Exilado em Londres desde 1969, Caetano Veloso obteve permissão para ficar um mês no Brasil em janeiro de 1971 para assistir à missa comemorativa dos 40 anos de casamento de seus pais. No Rio de Janeiro, o cantor foi interrogado por militares que pediram para que fizesse uma canção elogiando a rodovia Transamazônica - na época em construção. Caetano não aceitou a "proposta", mas de volta a Londres, gravou no final do ano o LP com o nome de "Transa", lançando em território brasileiro em janeiro de 1972, quando o cantor voltou definitivamente ao país (wiki).
~ A britadeira pós-moderna e os sonhos amazonicocêntricos ~
Sagrado: A palavra "sagrado" provém do latimsacrum, que se referia aos deuses ou a alguma coisa em seu poder. Foi geralmente concebido especialmente, como referindo-se à área em torno de um templo. Já o termo santo vem de sanctus, significando "que tem caráter sagrado, augusto, venerando, inviolável, respeitável, purificador". (fonte: wiki) Profano: é a putaria no geral. (fonte: Natasha) Esse mundo é uma bosta, um caos danado e eu só quero dançar, me divertir e terminar minha dissertação. Deixo a complexidade com os pedantes de plantão. Conversinhas promíscuas e papinhos sobre miolos de pote é o que há de melhor.
"Sempre que impomos à nossa existência um modelo rigoroso de pureza, tornamo-la terrivelmente desconfortável; e se formos até às últimas consequências, desembocamos em contradições ou até na hipocrisia" (Mary Douglas)
Estava em reunião com as senhoritas mais malvadas do velho oeste, quando uma delas soltou:
- Hoje estava na parada de ônibus, ali perto da fiocruz,
e passei 45 minutos ouvindo várias versões de Lepo Lepo.
Todas, num primeiro momento, se entreolharam e fingiram não conhecer do que se tratava, pois obviamente, dizia respeito a uma música ruído de péssimo gosto/baixo calão, que intelectual nenhum ousaria ouvir. Passa-se muito tempo lendo Nietzsche e Foucault, por exemplo...
"se ouço essas porcarias é culpa do vizinho, ô povinho sem cultura"
... ser um intelectual está cada vez mais difícil...
*
Ela, bravamente, não se intimidou: levantou da mesa, ficou de pé, cantou e fez passinho:
"Ah, eu já não sei o que fazer
Duro pé-rapado, com salário atrasado
(ahh, eu não tenho mais por onde correr)
Já fui despejado, o banco levou o meu carro"
Esse foi o primeiro refrão, mas a reflexão maior segue nos próximos:
"agora vou conversar com ela
será que ela vai me querer?
Agora vou saber a verdade
Se é dinheiro ou amor"
(ou cumplicidade)
Caro leitor, você consegue imaginar a aflição que entorpece essa alma?
Aparentemente, trata-se de uma relação heterosexual, me utilizando das categorias limitadas para classificar as relações sexuais que acontecem entre quatro paredes, ou seja, entre um homem e uma mulher. Essas referências ficam mais claras, devido a coreografia que segue a música, no entanto, achei tudo isso que escrevi uma besteira e esses comentários alargam-se para qualquer tipo de relacionamento. ponto.
Mas seguirei no exemplo hetero porque já estou com o texto pronto na minha cabeça :P
*
Deixe sua militância um pouco de lado, admita bem rápido: homem também sofre.
E digo mais, o indivíduo que protagoniza a interessante canção, desafia a parceira(o) enfrentando todo o sistema econômico que o aprisiona como um detentor de capital e bens de consumo:
"eu não tenho carro
não tenho teto
e se ficar comigo é porque gosta
do meu
rá rá rá rá rá rá rá
lepo lepo
é tão gostoso quando eu
rá rá rá rá rá rá rá
O lepo lepo"
Chegamos a uma breve consideração final que só temos duas saídas para o nosso querido fulano na tentativa de conquistar o coração da amada(o):
1 Dinheiro;
2 Lepo lepo.
é, não tá fácil pra ninguém...
Aproveite e deixe o corpinho em movimento com essa deliciosa coreografia (valorize os clipes nacionais).
fit dance, psirico do povão, lepo lepo.
(oficial) psirico, lepo lepo.
Sua bolsa do CNPq só dura esse mês e ter técnicas corporais no mercado da sensualidade não custa nada e vale muito... é muito capital simbólico minha gente!
Passado o reboliço para trazer filmes de arte/alternativos/fora do circuito na cidade de Manaus, chegou a hora de ocupar os territórios conquistados... certo? certo. deixe a moleza de lado, descole alguns reais do bolso que estão acabando junto com a sua bolsa do CNPq... aceite o convite super fofo da sua orientadora e desbrave o manauara (num domingo)... aquele prédio hostil que está por desabar.
Ficamos na dúvida entre Ninfomaníaca II e Tatuagem. como não vi o primeiro, animei pro tatuagem... mas antes de sair de casa, dei uma olhada no trailer e bateu uma preguiça... pensei: tipo de filme que dá pra ver tranquilo no canal brasil. mas beleza, vamos lá, a causa é nobre.
Me enganei.
O filme pernambucano é leve, divertido, criativo, inteligente, romântico, lindo! a trilha sonora arrepia!
johnny hooker, volta
No meio de Tatuagem, filme de Hilton Lacerda, há um diálogo entre Clécio e Paulete que te faz pensar de como a palavra cuidadosa/doce pode resolver qualquer conflito no universo inteiro, impressionante, de extrema sensibilidade... curti demais. os atores foram nota mil! :D
Vale o preço absurdo das salas de cinema desse país.
sim! eu sou canguinha, mão de vaca, ranzinza e sempre acho caro.
Acho que o premiado "dzi cocrettes" completa o cenário, se puder, assista os dois e fique exibido nas rodas intelectuais:
"O produtor audiovisual Marcos Tupinambá, por sua vez, avalia que já existe suficiente demanda para a exibição de filmes de arte na cidade. Ele cita o público fiel do Amazonas Film Festival, o aumento da produção audiovisual e a atividade constante de cineclubes como indicadores de um mercado consumidor com potencial."
jornal "A crítica", 04.01.2014
Um outro fator importante foram os apelos na internet (facebook) "por uma sala de cinema de arte em Manaus". nem queira problematizar o que é "cinema de arte" nesse momento, entre na luta política e tenha o direito de assistir filmes ucranianos ou da alta birmânia numa salinha especial com pessoas exibidinhas que usam óculos de acetato e tem aulas de francês. Vamos torcer que a tal da sala seja tombada pelo IPHAN, faço votos que seja um prédio histórico bem lindo.
O filme "azul é a cor mais quente" nas telas de Manaus é fruto desse processo que ainda ferve.
A sala de cinema daquele shopping, prestes a desabar, lotou e faltou espaço pra tanta gente, ótimo!
que fique claro, críticos de arte/cinema deveriam morrer todos juntinhos, num lugar todo especial ardendo no mármore do inferno. arte é sensação, você é o único que sabe o que ela faz. esqueça os pedantes de plantão, aproveite as sensações e discussões, só.
dito isso, proponho discutir pontos interessantes que o delicioso filme de Abdellatif Kechiche nos faz sentir.
Adèle Exarchopoulos, Abdellatif e Léa Seydoux
Inicialmente, as fantásticas cena de sexo, a ausência de trilha sonora pros momentos de tensão e a simplicidade da protagonista é o ponto alto! pegando o gancho da fala da Isa em resposta ao podcast do cinema em cena:
Devo discordar dos meninos quando falam que a cenas de sexo entre mulheres é considerado bonito, como sendo algo positivo. O que acontece é que casais de mulheres praticamente só recebem dois tratamentos: ou confinadas a uma relação doméstica, de amizade, praticamente assexuada (que é meio o que acontece no citado Minhas Mães e Meu Pai) ou uma relação fetichizada para o olhar do homem heterossexual.
Dentro do primeiro tipo de representação temos outro exemplo em As Horas: Clarissa e sua namorada aparecem quase como duas senhoras amigas. Aliás, no mesmo filme oculta-se a bissexualidade de Virginia Woolf, que mantinha um casamento aberto com seu marido e por anos teve um relacionamento com a escritora Vita Sackville-West.
O mesmo acontece em A Cor Púrpura: enquanto no livro o processo de criação de autonomia, agência e voz de Celie passa pela sua longa relação com Shug, que envolve diversas descobertas sexuais, no filme ambas são apenas amigas. (Isabel)
Sem contar "tomates verdes fritos"!
eu tenho muita sorte de ter a Isa na minha vida, sério.
além de descolar capinhas pro computador de grátis e me esbaldar em comidinhas naturebas, ela me ensinou a piratear filmes na internet! \o/ independência é tudo na vida de uma garota, nada de se submeter a propostas-sexo-casual pra você assistir os filmes fora do circuito. escrúpulos é tudo! (mas vez ou outra perca-os, vidas secas só combina com literatura)
depois de assistir o filme, corri pra ler esse artigo da Sônia sobre "corporalidade e desejo" que a Isa menciona no comentário do podcast, queria alcançar a teoria queer, mas cheguei em pontos importantes, como o "ocultamento do corpo"ou de uma "corporalidade pública", por exemplo...
*
Infelizmente a Isa tem razão e este filme sofre de um dos confinamentos: o sexo entre as duas é muito "bonito" e TALVEZ caia na armadilha "relação fetichizada para o olhar do homem heterossexual"... tenho que pensar mais a respeito.
No entanto, no quesito relação "assexuada", o filme enfrenta e ganha em disparada!
*
Pra quem ainda acredita no ruído froidiano de que a mulher sofre de uma "ausência peniana"ou tudo que uma mulher precisa é de uma "piroca", assista. o mundo precisa de amor, isso sim. você cairá do cavalo e desejará loucamente ter uma mulher daquelas. meninos: aprendam com quem sabe, "decorem" algumas coisas, a humanidade agradece.
"Adèle Exarchopoulos afirmou que “a maioria das pessoas seria bem mais respeitosa e nem arriscaria pedir as coisas que ele [Abdellatif Kechiche] pediu. Normalmente, uma atriz é tranquilizada quando faz cenas de sexo, que são coreografadas”.
Já Léa Seydoux preferiu falar de outro momento problemático da produção: “A parte em que nos encontramos pela primeira vez tem 30 segundos de duração, mas a gente passou o dia inteiro filmando. Foram mais de 100takes. Quando nós rimos sem querer depois de fazer a mesma coisa durante horas, ele [Kechiche] ficou louco e atirou um pequeno monitor no meio da rua, gritando que não conseguia trabalhar naquelas condições”. No final da entrevista, as duas afirmaram que nunca mais trabalharão com o diretor."
Ignore as críticas e deixe-se seduzir pelo filme.
A cena dos primeiros encontros e beijos das duas é impressionante, você abstrai o fato delas serem "meninas"e joga prum outro plano... é irrelevante o fato de ser mulher, homem, velho, novo, podia ser qualquer coisa.
É uma lindeza quando as cores dos olhos e cabelos ficam em evidência com a pele, o sol, o verde do lugar que elas estão... é bonito demais.
Preciso dedicar alguma leitura sobre "teoria queer"! não sei necas de catibiriba e me recuso a copiar e colar alguma coisa da wikipédia, hoje resolvi ter critérios. hahahahaha só hoje.
Uma outra coisa interessante é a crítica ao "mundo intelectual francês" que a gente aprende a pagar pau desde cedo em contra ponto aos desejos e aspirações de Adele, que decide ser professora do maternal e alfabetização, a diferença entre as duas famílias também é um ponto bacana pra reflexão. Há a cena memorável entre a comparação de Sartre com Bob Marley, curti muito!
Pontos pra quem entendeu uma frase inteira do filme sem precisar de legenda: "petite pute"e "excuse moi, un cafe sil vous plait". parabéns! hahahahaha
A comida e a obsessão do cineasta com adele comendo, dormindo, dançando me tirou do eixo! é absurdamente sexy, simples e bonito essa relação com o prazer, a comida, a dança, o corpo... assistiria mil vezes sob essa perspectiva... sem contar a "literatura" que fez um prelúdio do primeiro olhar trocado com a "menina de cabelo azul"... lindo!
Fico com a advertência de que independente com quem você se relaciona, a dominação, o machismo e a "invisibilidade" do outro é algo impressionante, dedique-se a observar as toneladas de louça lavada (literalmente), os tipos de xingamento (puta, vagabunda) e imposição dos seus anseios sobre o outro (você é infeliz sendo professora) podem levar.
acho que é isso, vale muito assistir... tire as crianças e as latas de conserva da sala, o filme pega fogo!
advirto: essa história é ridícula, invejosa e mesquinha.
tem um ano mais ou menos, que vi/ouvi duas pessoas conversando sobre Mario Vargas Llosa... na hora fiquei pensando: que autor é esse?! senti uma mini raivinha por não saber de quem se tratava...
Mario Llosa
Mario seduzindo geral
Mario sendo sexy, sem ser vulgar. :P
Esse peruano pega/pegou geral, certeza.
A raiva e a inveja só foram aumentando... como estávamos discutindo sobre a guerra de canudos, não entendi porque os dois sujeitos em questão falavam com intimidade sobre "a guerra do fim do mundo"... que diabos de livro era esse?! E falavam com emoção, paixão, admiração... aquilo foi me corroendo por dentro sabe? era alguém que eu já deveria no mínimo ter ouvido falar. ÓDIO!
hoje fui comprar umas canetinhas, agenda 2014, post-it e aquelas frescurinhas de marcar páginas em neon. daí lembrei de dois livros que estava afim de comprar tem um tempo: o "Orientalismo" do Said e "relato de um certo oriente"da celebridade amazonense Milton Hatoum. ouvi dizer que eles conversam... vamos ver.
Acontece que não tinha o livro do Said e a versão do Hatoum era aquela versão poket, melhor, companhia de bolso. Infelizmente, tem um tempo que você anda arrogante e exigente com seus livros e resmungou na hora de levar o relato de um certo oriente nessa versão tão amadora... :/ sacanagem! levei mesmo assim, tô com uma ansiedade fora do comum e não ia aguentar a demora dos correios essa época do ano.
Dito isso, vou comentar o que realmente interessa nesse texto: seduções e libertinagens, obviamente.
Alguma coisa iluminou na minha cabeça e eu lembrei daquele episódio de ódio e rancor de um ano atrás... pensei... acho que era mario... mas tinha um sobrenome diferente, Llosa eu acho... sorte que comecei a pensar alto e uma pessoa me ouviu e disse: mario llosa?
- Sim! alguma coisa sobre o fim do mundo. guerra dos mundos... eu acho.
- ah! é sobre a guerra de canundos. É "a guerra do fim do mundo".
- isso!!!!
- tá aqui!
depois de encontrar a sessão do mario e topar com o meu objeto de desejo de um ano atrás, descobri que estava diante de um prêmio nobel de literatura meu povo!!!!
ok, são 800 páginas. ¬¬
precisava disso Llosinha? seríamos tão amigos se você fosse mais gentil na quantidade de páginas...
por curiosidade, comecei a escavucar os livros dele e percebi que rolava uns títulos e capas meio...
ah, vou elencar aqui:
1. Elogio da madrasta;
2. Travessuras da meninas má.
Advirto: cada capa é mais quente que a outra! altos suspiros e curiosidades...
Depois do "rei de havana" e "trilogia suja de havana" (não empresto), você resistiu o quando pode pra não ler aquela coleção horrenda-fundo-poço com nomes de mulher: bruna, bianca, sabrina e blá, blá blá.
Seja forte e os evite.
Prateleiras da saraiva: é o fundo do poço, acredite.
E agora, com elegância e alto estilo, você abre espaço para esquentar o inverno amazonense naquela viagem de barco sensacional com a sua equipe amada, com os dois livros libertinos de Llosa, aquele autor desconhecido que você agora é fã e super íntima! hahahahaahah
esses autores só me surpreendem...
:D
excelente dica de fim de ano, prepare os presentes, nada de porta retrato ou agendas fofinhas 2014, bora comprar livro de sacanagem, a humanidade agradece.
Hoje começaremos o texto falando de uma personalidade importantíssima do cenário Amazonense:
Manuel da Gama Lôbo d'Almada (17.. -1799). se você deu risinhos sacanas, você vai entender do que eu estou falando.
Num dia qualquer, munida de poucos reais e duas comadres para bater perna pelo centro de Manaus, vá obstinada na caça ao tecido-de-estampa-perfeita. vou explicar.
Desde o dia em que sua amiga prometeu fazer um roupinha para o seu computador, seus pensamentos foram povoados pela temática... e a única certeza que você tinha na vida é que seriam frutas.
uma delas, entendida no assunto, completou: vamos na rua lobo d'almada.
Essa rua é recheada de lojas de tecidos... e procurando informações sobre esse geógrafo/militar (o lobinho), descobri que ele foi um dos responsáveis por levantar uma fábrica de panos de algodão e outra de tecidos e redes... com 18 teares e 10 rolos de fiar com 24 fusos cada um. tudo bem, eu não sei o que isso significa exatamente (teares e fusos), só sei que ele foi "o cara"da pseudo indústria têxtil no Amazonas... além da fabricação de cordas e amarras de piaçaba e calabares...
Arrá! piaçaba eu sei o que é! inclusive, vale a leitura da dissertação premiada da querida Elieyd, (Lica) "os piaçabeiros do Médio Rio Negro: identidade étnica e conflitos territoriais". gente, isso é muito interessante, meu avô materno trabalhou com isso!
barco com piaçaba. heheheh
Só um resuminho pro trabalho não ser jogado ao vento:
... a dissertação de Elieyd Menezes apresenta um detalhamento do modo de vida das pessoas nos piaçabais (locais onde as fibras de piaçaba são extraídas na floresta) em Barcelos, interior do Amazonas. “É um universo que abrange intrínsecas relações de poder entre “patrão” (comerciantes que se dizem donos dos igarapés onde há palmeiras de piaçaba) e “freguês” (piaçabeiros)”, comenta Elieyd. A autora diz que o sistema de aviamento - baseado no adiantamento de mercadorias a crédito - é muito presente no município. “É um sistema historicamente conhecido na Amazônia, onde o comerciante (patrão) fornece mercadorias ao freguês (trabalhador extrativista), o qual deverá pagar por elas. Porém, os preços são altos, algumas vezes superfaturados e a dívida dificilmente é quitada porque sempre o trabalhador extrativista precisa desses produtos, como alimentos, roupas, lanternas, facões”, registra.
Voltando ao Lobinho, tô com a impressão que ele era super malvado depois dessa introdução da Elieyd, ele mandava buscar de outros lugares o algodão, a cana, curauá, muriti, cera virgem de abelhas (hã?), tucum dos rios Solimões e Negro (suspiros...) e a piaçaba... sabe se lá em quais condições isso acontecia.
Mas então, não vou falar da piaçaba. foi só um link legal.
Linda!
O que o seu Lobo não esperava é que a sua rua ficasse conhecida por ter o estabelecimento mais generoso de Manaus: o remulos club. fazendo uma mini busca na internet, encontrei uma reclamação do João:
primeiramente tendo cerveja gelada e mulheres a disposição está otimo,só não leva 10 porque tem meninas que cobram muito caro e tem umas que só quer barão eu moro em são luis passei minhas ferias a cidade é 100000000 e gostei do remulos parabens manaus aconselho a todos a ir em manaus.
João parece coerente nas suas queixas, mas não entrarei no mérito por não ter conhecido o lugar, nem o João, nem as meninas. Entretanto, não posso deixar de parabenizá-las. Infelizmente, a casa mais carinhosa de Manaus, foi fechada pela Secretaria Municipal do Centro (SEMC) ???? e pela SEMINF pois funcionava como um motel ilegal. ¬¬
Mais uma vez, o Estado acabando com a felicidade alheia. fizeram o absurdo de construir um muro de alvenaria na frente! santa hipocrisia! só faltou o sal e a pá de cal...
Dica: nunca, jamais, desperdice a oportunidade de aprender alguma coisa... JAMAIS. * Então, nessa simbólica rua, mais próxima a sete de setembro, tem um zilhão (mentira) de lojas de tecidos: se jogue atrás da sua estampa perfeita. Por estar vivendo um momento de obsessão pelo artista Paulo Nazareth, as escolhidas foram as bananas!
Paulo Nazareth (projeto)
Super na dúvida qual a melhor frase...
Deu pra entender a obsessão? rs mas não é só isso, essa frutinha é MUITO cobiçada na região norte, a pacovã então, nem se fala! Durante muito tempo me acompanhou no twitter e foi meu apelido até hoje, de infância: chorona, caía por tudo, vivia com hematomas, sem contar as "sementinhas"que decoram meu couro. "essa menina é uma banana", caia como uma luva.
No entanto, o problema de idealizar um tecido ou qualquer coisa na vida, é que você passa a odiar tudo o que você vê. Nada é tão legal quanto o tecido que está criado na sua cabeça. você pensa em desenhá-lo, pintar sua própria estampa, pedir pela internet... qualquer coisa.
Mas graças a falta de paciência das suas amigas bom senso e a vontade de cobrir minha máquina de escrever moderna o quanto antes, comprei um de laranja. até que gostei sabe?
as bananinhas ficam pra depois, não as esqueci.
Agora vamos à prática! simmmm você vai aprender a fazer uma capinha também.
1. Vá direto na loja "Kamila", os tecidos são uma fofura, o problema são os preços. saia de lá o quanto antes, não vale a pena (não tinha as bananinhas);
2. Na sequência, vá na Tapajós... mas, não tinha NENHUMA estampa legal;
3. Rode mais um pouco e pare na "Nova Jersey". essa portinha desconhecida. não é tão farta de tecidos bonitinhos como a Kamila, mas se você garimpar, acha umas estampas legais com preço justo (pasmem: menos da metade que na Kamila). Não esqueça de comprar a linha que vai combinar (ou não) com o seu tecido. ahhhh tem o feltro. mas a Isa disse que tinha na sua casa. ótimo né?
tirei essa foto num domingo, por isso estava fechada.
essa foi a primeira etapa.
*
Já com as armas na mão, vá para a casa da sua amiga num domingo preguiçoso.
chegando lá, você vai sentir um sono absurdo e inexplicável, causando constrangimento em todos que estão ali no recinto. aproveite e tire umas fotos da casa dela, se ela deixar, claro! você ainda tem um Pibic sobre decoração correndo nas suas veias! hahahahaah
casa da Isa 1: EU QUERO ESSE QUADRO!
Casa da Isa 2
casa da Isa 3: Laerte, fofura total! dá pra trocar as roupinhas!!! *.*
ah, uma dica importante: jamais saia da sua casa com fome ou sono. você pode virar um monstro do lago ness a qualquer instante, é quase incontrolável, como se você estivesse com hipoglicemia sem ser diabética sabe? um horror.
Para aliviar o sono e quebrar o clima daquele evento mulherzinha, pegue seu computador e declame umas músicas dos Racionais MC's, elas vão achar estranho, mas você está em treinamento... tente incorporar o Suplicy e arrase:
Ore por nós pastor, lembra da gente no culto dessa
Noite, firmão segue quente
Admiro os crente, da licença aqui
Mó funçao, mó tabela, pow, desculpa ai
Eu me, sinto às vezes meio pá, inseguro
Que nem um vira-lata sem fé no futuro
Vem alguém lá, quem é quem, quem sera meu bom
Dá meu brinquedo de furar moletom
Porque os bico que me vê com os truta na balada
Tenta ver, que saber de mim não vê nada
Porque a confiança é uma mulher ingrata
Que te beija, e te abraça, te rouba e te mata
Desacreditar, nem pensa, só naquela
Se uma mosca ameaça me cata piso nela
O bico deu mó guela, ró
Bico e bandidão vão em casa na missão
Me tromba na cohab
De camisa larga, vai sabe Deus que sabe
Qual é a maldade comigo inimigo num mique
Tocou a campanhia plin, pá trama meu fim, dois maluco
Armado sim, um isqueiro e um stopim
Pronto pra chamar minha preta pra falar
Que eu comi a mina dele, rá, se ela tava lá
Vadia, mentirosa, nunca vi tão mó faia
Espírito do mal
Cão de buceta e saia
Talarico nunca fui, é o seguinte
Ando certo pelo certo, como 10 e 10 é 20
Já penso doido, e se eu tô com o meu filho no sofá
De vacilo desarmado era aquilo
Sem culpa, sem chance, nem pra abri a boca
Ia nessa sem sabe
(pô cê vê) vida loka
Mais na rua num é não, até jack
Tem quem passa um pano
Impostor pé de breque, passa pro malandro
A inveja existe, e a cada 10, 5 é na maldade
A mãe dos pecado capital é a vaidade
Mais se é para resolver, se envolver, vai meu nome
Eu vou fazer o que, se a cadeia é pra homem
Malandrão eu, não, ninguém é bobo
Se quer guerra terá
Se quer paz, quero em dobro
Mais verme é verme, é o que é
Rastejando no chão, sempre embaixo do pé
E fala 1, 2 vez, se marcar até 3
Na 4ª xeque-mate, que nem no xadrez
Eu sou guerreiro do rap
E sempre em alta voltagem
Um por um, Deus por nós, tô aqui de passagem
Vida loka
Eu não tenho dom pra vitima
Justiça e liberdade, a causa é legitima
Meu rap faz o cântico do lokos e dos românticos
Vo por o sorriso de criança, onde for
Os parceiros tenho a oferece minha presença
Talvez até confusa, mais real e intensa
Meu melhor marvin gaye, sabadão na marginal
O que será, será, é nós vamo até o final
Liga eu, liga nós, onde preciso for
No paraíso ou no dia do juízo pastor
E liga eu, e os irmão
É o ponto que eu peço, favela, fundão
Imortal nos meus versos
Vida loka
Suplicy pra inspirar, ele é a sua meta de performance:
aos queridos do direito, inspirem-se.
Após a declamação teatral, você ouvirá uns aplausos no infinito de alguém que jogava video game naquele momento frufru de mocinhas e costuras. (hahahahahahaha valeu Luiz!)
Se essa dica não adiantou, enquanto sua amiga linda, fofa e atenciosa costura, se jogue no chão sem pudores, coloque uma revista qualquer na sua cara e durma uma meia hora, você acordará outra, acredite.
O mais interessante nessa menina-costureira, colunista do cinema em cena, do estante da sala E a mais nova mestranda do PPGAS/UFAM (!!!!) é o descompromisso-prazeroso que ela tem em mexer nos tecidos, em cortá-los utilizando o rejunte da cerâmica, em perceber que tá faltando alguma coisa e improvisar com o que tiver por ali! Amei Isa :)
O resultado é tão singelo sabe? as mãos de uma pessoa tão querida, num mix de habilidade, tecidos, carinho e linhas criaram não uma capa qualquer para o seu notebook, mas uma manifestação de resistência num mundo duro, corrupto, cínico, esmagador.
*
vamos ao passo a passo:
as belezocas peladas: você precisa deles para tirar as medidas.
O rejunte vai ajudar a cortar em linha reta.
tá vendo essa parte verdinha dentro das laranjas? é um saquinho de feltro.
tava dormindo quando ela fez (acho) :/ mas é simples!!!!
mini coração vodu! hahahahahaha
esse pedacinho fica na lateral do computador, serve para guardar o carregador :)
Isa estava enfiando o elástico com um grampo pra ele ficar franzidinho.
Essa foto ficou psy, mas é o momento que junta todo mundo
(o saquinho de feltro e o outro de laranja) e costura as bordas.
quase pronto, os dois saquinhos estão juntos. falta a "berinha"que fecha.
Essa é a berinha que fecha!
daí é "só" costurar com os saquinhos...
colocar a sua maquininha!
PRONTO! amei Isa!!!! :D
depois de um jantar gostoso/natureba/bonzão, volte pra casa, exiba à todos sua capinha nova, diga quem fez e seja snobe, acrescentando que ela só faz pros considerados! hahahaahhahahaah
aproveite e leve suas laranjinhas para o evento mais importante da sua vida nesse final de ano, se nada der certo, ao menos você vai brilhar com uma capa estilosa né?