texto surge a partir de uma experiencia em uma sala de cinema nos arredores de Manaus, melhor, naquele shopping que insiste em não cair. As terças feiras promete não cobrar estacionamento de seus frequentadores e se auto intitula de "revolucionário". Pois bem, aprendemos que as facetas do capitalismo não tem limites...



Infelizmente, por motivo de felicidade, não tenho mais "carteirinha de estudante" e fui surpreendida com a "tabela cheia" dos placares das salas cinema. Nem adianta ir com a sua bolsinha de pano (encardida) que ganhou no congresso pra barganhar o menor preço, respire fundo e lembre-se da experiência que é lidar com bastante sangue, trilha sonora linda e historinhas criativas de um cara legal como o Tarantino: feche os olhos e pague. 

Assisti, tem uns 40 minutos mais ou menos, "os oito odiados". 

Neste texto que escrevo, há um manto invisível que me protege: o do amadorismo. Há também, uma certa ideia do livro de Michael Baxandall, que tive a oportunidade de ler/conhecer, conversar com outros colegas e considerar os vários questionamentos que vieram com o mesmo. Sem suspense! o livro era "padrões de intensão: a explicação histórica dos quadros". 

Citando arbitrariamente o autor, ele explica que:

"Toda inferência crítica sobre a intensão (artística) é não só convencional em vários sentidos, mas também precária" (p. 194)

E agora, a parte que mais interessa:

"Novas atividades como a crítica de arte, que apenas recentemente se tornou uma profissão e foi reconhecida como uma disciplina acadêmica, tendem a se conceder muito depressa uma autoridade especial. " (p. 196)

Paulo Nazareth (suspiros para este Homem)


Esse é o combinado: não tenho a menor intensão de discutir a "genialidade" do autor ou a obsessiva corrida atrás de uma originalidade cinematográfica, tal como cachorros que esperam a todo instante uma ração especial a cada estréia, com todo o respeito aos reservoir dogs, obviamente. 

O foco é no que esse filme pode nos trazer pra ficarmos cada vez mais exibidinhos <3

*

Nesse domingo, as margens do Igarapé do 40, fui ao aniversário de uma amiga, e ainda que eu estivesse até o tucupi de álcool, pude ouvir ao longe: "eu acho que Foucault despolitiza o movimento social". Logo após ouvir essa frase de gente exibida, a música da festa se sobrepôs ao diálogo e eu me perdi no que estava ouvindo, foquei na melodia do meu contrário: 

Jorge Aragão, Parintins para o mundo ver

Numa questão de segundos, estava na ilha. Lembrei do quanto foi difícil esconder a emoção que senti quando vi a Baixa do São José, devidamente encarnada, rasgar o bumbódromo acompanhada daquela batucada alucinada. Minha "identidade" azul e branca foi instantaneamente questionada. Prometi a mim mesma, em silêncio, que caso descobrisse que era garantido, viveria aquela farsa enquanto eu vivesse. Esperei, com o coração na mão, o meu boi preto entrar sem saber ao certo o que ia acontecer.

Ninguém gosta mais desse boi do que eu, Carlos Paulain


A entrada do meu boizinho me salvou, a marujada entorpeceu... e ali, no meio daquele multidão azulada, eu tive a certeza que era Caprichoso, ainda que abaladíssima pela baixa vermelha.

Voltando da minha reflexão solitária enquanto ilhéu, aterrissei às margens do 40 com o Foucault martelando a minha cabeça: pra que serve uma identidade?

*

Em The hateful eight, identifiquei algumas "categorias" aparentemente bem marcadas: mexicano, mulher, estrangeiros, negro, xerife e oficial do exército branco/hetero/cis, que vão nos ajudar a pensar em algumas bobagens divertidas.

abobrinhas


Esse texto demorou para ser publicado por ter seu parágrafo final abalado pelas torres de marfim dessa cidade. Ele já estava todo estruturado no meu miolo, idolatrando a personagem que mais apanhou [na cara] o filme inteiro ~Daisy Domergue ~

Seus dentes foram devidamente quebrados 
ao longo do filme, nada de novo sob o sol #vaiterfeminismosim


Aparentemente, não se pode compreender nada, inclusive um filme, de forma absoluta, vamos lidar com as diversas interpretações enquanto camadas de entendimento. 

O scholar sentenciou:

Tarantino me decepcionou, vocês viram os oito odiados? "os bandidos", não sei se vocês notaram, eram todos estrangeiros: mexicanos, franceses (...) nos Estados Unidos da América! E o final? bom, não podia ser pior, o xerife (o Estado/a lei) junto com Samuel Jackson [essa foi de doer] o negro do filme, JUNTOS enforcaram a estrangeira. Acho que Tarantino voltou atrás depois que explodiu a casa grande no último filme [Django] rs. 

*

Ao meu amigo Tarantino, um versinho singelo:

Querido
não desisti de você
veja o exemplo da diva Beyoncé
~Courage~
Não fique na depré[once]

HAHAHAHAHA :P

fim



"Ela abraça seu cabelo crespo, sua negritude e sua essência feminina, falando sobre sexualidade, racismo e a opressão social que os africanos e seus descendentes sofriam e ainda sofrem todos os dias. Beyoncé canta sobre um Estados Unidos que nesse aspecto se parece muito com o Brasil e assim como cantou Elza Soares, a americana joga na cara da sociedade que, no fim das contas, 'a carne mais barata do mercado é a negra'. Por isso, a representação visual das canções fazem tanta alusão aos séculos passados: anos após diversas conquistas sociais, como o fim da escravidão e a segregação racial, os negros ainda sofrem. Tomavam limonada na esperança de ficarem mais brancos e hoje, séculos depois, ainda tomam tiros por simplesmente serem negros". ver em: http://www.mazeblog.com.br/resenha-beyonce-lemonade/


Beyoncé, Formation








segunda-feira, 18 de agosto de 2014

quinta-feira, 27 de março de 2014

Cinépolis, raivinha

Ontem eu conheci as salas do cinema do shopping ponta negra... talvez esteja nostálgica ou num ritmo old school, mas senti uma coisinha sabe? luminária? cardápio? garçon? sei lá, meio demais. 

ê filmão!

O que implica em salas de cinema com cenário de série norte americana da década de 60, são os preços abusivos dos ingressos... o acesso a filmes na telona vão ficando cada vez mais inacessíveis... uma tristeza.

Cinépolis Manaus

Saudades de um tempo que não vivi:


*

cinema paradiso, trailer.


sexta-feira, 21 de março de 2014

CONRAD: apocalypse now


Apocalypse now (1979) é um filme realizado por Coppola... e a impressão que fica é: em que planeta você estava que NUNCA havia assistido esse filme antes? Jamais menospreze quem bebe da literatura... Puzo não chegou nem a ficar de bobeira! The godfather nasce em 1969 e já em 1972 Coppolinha o abocanhou! 


Mario Puzo foi um escritor que ficou conhecido
pelos seus livros de "ficção"(vai saber) sobre a máfia. 

Voltando ao Apocalypse... ele é tão impressionante, que tudo que for dito após o filme, parecerá vulgar... inclusive esse texto. Dê um tempo pra ele ficar circulando no sangue sabe? é muita coisa pra digerir

Acrescento que essa película foi uma "adaptação" do livro "o coração das trevas" (1902) de Joseph Conrad, que por motivos de desespero, afinal se Malinowski se inspirou, porque não você? hahahahaha

Fiz o combo com sem culpas. 

Coppola tem uma pegada de "comunidades imaginadas" sabe? com uma absurda criatividade (assista!!!!), no entanto, senti falta das mulheres na tela... olha esse parágrafo no Conrad:


Obviamente que existem versões muito mais elegantes que a minha... mas ah... né gente? minha bolsa do CNPq está acabando, vou ter que dar uma maneirada nas frescurites... :/ mas vamos ao que interessa:

"Ela caminhava com passos medidos, envolta em panos listrados com franjas, pisando a terra orgulhosamente, com um ligeiro tilintar e faiscar de bárbaros ornamentos. Andava de cabeça erguida, o cabelo penteado como um elmo; usava perneiras metálicas até os joelhos, manoplas de arame dourado até os cotovelos, uma mancha carmim na face, inúmeros colares de contas de vidro no pescoço; umas coisas bizarras, amuletos de feiticeiros, que pendiam dela, brilhavam e tremeluziam a cada passo. Devia trazer sobre o corpo o valor de várias presas de elefante. Era selvagem e soberba, de olhos bárbaros e magnífica; havia alguma coisa de pomposo e sinistro em seu passo decidido. E no silêncio que se abatera de repente sobre toda a melancólica terra, a selva imensa, o colossal corpo da fecunda e misteriosa vida parecia olhar a imagem de sua própria alma, tenebrosa e apaixonada."(CONRAD, o coração das trevas, p. 102)

Será que ela apareceu e eu não vi?

*

Carrego o livro... e agora o filme, como uma grande metáfora... boa pra pensar uma infinidade de coisas...
o que seria essa selva afinal? fico aqui bem feliz com os meus botões, brincando de "errar/acertar" os significados dos autores, construindo segredos que daí por diante, são só meus... 

*

Pode parecer absurdo... mas a ideia do filme me faz lembrar muito esse clipe... 
ai, como tenho sorte de ver essas coisas! que filme incrível! que danças lindas! 


Beirut, elephant gun 

domingo, 16 de março de 2014

Tatuagem, o filme.


Passado o reboliço para trazer filmes de arte/alternativos/fora do circuito na cidade de Manaus, chegou a hora de ocupar os territórios conquistados... certo? certo. deixe a moleza de lado, descole alguns reais do bolso que estão acabando junto com a sua bolsa do CNPq... aceite o convite super fofo da sua orientadora e desbrave o manauara (num domingo)... aquele prédio hostil que está por desabar.

Ficamos na dúvida entre Ninfomaníaca II e Tatuagem. como não vi o primeiro, animei pro tatuagem... mas antes de sair de casa, dei uma olhada no trailer e bateu uma preguiça... pensei: tipo de filme que dá pra ver tranquilo no canal brasil. mas beleza, vamos lá, a causa é nobre.




Me enganei.

O filme pernambucano é leve, divertido, criativo, inteligente, romântico, lindo! a trilha sonora arrepia! 

johnny hooker, volta

No meio de Tatuagem, filme de Hilton Lacerda, há um diálogo entre Clécio e Paulete que te faz pensar de como a palavra cuidadosa/doce pode resolver qualquer conflito no universo inteiro, impressionante, de extrema sensibilidade... curti demais. os atores foram nota mil! :D

Vale o preço absurdo das salas de cinema desse país.

sim! eu sou canguinha, mão de vaca, ranzinza e sempre acho caro.

Acho que o premiado "dzi cocrettes" completa o cenário, se puder, assista os dois e fique exibido nas rodas intelectuais:





sábado, 18 de janeiro de 2014

azul é a cor mais quente, Manaus




gostaria de falar de um momento político/histórico do cinema manaura:


vou pegar a fala do querido marquinho:

"O produtor audiovisual Marcos Tupinambá, por sua vez, avalia que já existe suficiente demanda para a exibição de filmes de arte na cidade. Ele cita o público fiel do Amazonas Film Festival, o aumento da produção audiovisual e a atividade constante de cineclubes como indicadores de um mercado consumidor com potencial."


jornal "A crítica", 04.01.2014

Um outro fator importante foram os apelos na internet (facebook) "por uma sala de cinema de arte em Manaus". nem queira problematizar o que é "cinema de arte" nesse momento, entre na luta política e tenha  o direito de assistir filmes ucranianos ou da alta birmânia numa salinha especial com pessoas exibidinhas que usam óculos de acetato e tem aulas de francês. Vamos torcer que a tal da sala seja tombada pelo IPHAN, faço votos que seja um prédio histórico bem lindo.

O filme "azul é a cor mais quente" nas telas de Manaus é fruto desse processo que ainda ferve.

A sala de cinema daquele shopping, prestes a desabar, lotou e faltou espaço pra tanta gente, ótimo! 



que fique claro, críticos de arte/cinema deveriam morrer todos juntinhos, num lugar todo especial ardendo no mármore do inferno. arte é sensação, você é o único que sabe o que ela faz. esqueça os pedantes de plantão, aproveite as sensações e discussões, só.

dito isso, proponho discutir pontos interessantes que o delicioso filme de Abdellatif Kechiche nos faz sentir.

Adèle Exarchopoulos, Abdellatif e Léa Seydoux
Inicialmente, as fantásticas cena de sexo, a ausência de trilha sonora pros momentos de tensão e a simplicidade da protagonista é o ponto alto! pegando o gancho da fala da Isa em resposta ao podcast do cinema em cena:


Devo discordar dos meninos quando falam que a cenas de sexo entre mulheres é considerado bonito, como sendo algo positivo. O que acontece é que casais de mulheres praticamente só recebem dois tratamentos: ou confinadas a uma relação doméstica, de amizade, praticamente assexuada (que é meio o que acontece no citado Minhas Mães e Meu Pai) ou uma relação fetichizada para o olhar do homem heterossexual. 

Dentro do primeiro tipo de representação temos outro exemplo em As Horas: Clarissa e sua namorada aparecem quase como duas senhoras amigas. Aliás, no mesmo filme oculta-se a bissexualidade de Virginia Woolf, que mantinha um casamento aberto com seu marido e por anos teve um relacionamento com a escritora Vita Sackville-West. 


O mesmo acontece em A Cor Púrpura: enquanto no livro o processo de criação de autonomia, agência e voz de Celie passa pela sua longa relação com Shug, que envolve diversas descobertas sexuais, no filme ambas são apenas amigas. (Isabel)

Sem contar "tomates verdes fritos"!

eu tenho muita sorte de ter a Isa na minha vida, sério.

além de descolar capinhas pro computador de grátis e me esbaldar em comidinhas naturebas, ela me ensinou a piratear filmes na internet! \o/ independência é tudo na vida de uma garota, nada de se submeter a propostas-sexo-casual pra você assistir os filmes fora do circuito. escrúpulos é tudo! (mas vez ou outra perca-os, vidas secas só combina com literatura) 

depois de assistir o filme, corri pra ler esse artigo da Sônia sobre "corporalidade e desejo" que a Isa menciona no comentário do podcast, queria alcançar a teoria queer, mas cheguei em pontos importantes, como o "ocultamento do corpo"ou de uma "corporalidade pública", por exemplo...

*

Infelizmente a Isa tem razão e este filme sofre de um dos confinamentos: o sexo entre as duas é muito "bonito" e TALVEZ caia  na armadilha "relação fetichizada para o olhar do homem heterossexual"... tenho que pensar mais a respeito.

No entanto, no quesito relação "assexuada", o filme enfrenta e ganha em disparada!

*

Pra quem ainda acredita no ruído froidiano de que a mulher sofre de uma "ausência peniana"ou tudo que uma mulher precisa é de uma "piroca", assista. o mundo precisa de amor, isso sim. você cairá do cavalo e desejará loucamente ter uma mulher daquelas. meninos: aprendam com quem sabe, "decorem" algumas coisas, a humanidade agradece.

apesar desta cena ser carregada de polêmica:

"Adèle Exarchopoulos afirmou que “a maioria das pessoas seria bem mais respeitosa e nem arriscaria pedir as coisas que ele [Abdellatif Kechiche] pediu. Normalmente, uma atriz é tranquilizada quando faz cenas de sexo, que são coreografadas”. 

Já Léa Seydoux preferiu falar de outro momento problemático da produção: “A parte em que nos encontramos pela primeira vez tem 30 segundos de duração, mas a gente passou o dia inteiro filmando. Foram mais de 100takes. Quando nós rimos sem querer depois de fazer a mesma coisa durante horas, ele [Kechiche] ficou louco e atirou um pequeno monitor no meio da rua, gritando que não conseguia trabalhar naquelas condições”. No final da entrevista, as duas afirmaram que nunca mais trabalharão com o diretor."

Ignore as críticas e deixe-se seduzir pelo filme.

A cena dos primeiros encontros e beijos das duas é impressionante, você abstrai o fato delas serem "meninas"e joga prum outro plano... é irrelevante o fato de ser mulher, homem, velho, novo, podia ser qualquer coisa. 

É uma lindeza quando as cores dos olhos e cabelos ficam em evidência com a pele, o sol, o verde do lugar que elas estão... é bonito demais.

Preciso dedicar alguma leitura sobre "teoria queer"! não sei necas de catibiriba e me recuso a copiar e colar alguma coisa da wikipédia, hoje resolvi ter critérios. hahahahaha só hoje.

Uma outra coisa interessante é a crítica ao "mundo intelectual francês" que a gente aprende a pagar pau desde cedo em contra ponto aos desejos e aspirações de Adele, que decide ser professora do maternal e alfabetização, a diferença entre as duas famílias também é um ponto bacana pra reflexão. Há a cena memorável entre a comparação de Sartre com Bob Marley, curti muito!

Pontos pra quem entendeu uma frase inteira do filme sem precisar de legenda: "petite pute"e "excuse moi, un cafe sil vous plait". parabéns! hahahahaha

A comida e a obsessão do cineasta com adele comendo, dormindo, dançando me tirou do eixo! é absurdamente sexy, simples e bonito essa relação com o prazer, a comida, a dança, o corpo... assistiria mil vezes sob essa perspectiva... sem contar a "literatura" que fez um prelúdio do primeiro olhar trocado com a "menina de cabelo azul"... lindo! 

Fico com a advertência de que independente com quem você se relaciona, a dominação, o machismo e a "invisibilidade" do outro é algo impressionante, dedique-se a observar as toneladas de louça lavada (literalmente), os tipos de xingamento (puta, vagabunda) e imposição dos seus anseios sobre o outro (você é infeliz sendo professora) podem levar.

acho que é isso, vale muito assistir... tire as crianças e as latas de conserva da sala, o filme pega fogo!








quarta-feira, 9 de outubro de 2013

who is Stradelli?

Fazia tempo que não via Márcio Souza e Selda Vale.

Márcio Souza é sensacional, cansei de ver ele nos ensaios do teatro de bolso do sesc, na época em que eu e Rodrigo vivíamos zanzando por lá, Denni era o nosso favorito! 

é o meu até hoje :)

Ganhar abracinho caloroso e sorrisos desta mulher foi um caminho árduo...
À saber, Selda foi minha primeira orientadora de iniciação científica, 
sim, eu apanhei, muito. 

grata (ou traumatizada) até hoje!

O Cine Teatro Guarany, aquela belezoca de lugar, fica ao lado do Palácio Rio Negro:





Selda organizou a mostra em Manaus com todo capricho!  Acrescentou  que o filme Ermanno Stradelli, o filho da cobra grande, estava sendo exibido pela terceira vez no Brasil. chic né?

Chega a ser criminoso não saber de quem se tratava (presente!).
Vamos lá:



"Stradelli nasceu num castelo, na Itália, em 8 de dezembro de 1852. Era conde, jovem, rico, aventureiro, viajou para o Amazonas, em 1879, e aqui viveu mais de 43 anos. Com recursos próprios, percorreu florestas, rios e igarapés, aprendeu a falar o nheengatu e se apaixonou pelas histórias que os índios contavam. Coletou e registrou mitos, principalmente o de JURUPARI. No final, contraiu lepra. Com o corpo deformado pelas chagas, foi enxotado de hotéis, de pensões e até mesmo de hospitais. Morreu solitário e pobre, na periferia de Manaus, num casebre improvisado em leprosário (Umirizal) em 24 de março de 1926."

Texto de Ribamar Bessa, meu professor de história, na graduação em ciências sociais.






domingo, 30 de junho de 2013

MASSACRE EM CORUMBIARA (RO), você não soube?

(   ) sim
(   ) vi no fantástico, mas esqueci
(   ) índio só atrapalha o desenvolvimento do país, passo
(   ) não


Não é de hoje que a sua obsessão por documentários tem aumentado a cada dia.

No evento maravilhoso que participei, MIRA! Artes visuais contemporânea dos Povos Indígenas, tive a oportunidade de assistir pela primeira vez o documentário Corumbiara, dirigido pelo cineasta Vincent Carelli, criador do projeto vídeo nas aldeias.

Neste momento há dois marcos divisores na minha vida. O primeiro foi quando vi Iracema: uma transa amazônica.




"Iracema - uma transa amazônica é um filme teuto-franco-brasileiro de 1976, do gênero drama documental, dirigido por Jorge Bodanzky e Orlando Senna. O filme esteve proibido no país desde o seu lançamento e só foi lançado oficialmente no Brasil em 1981. É a história do impacto nas populações da selva amazônica provocado pela rodovia Transamazônica." (wiki)

E agora, depois que vi Corumbiara.

Faça um favor a você, a mim, ao país, à humanidade...

VEJA ESSE DOCUMENTÁRIO e se você tiver qualquer tipo de escrúpulos, se pergunte o que você tem feito para corroborar/mudar esses crimes absurdos que vem ocorrendo há anos no país, sem uma manifestação, UMA (!!!!) ao menos pela memória dessas pessoas que morreram, eu não tenho coragem nem de falar em investigação, sem soar hipócrita.


trailer:



documentário completo : CORUMBIARA

segunda-feira, 10 de junho de 2013

GATSBY: tietagem e estreia

eu li o livro.... ¬¬  (1925)

Quando você resolve assistir um filme que foi baseado num livro, sempre tem  um pedante que vai dizer "eu li o livro" e depois do filme ele completa "nossa, bem melhor o livro que o filme". dá vontade de dar um soco, mas se controle, seja elegante e sorria para essa espécie.

Aproveite que tem uma versão baratinha da coleção abril cultural na sua casa, e leia pra se exibir também! esse mundo acadêmico qualquer dia desses te mata.

A primeira versão adaptada para o cinema, foi com Alan Ladd e Betty Field em 1949 (wiki):


Uma outra coisa que tem chamado super atenção, são os modelitos de Daisy ao longo dos três filmes imperdíveis... sofra internamente por você ter uma qualificação agendada pro mês que vêm... :~


Todos os chatos do mundo, lembram dessa versão de 1974 com o, suspiros... ROBERT REDFORD e a coadjuvante mia farrow (hehehe)... você vai concordar... esse cara é um pão!


todas piram no charme do gato,

Redford seduzindo geral

Depois de falar desses ícones do cinema, os galãs e divas em preto e branco que atravessam gerações, eu vou abrir um espaço pra falar de Francis Scott Key Fitzgerald, melhor, um comentário maldoso sobre seu livro famoso.

(Sant Paul/EUA - 1896-1940)
É irônico que, na maioria das mídias que li/vi sobre a estréia do "the great gatsby" levaram em consideração o figurino e acessórios de Deisy e demais personagens, que será absurdamente copiado em todas as lojas de departamento (oremos, rs) que você possa imaginar, novos cortes de cabelo e pinturas também entrarão no rol das inspirações... esqueça o chapéu panamá, leo de caprio lançará moda! acredite...

A organização das festas de Gatsby também estarão presentes em casamentos e formaturas, certeza!

Fitzgerald criticava o consumismo, a hipocrisia, o "sonho americano", ao materialismo sem limites e a "ausência" de moral que, segundo o autor, permeava os ricos de NY em 1922... uma decadência anunciada.

Nos filmes, com todo o apelo ao luxo da década de 20, o desejo é fazer parte do grupo dos "vilões".

nesse sentido, acredito que ler o livro ajuda. você imagina as festas e luxo, mas se mantém firme na proposta do autor... é uma crítica feroz, emocionante, e muito mais próxima da nossa realidade do que você imagina.

reflita.

(...)

Junte-se ao clubinho dos pedantes que-esperam-ansiosamente-pela-versão-rei do titanic e seja feliz.


Não esqueça de dizer que leu o livro.









quinta-feira, 30 de maio de 2013

o problema da escrita



Desde os primeiros textos do blog, você decidiu que não ia dar a mínima para "regras gramaticais", "norma culta", misturaria no mesmo texto primeira pessoa e terceira pessoa... e detalhes como "maiúscula em inicio de frase" ou concluir um parágrafo com uma ideia e dar continuidade... iam pras cucuias com a sua alma desejosa por um espaço rebelde, bem longe das amarras da ABNT.

Isso criou uma zona de conforto enorme pra você escrever as abobrinhas que quisesse. Você ri na cara do Pasquale Cipro Neto, até Marcos Bagno concordaria com você.

Preconceito Linguístico, a A norma oculta (Marcos Bagno) e o sensacional Pigmaleão de Bernard Shaw, foram divisores de águas na sua vida.



Apresento aquelas novelas mexicanas que contribuíram na formação do seu caráter, "Trilogía de las Marías":

1 Marimar;

2 María Mercedes;
3 María la del Bairro.

"Marimar é simples, analfabeta, trabalha o dia todo com atividades relacionadas a pesca, usa roupas simples e é inocente. Na cidade grande, a jovem começa a trabalhar na casa do rico Gustavo Aldama, para sustentar seu filho, pois tem certeza que será mãe solteira e analfabeta e nem terá condição de dar uma vida boa ao filho ou a filha que virá. Gustavo Aldama tem uma admiração muito forte por Marimar e com isso decide alfabetiza-la, tem aulas de etiqueta, idioma e boas maneiras e se transforma em uma dama da sociedade, muito rica e poderosa, assumindo uma nova identidade, Bella Aldama, seu nome a quem se apresenta socialmente"

"Maria Mercedes é uma pobre menina que é abandonada com seus irmãos por sua mãe. Devido à falta de apoio de seu pai, sempre bêbado, ela e seus irmãos e irmã são forçados a trabalhar nas ruas da cidade vendendo bilhetes de loteria e flores. Santiago del Olmo, rico e primo de Jorge Luís, está muito doente e sabe que ele está morrendo. Uma manhã, quando ele está no jardim, ele vê Maria vendendo bilhetes de loteria na rua. Ele surge com a ideia de se casar com ela só para perturbar Malvina, após a sua morte como uma vingança pessoal. Ele ganha sua confiança e amizade e a propõe casamento. Esta, depois de hesitar, aceita."

"Maria do Bairro é uma jovem humilde, sem instrução e sonhadora que vive com sua madrinha Cacilda no bairro João Diego, na periferia da Cidade do México, e trabalha como catadora de material reciclável em um aterro sanitário. A jovem órfã é acolhida pelo empresário Fernando Dela Vega, patriarca da família Dela Vega, uma das mais abastadas e influentes do país. Ele deseja lapidar a garota e torná-la uma mulher refinada, acolhendo-a como um membro da família. Fernando encontra resistência em sua esposa Vitória Montenegro que, junto da empregada Carlota, despreza Maria desde o primeiro momento."

Nas três histórias imperdíveis, sem sarcasmos você amava essa trilogia, há a fórmula do sucesso de Shaw (1912), que em 1964 foi adaptada para o cinema sob o título de  My fair lady, com a querida Audrey Hepburn.  




"O Pigmalião da mitologia antiga apaixona-se pela estátua que ele próprio esculpiu. A peça Pigmaleão, de Bernard Shaw (1856 – 1950), conta a história de Eliza Doolitle, uma vendedora de flores ambulante na Londres do início do século 20. Sua linguagem é uma afronta à língua inglesa, seu vocabulário, paupérrimo e de baixo calão, e sua pronúncia, uma desgraça. Um eminente fonético impõe a si mesmo um desafio: reeduca-la e faze-la passar por uma dama da sociedade. Mas esse será apenas o início dessa comédia deliciosa em que Shaw denuncia as diferenças sociais e de classe. "

Esta breve introdução cheia de saudosismo do meu querido blog desde o delicioso período de férias, foi para dizer que tem uns dois meses que eu senti dificuldades em escrever textos mais acadêmicos. Tive que elaborar um trabalho e dois resumos pra uns congressos... foi um parto "organizá-los".

O estilo de escrita que me "acostumei" por aqui, tem influenciado e até atrapalhado a estruturação das ideias na hora de escrever e organizar os parágrafos em textos mais científicos sabe? me chateou um pouco.

papo, fiquei puta! vou criar mecanismos pra reavaliar isso.

De todo modo, aí vai minha mini revolta ao estilo de escrita e avaliação... ai, ai.
como diria o filósofo, "vamo ver isso aí".

Veja uma comunicação sobre "capital cultural" de Bourdieu, acho que ajuda a pensar:

VOCÊ É OBRIGADO A VER ESTE VÍDEO, grata.

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