"Ao passar pelas portas dos fundos vislumbrei o oceano cintilante de sol. Por um momento fiquei de tal modo atônito, que não pude mover. Não sabia se estava mais surpreendido por ver o sol pela primeira vez em quase três semanas ou se por ter descoberto a porta. Caminhei até ela, esperando que o sol não desaparecesse antes de eu atingi-la"... (McCoy, Horace. p. 55. Publicado em 1935)
"They shoot horses, don't they?" Dirigido por Sidney Pollack em1965
"E à noite acontecia uma coisa estranha: as vinte famílias tornavam-se uma só família, os filhos de uma eram filhos das outras, de todas. A perda de um lar tornava-se uma perda coletiva, e o sonho dourado do oeste um sonho coletivo. E podia acontecer que uma criança enferma enchia de pena os corações de vinte famílias, de cem pessoas; que um parto numa tenda mantinha cem pessoas em silêncio e em expectativa durante uma noite e que a manhã seguinte encontrava cem pessoas felizes com o êxito de um parto estranho. Uma família, que uma noite era antes errara apavorada na estrada, procurava então, talvez, entre os seus parcos tesouros, algo que pudesse ser dado de presente ao recém-nascido. À noite, sentados ao redor da fogueira, os vinte eram um só. Uma guitarra surgia então de sob um cobertor e soava tristemente, e canções eram entoadas, canções populares. Os homens cantavam a letra e as mulheres cantarolavam a melodia.
Todas as noites um mundo surgia: amizade se faziam, inimizades se estabeleciam; um mundo completo, com gabolas e covardes, com gente silenciosa, com gente humilde, com gente bondosa. Todas as noites, relações eram feitas, relações que modelavam um mundo à parte; e todas as manhãs esses mundos se desfaziam como circos ambulantes.
A princípio, as famílias titubeavam nas montagens e desmontagens desses mundos; mas gradualmente a técnica da construção de mundos tornava-se a sua técnica. Os líderes surgiam, leis se faziam e códigos eram observados. E à medida que os mundos se deslocavam para oeste mais e mais completos se tornavam, porque seus construtores já tinham adquirido mais e mais experiência."
A fotografia "migrante mother", de Dorothea Lange [década de 1930] mostra Florence Owens Thompson, mãe de sete crianças, de 32 anos de idade, em Nipono, Califórnia, março de 1936, em busca de um emprego ou de ajuda para sustentar sua família. Seu marido havia perdido seu emprego em 1931, e morrera no mesmo ano.
STEINBECK, John, 1902-1968. As vinhas da ira; Tradução de Ernesto Vinhaes e Herbert Caro. São Paulo: Abril Cultural, 1982. p. 258 [O livro foi publicado em 1939, e o filme, dirigido por John Ford , em 1940]
A coisa mais maluca foi eu ter descoberto o Rimbaud no auge da minha preguiça e acumulação de peso. No final das contas o que põe pra fora é esticar as canelas. foda-se rambô.
Após três dias de intensa violência: quinta, sexta e sábado, ironicamente... me recolho num domingo chuvoso pra entender as origens de toda essa maluquice, sim, eu estou falando do mundo... e da chacina no Pará também.
Esse é o tipo de livro que você se pergunta: como posso ter vivido até hoje sem ter lido uma página desse Colombiano? Busquei refúgio no lugar certo...
Tem um tempinho que criar novas rotinas era sua melhor especialidade...
Tem uma recente que está até razoável. acordando em horário satisfatório, atividades físicas na vila olímpica, suquinhos naturebas, bibliotecas, a MALDIÇÃO DA TRANSCRIÇÃO - isso é coisa do demônio, sério - revisar loucamente o texto escrito e evitar encontrar qualquer ser na rua que te faça lembrar da sua escrita... isso tem funcionado, o problema é o tempo. ele anda curto e você não é uma máquina de fazer biscoitos.
Esqueci de um detalhe diário que negligenciei nesse primeiro parágrafo.
Tenho lido um conto por dia de Edgar Allan Poe, logo que acordo.
Alguns diriam:
- você tá louca? esse cara só pensa em horror, mistério, morte...! como você começa o dia com ele?
- deprimente Natasha, muda esse disco!
Então, vou explicar como cheguei ao querido Poe.
Alguém já comentou no blog e fiquei com a pulga na orelha, fui conferir a resenha naquela versão de "guia de leitura" safada/L&PM pocket... mas que dá pro gasto... curti, ok.
Fui na modesta biblioteca que o Sr. meu pai montou para as moçoilas da casa... e ótimo! ele estava lá! tenho uma versão bem bonitinha do "histórias extraordinárias" na mão. Na empolgação, li a primeira página do conto: "a queda da casa de usher"... mas o meu estado emocional da época não me permitiu continuar... era muito prelúdio de história de terror de quinta pro meu gosto, preconceito total e foda-se, não vou ler isso.
Até que me deparei com um texto do querido Norbert Elias: "Les pêcheurs dans le Maelström".
Já não basta essa praga ser em francês? que diabos é Maelström?!
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Hoje eu percebo o quanto aquele brinquedinho é importante...
quebra-cabeça
Fazer nota mental de brincar loucamente com a minha afilhada...
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No início do texto de Norbert Elias, ele já explica o título... e é referente ao conto de quem? do Poe!
"Uma descida ao Maelström"... pg. 377.
Pra ser uma exibidinha completa, corri lá e li antes. DEMAIS!
adorei tanto o texto do Elias quanto o conto de Poe, a relação foi genial!!!
E aí começou a nova rotina: Poe me dá bom dia, todos os dias.
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Agora preciso apresentar a minha mais nova melhor amiga virtual: Tatiana Feltrin :)
Esse mundo é meio triste sabe? a gente gosta tanto, se sente bff, mas a Tati nem tchum pra mim. ô mundo cruel.
A Tati é uma devoradora de folhas escritas! ela é professora de inglês e os livros que lê é no percurso do trabalho pra casa e de casa pro trabalho... ao todo dá umas três horas... não é incrível?! PARE DE RECLAMAR ONTEM!
Ela lê cada porcaria, coitada... mas acho admirável o exercício de transformar o cérebro num músculo sedento sabe? não me peça pra ler porcaria, eu não leio. sério. já me basta os meus parágrafos! sem falsa modéstia. Já a Tati... céus! é um exemplo de boa samaritana.
Mas antes de falar da minha impressão dos poucos contos que li do Poe, vocês precisam ver esse vídeo da minha amiga Tati:
10 coisas que talvez você não saiba sobre E. A. Poe, Tatiana Feltrin.
Gente, é muita morte na vida deste homem!!!!
E aí que as coisas foram ficando mais claras no meu miolinho cinzento...
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Então,
tenho passado por algumas dificuldades... dentre elas, as minhas limitações em lidar com o "fim" o "ponto final existencial"sabe? com a morte inclusive... isso tem gerado alguns transtornos que ainda enche MUITO o meu saco e tem levado rios de dinheiro do meu bolso.
A morte de alguém, se você não for um psicopata/assassino, é algo que foge totalmente do controle certo?
certo. Ninguém sabe o porque dessas merdas acontecerem. E não tem UMA versão razoável do pós morte que te conforte... uma tristeza.
Nos contos de Poe, os personagens tem o total controle sobre a morte... inclusive, ele chega a enterrá-los vivos! SENSACIONAL!
É impressionante como esse mundo é cheio de encantos... maldito iluminismo!
Essa atitude de desvelar o coração fazia parte de um esforço burguês de "voltar a fazer do mundo um lugar encantado". O alvo era a razão iluminista, acusada de - com seu cientificismo frio e sua rebeldia contra a fé - ter banido do mundo a ideia de mistério e de maravilha. Era necessário, portanto, libertar a imaginação, recuperar a vida interior do homem e desfazer a secularização do mundo, que haveria de ser reencantado. A imaginação liberta marcaria o triunfo dos românticos sobre a Idade da Razão. GAY, Peter. O coração desvelado... in: HENRIQUE, Marcio Couto. Um toque de voyeurismo: o diário íntimo de Couto de Magalhães. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2009.
OBS: ABNT teve um ataque cardíaco com essa referência.
Continuando, no meio da concrete jungle avistei um jardim, por sorte, tinham flores lindas... entrei. A casa destoava de toda a multidão de prédios que a faziam companhia... era uma arquitetura nada convencional se comparado aquelas torres de gelo que espelham frieza e antipatia.
A casa das rosas é um suspiro em milhares de "avenidas paulistas" em todo país. Não estou nem falando das atividades que ela proporciona, acho até que deixa a desejar, mas o que ela significa naquele emboléu de coisas... já vale. Não consigo entender essa lógica em destruir todos os prédios históricos do país! juro que não é conservadorismo... rs.
Entrei, subi as poucas escadas, e avistei uma sala com mesas, cadeiras, alguns cacarecos e livros espalhados... decidi beber água e dar um tempo. no meio do marasmo e passada a canseira, tirei um livro da prateleira. Era ele, o Drummond. E na primeira página virada... pensei: estou aqui por essa frase.
Drummond sendo fofo <3
Tenho que fazer um comentário sobre essa foto: as pessoas da benedito calixto não sabem vender armações de óculos antigas... definitivamente. custava dizer que essa era a armação do Drummond?!
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Então, voltando à frase que pode salvar uma vida, ou várias, é a seguinte:
"a poesia organiza o sofrimento..."
Calma, em contraponto a desordem, não descarto a eficácia do caos em certos momentos da vida, mas ouvir essa frase do meu amigo Carlinhos naquela casinha adorável, é muita demonstração de carinho (...), cuidado e apreço com o leitor que por sorte tropeçou ali, naquele lugar.
sempre haverá os irreverentes (ufa!) que farão as adaptações:
"a cerveja organiza o sofrimento..."
Apesar de ter muito apreço e respeito ao Drummond, não descarte as outras possibilidades.
Faça o seu corte e cole favorito e entre na brincadeira, o que vale é o carinho, as palavras.
Boçal: Na gíria brasileira, boçal é também aquele indivíduo exibicionista, esnobe e chato, que age com arrogância normalmente por ter melhores condições financeiras ou por se sentir superior aos outros.(net,vergonha alheia)
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Se for pra prestar na vida, tem que prestar MESMO.
Se pra você, boçalidade não tem fim, tamo junto.
Desde o dia em que um matéria de "jornal", de 1 (uma) folhinha (!!!) escrita por Nancy Frazer, foi debatida por HORAS, eu resolvi que assinaria aquela bagaça incompreensível.
Natasha é a mais nova assinante do Le Monde Diplomatique, o diplô Brasil! é muita "pedância" meu povo! empresto prazamigas :D
Nada de ler na internet, eu quero é riscá o meu jornalzinho mensal e me exibir loucamente!
Estou providenciando ($$$) meu banquinho Tukano pra empilhar as belezuras! uhuuu dica da Isa: tipos de pedantes! hahahahhaahah