sexta-feira, 7 de junho de 2013

desenhos visionários


Cristina Gonçalves, 2009 (instagram)


Fiquei o dia pensando numa pintura que vi no instagram, hoje.

Vez ou outra vinha na memória aquela sandália preta toda trançadinha no pé da menina e aquele gatinho que olhava pra traz... ele olhava pra quem? pra onde? arrisco dizer que lá é bem mais interessante que aqui, os gatos tem sempre razão.

o azul estava bonito, aposto que se você olhasse rápido... jamais perceberia que estava chovendo, a não ser pelo tamanho do guarda chuva e as poucas gotas que caem ao lado da moça.

Hoje eu li um texto da Angelika Gebhart-Sayer, sobre desenhos, sonhos e visões (...) ela fez a pesquisa entre os índios Shipibo-conibo. Além de bonito, achei muito bem escrito...

Dentro de um contexto específico, ela falou que o desenho é a "domesticação" de um mundo invisível/espiritual... e nesse mundo, a frequência  é caótica e as informações são incompreensíveis.

E é exatamente assim que eu me sinto hoje, nesse mundo caótico, incompreensível e molhado... a chuva não passa, vez ou outra ela vem conferir o seu grau de encharcamento...

eu já ensopei! já chega!

mas ela é insistente... está o tempo todo te testando, um abuso.

o que sobrou é a paciência e a esperança que ao menos um dia você construa aquela sombrinha rosa e imponente, igual ao da menina da pintura.

obrigada cris!

:*

pintura original:

Cristina Gonçalves, 2009



quinta-feira, 6 de junho de 2013

Cayo Guilhermo

antes de qualquer coisa:
nenhuma imagem, nenhuma descrição, consegue mensurar esse lugar... eu tento porque sou gaiata e tô treinando a escrita... faça um favor a si mesmo um dia na sua vida: vá! :)

Saindo de Camaguey e depois de insistir um bocado, tentando provar para a mulher da agência de turismo que o seu translado para o hotel em Cayo Guilhermo estava incluso,  você finalmente consegue entrar no ônibus e ir em direção ao lugar que, obcecadamente, você quis conhecer: o paraíso do seu amigo Ernest Hemingway.

depois de algumas horas, a distância entre Camaguey e Cayo Guilhermo é aproximadamente  uns 200 km, você começa a notar que aquele ônibus japonês tem janelas estranhas SEM trava de segurança... sim, seu cérebro doente não ficou em Manaus... e isso te rendeu boas horas de angústia e alucinação nos possíveis acidentes... imersa nesses pensamentos tenebrosos... você é abruptamente surpreendido por um a estrada de mar!

Estrada que leva aos Cayos, maio de 2013

Gente, o que é isso? respire e acredite profundamente que você merece aquela estrada... nem pense no impacto ambiental que aquilo causou (e não foi pouco), e tenha ataques eufóricos com aquela água degradê... azul, verde, turquesa, sei lá! tente lembrar das descrições de Malinowski naquele arquipélago horroroso.

é muita lindeza nesse mundo!!!!
juro que não pensei nesse ônibus caindo nessas águas, com janelas "lacradas" ¬¬

Depois desse "aperitivo", você finalmente chega ao prato principal, aquele resort que vai te propocionar três dias de dondoca nas terras de Fidel... todas as refeições, OPEN BAR ALL DAY, lanchinhos infinitos, passeios, massagem (é paga, ódio!)... e aquela paisagem sem graça pra você se distrair.

Cayo Guilhermo, maio de 2013

a partir daí, você faz algumas reflexões e chega a algumas conclusões rápidas:

apesar de você só terminar de pagar o seu carro de terceira mão em agosto, viver com três reais de gasolina no tanque, ser bolsista do CNPq e ter escolhido ser antropóloga pra sustentar seus vícios e frescuras, hábitos de moça gata, macia, trabalhada em academia e estudiosa, você conclui que não precisa ser milionária para estar nesse lugar. um bom guia turístico nas mãos, amigas MARAVILHOSAS (Julia e Camila), fazer escolhas em BAIXA TEMPORADA e um pouquinho de coragem, te levarão bem longe.

Caminhando pelo hotel, percebi que no fundo tinha um muro azul, parecido com o do Selva Park... aquele balneário mara que você curtiu horrores quando era criança... e um restaurante de nome "o velho e o mar" com uma estátua na frente. O "muro" era aquele mar de cores estonteantes... e a estátua, era daquele escritor que te salvou várias vezes... desde o fatídico mês de outubro.

Meliá, maio de 2013

Deu pra entender um trisquinho o porque dele ter decidido morar por tantos anos nessa ilha incrível. É inacreditável a beleza e a sensação que esse lugar proporciona, chato que o seu parâmetro de paraíso vai ficar bem alto de agora em diante...





terça-feira, 4 de junho de 2013

chevrolet, 1953, Camaguey

Sair de Havana, se você é turista, pode parecer um tanto complicado... é tanta negociação, caso você não queira viajar de viazul, que você fica tonto! compreenda minimamente a dinâmica, divida sempre a conta por quatro... e gaste seus CUC´s, valerá MUITO a pena.

Chevrolet, modelo luxo, 1953


alugamos um carro, suspiros, é IMPRESSIONANTE uma caranga de 1953 cruzar um país! isso é motivo pra você se exibir loucamente durante gerações! eu disse GERAÇÕES! rs

Distância entre Havana e Camaguey: aproximadamente 600 km

foram oito horas de viagem e eu não consegui piscar... aquela vegetação, os caminhões que cruzavam a gente... o sol, as árvores, as casinhas... pinto no lixo me definiria... tudo lembrava os documentários e filmes que eu tinha visto... nem foram tantos, rs, mas eu só lembrava deles. emoção total.

Chegando em Camaguey, junte o resto das suas forças pra tomar um banho e jantar na famosa "cidade labirinto". hospede-se em uma das casas particulares que existe na cidade, velhinhas adoram receber pessoas, amey! Só esteja apto para conversar sobre tudo que é tipo de novelas... todas piram em insensato coração e terra nostra.

"Dois séculos gastos na tentativa de se defender dos avanços de piratas como Henry Morgan (?) levaram o inexperiente povoado a desenvolver ruas tortuosas, feitas justamente para confundir os invasores e assegurar a proteção dos residentes. foi fundada em 1514, e em 2008, foi declarado Patrimônio da Humanidade da UNESCO" (lonely planet, 2012)

Camaguey, maio de 2013

Camaguey, maio de 2013

Camaguey, maio de 2013.

OBS: agradecimentos a Julia Lisboa e Camila Oliveira, beijo meninas!
vocês são muito queridas.











Havana, casas particulares

Antes de planejar uma viagem, marque um encontro com as vítimas,  companheiras e amigas queridas, e imponha proponha, ir na praia que Ernest Hemingway amava! elas vão torcer o nariz... fazer desdém, insinuar que ele é um qualquer, um desconhecido... que Cayo Guilhermo é longe... mas se mantenha serena e firme, ofereça suco, sanduíche, sorvete e desenho animado... tiro e queda.



Mesmo que não tenha linha de ônibus, nem qualquer menção de estrada no mapa para os cayos... insista, persista.

Passado o desespero, você percebe que um paraíso te aguarda:

Se tivesse um peixinho colorido, você veria! sério.


Ficamos dez dias em Cuba e ao chegar em Havana, não esqueça de deixar previamente acertado ficar em uma das casas  particulares, que significam casas que os Cubanos alugam para estrangeiros. A casa de Girânia é localizada no bairro Vedado, de frente para o Malecón, ótima localização.

bairro vedado, maio de 2013


Casa da Girânia, maio de 2013

Depois de descansar, vá em uma "casa de turismo" e faça sua reserva em um dos hotéis dos Cayos... é só assim que vai pra lá, de translado, no caso, o busão saía de Camaguey.


xavante, xamanismo e sepultura

índios xavante empurrando avião. Foto: José Medeiros, 1949.


a saber,

"A música Itsari foi gravada na Aldeia Pimentel Barbosa (Xavante) no ano de 1995, às margens do rio da morte no estado de Mato Grosso" (wiki)










segunda-feira, 3 de junho de 2013

Alfred Hitchcock e o medo da morte


Você sabia que aquele caminhão que carrega um contêiner pode virar na curva, em cima de mim inclusive! aquelas porcarias não são parafusadas... tudo pra não pagar o seguro do caminhão inteiro... vou denunciar pro MP! e aquelas pedras que ficam na carroceria?! quem foi que disse que aquela lona azul segura alguma coisa? um crime! um abuso! teve uma vez, ali perto do puraquequara, que caiu uma pedra na cabeça de um cara que vinha num carro atrás... teve o cérebro esmagado... morreu na hora o coitado. Credo, nunca fico atrás de carro que carrega vergalhão, numa freada ele atravessa o carro e me mata no mesmo segundo... desvio sempre. os ônibus também são um problema, se você fica atrás deles, pode ser esmagado por um outro desenfreado... aconteceu com uma pessoa ali na sete de setembro... um outro problema são os camarotes de barco, aquelas porcarias daquelas portas, abre de dentro pra fora, se o barco afunda, eu fico presa e morro nessa bosta, tudo culpa de um engenheiro burro que não coloca a porta do jeito certo. tem um acidente que é super comum em barco também, o escapelamento, ouvi na CBN um dia desses que tem até um grupo de mulheres que fazem perucas para essas vítimas... nossa, deve ser um acidente horroroso... andar de voadeira é mais perigoso ainda, se aquela palheta pega no meu pescoço ou em qualquer parte do meu corpo... aiii não quero nem pensar.

e é assim que a sua linda imaginação fica maquinando, quando tá de bobeira.

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dia desses, estávamos falando sobre mergulho, peixinhos, corais, sol, amor, paz e harmonia... daí uma amiga falou um pouco sobre a sua experiencia...

"teve uma vez, que eu fiz mergulho com cilindro... "

antes dela completar a frase, seu cérebro logo fez um link com aquele filme maldito que te fez ficar HORAS esperando o final mais que óbvio e angustiante:



daí ela continuou:

"eu usei todo o equipamento e desci aproximadamente uns 30 metros... é tudo muito bonito no fundo do mar... mas depois de um tempo me perguntei: QUE DIABOS EU ESTOU FAZENDO AQUI EMBAIXO?! TEM UM PRÉDIO EM CIMA DE MIM, subi, o mais rápido que pude".

com os devidos ajustes, é exatamente assim que eu me sinto ao andar de avião.

:~

além do escuro, o avião é algo que tá me tirando o sono. não sei o que fazer, já tentei me imaginar sem precisar viajar, sem ir pra congresso, sem fazer pesquisa em outras localidades mais distantes... sem tirar férias, sem conhecer os confins do judas, mas não consigo.

uma alternativa, foi o dramin. "é ótimo, nos primeiros minutos você dorme e acorda só quando chega". ¬¬


tomei um, turbulência, tomei meio, turbulência, TOMEI DOIS! e aí estava eu, um corpo dopado, com uma alma gritando e chorando por dentro, as lágrimas escorriam, mas você estava "aparentemente" calma. agradecimentos especiais à minha amiga, pelas palavras, carinho e compreensão.

Não sei dizer, quando exatamente isso começou, mas arrisco que foi numa vinda de são paulo para manaus. levei computador e estava assistindo melancolia.



Tudo bem que explosão e fim do mundo não são temas muito indicados pra você assistir num avião... mas eu não sabia que ia ter um siricutico! demorei alguns meses pra ver o final... toda vez que lembro (ava) tinha sentimentos de quase morte. loucura total.

Lost, perdidos nos andes, mamonas assassinas, a tia do meu amigo que morreu no acidente da gol às vésperas do meu aniversário, aquele acidente da TAM... enfim, o céu é o limite pra muita desgraça, tudo isso viaja com você.

como estava de férias, nem pensei duas vezes: COMPUTADOR EM CASA, claro. mas em alguns aviões tem aquelas telinhas que você escolhe filmes, documentários e bla bla bla pra assistir e te distrair da morte iminente.

Escolhi o novo do Hitchcock.



Desde que eu soube que ia estrear, procurei assistir os filmes dele... mas tantas coisas aconteceram que meu plano foi por água baixo. tinha prometido assistir o novo na casa de uma amiga, com direito a comidinhas naturebas e papos infinitos, mas nem deu certo também...

aproveitei a oportunidade de curtir minhas "últimas horas" me distraindo.

spoiler

a saber, o maior sucesso desse mestre do cinema, foi bancado por ele mesmo!
apesar de toda a sua fama de foda da sétima arte, esse prestígio não foi suficiente pro cara obter financiamento. e a partir desse desafio ele fez o filme mais popular de toda sua carreira.

um outro ponto bacana é a parceria que rola com mulher dele, e isso me faz pensar num outro texto sobre Camille Claudel, assisti uma peça e o último filme (2013) sobre ela no "festival oportunista de cinema francês". mas como eu disse, vale um outro texto só sobre ela :)

Juliete Binoche tá incrível 

Pra terminar, esse senhorzinho genial de nome Alfred, me livrou de duas horas e pouco de angustia e aflição, eu simplesmente esqueci que estava naquela bolha de horror e até fiquei preocupada de chegar e o filme não terminar. meus sinceros agradecimentos viu?

OBS: se você tiver alguma sugestão para essa doença, fique a vontade nos comentários.



comercial de óculos

De acordo com o museu da revolução, esse são os óculos de Fidel. rs



Segunda sem assanhamento, não é segunda:




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